Costanza Pascolato: 'Eu sempre me vesti para mim, não para os outros'
Brasil, setembro de 2024: qual é a cara da moda nacional? 22 figuras que fazem parte desse retrato, ao mesmo tempo singular e plural, respondem a Marie Claire sobre sua relação com o vestir e o fazer vestir. Costanza Pascolato, ícone da indústria brasileira, é a primeira entrevistada dessa série
"Eu sempre me vesti para mim, não para os outros." é assim que Costanza Pascolato reflete sobre seu estilo pessoal. Nessa entrevista, ela ainda falou sobre a indústria da moda brasileira hoje, seus ícones e mais.
MARIE CLAIRE O que você está usando hoje?
COSTANZA PASCOLATO Estou usando Anselmi. Escolhi essa roupa com plissados, por causa da mobilidade. Estou no período de recuperação de uma cirurgia. Então, o meu gesto ainda não é o meu.
MC Como você descreve seu estilo?
CP Sempre gostei de misturar o guarda-roupa feminino e o masculino. Nessa roupa, não tem nada disso, mas gosto bastante, para quebrar o que é muito mais feminino. E também mudo conforme o que estou vivendo. Quando eu ia muito a Paris, obviamente, me vestia para as Fashion Weeks.
MC A Julia Fox fala que se veste para os gays e para as mulheres. Para quem você se veste?
CP Para mim. Sempre foi para mim mesma, meu espelho. Nunca liguei para os outros. Nunca.
MC Como você veio parar no universo da moda?
CP Aterrissei desde o começo, porque minha mãe inventou uma tecelagem no Brasil. Então, ela me levava para visitar Christian Dior, Chanel, e outros nomes, para quem exportávamos seda pura, nos anos 1950.
MC Qual é o seu ícone de moda e por quê?
CP Sabe que mudou ao longo do tempo? Obviamente, afinal eu tenho 85 anos. Na minha época, o cinema era uma coisa que ensinava o que era glamour. E eu nasci durante a guerra e sou europeia, portanto a gente viveu um período complicado. Então o cinema, para mim, era o auge e tal, e eu adorava a Ava Gardner, eu me achava parecida. Imagina.
MC Costanza, o que te faz ser feliz trabalhando na moda?
CP O conhecimento de pessoas que não fazem parte do meu grupo, porque a gente cresceu num ambiente muito restrito. Uma coisa ótima, porque eu aprendi muito, uma coisa muito refinada, etc, mas eu quis e adoro conhecer gente de todos os grupos. E hoje é fundamental. Hoje são vários grupos e várias tribos, e você não vive se você não conhece tudo.
MC O que é a moda brasileira para você?
CP A moda brasileira está no embrião dela. A gente tem uma grande chance de acontecer porque a gente tem um jeito de ser diferente e é muito mais simpático do que a maioria. A gente sente que a Europa está cansadérrima, Estados Unidos está decadente, aqui as pessoas querem viver.