'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial

A premiação acontece nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro

Por
Izabel Gimenez
, redação Marie Claire — de São Paulo (SP)


'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial Arquivo pessoal

Camilla da Apresentação, conhecida como Preta Letrada, construiu uma comunidade de mais de 500 mil seguidores nas redes. Comunicadora popular, advogada criminalista, escritora e pesquisadora, ela é uma das finalistas da categoria Influência e Representatividade Digital, na categoria Cultura, no Prêmio Sim à Igualdade Racial 2026, que acontece nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro.

Para Camilla, ocupar o ambiente digital significa disputar narrativas em um espaço cada vez mais central na formação cultural e política das pessoas. “Eu comecei a produzir conteúdo porque sentia prazer em compartilhar minha visão de mundo. Ser reconhecida dessa forma por uma das maiores premiações de diversidade racial do mundo reforça ainda mais essa missão que tenho dentro da internet”, afirma.

'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial — Foto: Arquivo pessoal

A finalista diz que estar entre os destaques da categoria representa também uma responsabilidade diante do tipo de conteúdo que circula nas redes. “Estar no ambiente digital é também disputar narrativas e trazer, como contraponto, informação, cultura e a palavra como forma de transformação social”, diz.

Mais do que ampliar números, seu objetivo é usar a visibilidade nas redes para abrir brechas de reflexão e deslocar perspectivas. “Se eu mudei a visão de uma pessoa que seja sobre determinado assunto ou sobre determinada perspectiva de vida, eu já alcancei o meu objetivo. Eu não quero que você pense igual. Eu só quero que você pense”, afirma

A presença no evento também se transforma em extensão desse discurso através da moda. O look escolhido para a premiação, criado pelo ateliê baiano Teroy13, foi desenvolvido para dialogar com o tema desta edição, “Surrealismo Afro-Indígena Brasiliano”. A proposta mistura maximalismo, ancestralidade e referências às religiões de matriz africana.

“A ideia é trazer para o centro do debate a cultura afro-brasileira e a cultura de terreiro, que hoje é muito mais do que religião, é uma cosmovisão”, explica.

'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial — Foto: Arquivo pessoal

Os elementos do look também carregam significados ligados à ancestralidade afro-brasileira. Os búzios remetem à comunicação, à prosperidade e à riqueza, já que também foram usados como moeda de troca em sociedades africanas. Os corais aparecem como símbolos de proteção e realeza. No visual, o vermelho e o dourado reforçam essa ideia de força, abundância e diálogo com o surrealismo proposto pelo prêmio.

O maximalismo, presente não apenas na roupa, mas também nas unhas e acessórios, aparece como afirmação estética e política.

“O exagero sempre foi visto de forma depreciativa quando associado à cultura negra. Mas o maximalismo vem justamente como contraponto a uma estética de contenção e padronização. Ele celebra texturas, pedrarias, cores e elementos que fazem parte da nossa história".

'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial — Foto: Arquivo pessoal
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