Louis Vuitton, fundador da grife, criou primeiro malas de viagem: conheça história

O fundador de uma das grifes mais famosas e ricas do mundo tem origem simples e saiu aos 16 anos de sua cidade no interior da França para percorrer (a pé) mais de 400 quilômetros até Paris, onde construiu seu império. Conheça a extraordinária trajetória de monsieur Vuitton

Por
Ana Clara Vinci
, Redação Marie Claire — São Paulo (SP)


Artesãos no ateliê da Louis Vuitton, em Asnières — Foto: Reprodução/Site Louis Vuittom

O fundador de uma das grifes mais famosas do mundo tem origem simples e camponesa; saiu de sua cidade no interior da França aos 16 anos e andou 400 quilômetros até Paris a pé (sim, a pé); se destacou como um dos melhores artesãos da oficina que trabalhou durante 17 anos; criou baús de viagens resistentes; desenvolveu, ao lado do seu filho, um fecho impossível de abrir se essa não foi a intenção e, bem, criou um império fashion que alcançou seu ápice nos dias atuais, já que a Louis Vuitton é uma das marcas mais valiosas do mundo contemporâneo. Conheça a impressionante história de "monsieur" Vuitton.

O início de tudo

Louis Vuitton nasceu em 1821 em uma pequena comuna chamada Lavans-sur-Valouse, que fica bem ao leste da França, quase na fronteira com a Suíça. Como a densidade populacional da região não chegava aos 200 habitantes, Vuitton decidiu sair do local provinciano e, aos 14 anos, começou o seu périplo com destino a Paris. O jovem percorreu os 400 quilômetros entre sua cidade natal até a cidade-luz a pé, demorando dois anos para concluir a sua jornada.

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Ateliê de Monsieur Maréchal

No mesmo ano em que chegou à capital francesa, em 1837, Louis se tornou aprendiz do ateliê de Monsieur Maréchal, especializado em itens de viagem. Ocupando um cargo no setor de "embalador e fabricante de baús", Vuitton embalava os pertences das pessoas de camadas sociais abastadas para que ficassem protegidos durante as recorrentes viagens feitas em carruagens, barcos e trens e, paralelo a isso, ele aprendia também o ofício de desenvolver baús.

Vuitton logo se destacou no ateliê e se tornou um especialista em fabricar baús e caixas resistentes para viagem. Tanto é que ele foi o responsável por desenvolver baús quadrados, que eram mais simples de serem empilhados nos bagageiros dos meios de transporte da época. Louis permaneceu trabalhando no local durante 17 anos.

Baú da Louis Vuitton que levava o nome de "Ideal" — Foto: Reprodução/Site Louis Vuitton

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A maison Louis Vuitton

Em 1854, aos 33 anos e com quase duas décadas de experiência, Louis Vuitton decidiu abrir a sua própria maison de fabricação de baús na Rua Neuve-des-Capucines, próximo à Place Vendome, em Paris. Como ele já havia fidelizado boa parte da nobreza da cidade, seu ateliê foi um sucesso desde o dia um.

Baú Louis Vuitton — Foto: Reprodução/Site Louis Vuitton

Os pedidos eram tantos, que, cinco anos depois, em 1859, foi preciso abrir um segundo ateliê, localizado em Asnières, uma região nas franjas de Paris. Conforme a maison se expandia em termos de reconhecimento e encomendas, o ateliê físico também cresceu, reunindo centenas de funcionários e até a família Vuitton mudou-se para um anexo ao ateliê.

Ateliê Louis Vuitton em Asnières — Foto: Reprodução/Site Louis Vuitton

A maison continua firme e forte em Asnières e segue sendo o lugar que os produtos de viagem são produzidos artesanalmente até hoje. Já a casa da família tornou-se um museu particular sobre a história da marca.

Ateliê Louis Vuitton em Asnières atualmente — Foto: Reprodução/Site Louis Vuitton

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O fecho de duas fivelas

Com a residência familiar era aglutinada ao ateliê de Asnières, todos os membros ficaram muito próximos da produção. Tanto é que Georges Vuitton, filho único de Louis, passou a tocar os negócios ao lado de seu pai. Juntos, eles desenvolveram o fecho "tumbler", um sistema inovador e inviolável de tranca formado por duas fivelas e uma mola, em 1886. Esse fechamento é tão eficaz que, durante todos esses anos, permaneceu o mesmo, sendo usado nos artigos da marca até hoje.

Fechos de mola dupla da Louis Vuitton — Foto: Reprodução/Site Louis Vuitton

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A famosa estampa de monograma

O monsieur Vuitton morreu em 1892 e claro que quem assumiu o comando da grife foi George. Quatro anos após a morte do progenitor, em 1896, o filho decidiu fazer uma estampa-homenagem e criou o icônico padrão com vários LV e flores-de-lis.

Um baú para sapatos no formato oval, criado pelo designer de sapatos Manolo Blahink — Foto: Reprodução/Site Louis Vuitton

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LVMH

Ao longo do século 20, a Louis Vuitton teve um crescimento exponencial, tanto é que no final dos anos 80 ela fundiu-se ao grupo Möet, Chandon e Hennessy (sim, as bebidas alcóolicas) e então se formou o conglomerado LVMH, que, nos dias de hoje, é um dos grupos de artigos de luxo mais ricos e importantes do mundo. Sob a batuta agressiva de Bernard Arnault (que é considerado um dos homens mais ricos do mundo, com um fortuna avaliada em 1 trilhão de dólares) o grupo detém de diversas outras grifes luxosas como a Tifanny e a Fendi.

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Expansão do negócio

Assim como o CEO da LVMH, a Louis Vuitton também é uma das marcas mais ricas do mundo. Em 2022, a consultoria internacional Brand Finance (que todo ano faz um ranking das marcas mais valiosas do mundo) divulgou que Louis Vuitton foi avaliada como a segunda grife mais rica da lista, ficando atrás apenas da Porsche.

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