Costanza Pascolato: 'Eu sempre me vesti para mim, não para os outros'

Brasil, setembro de 2024: qual é a cara da moda nacional? 22 figuras que fazem parte desse retrato, ao mesmo tempo singular e plural, respondem a Marie Claire sobre sua relação com o vestir e o fazer vestir. Costanza Pascolato, ícone da indústria brasileira, é a primeira entrevistada dessa série

Por
Nathália Geraldo
,
Ana Clara Vinci
e
Maria Verderame
, Redação Marie Claire — de São Paulo (SP)


Costanza Pascolato para o especial de 'À moda BR', que está na edição de setembro da revista impressa Adriano Damas

"Eu sempre me vesti para mim, não para os outros." é assim que Costanza Pascolato reflete sobre seu estilo pessoal. Nessa entrevista, ela ainda falou sobre a indústria da moda brasileira hoje, seus ícones e mais.

MARIE CLAIRE O que você está usando hoje?
COSTANZA PASCOLATO
Estou usando Anselmi. Escolhi essa roupa com plissados, por causa da mobilidade. Estou no período de recuperação de uma cirurgia. Então, o meu gesto ainda não é o meu.

MC Como você descreve seu estilo?
CP
Sempre gostei de misturar o guarda-roupa feminino e o masculino. Nessa roupa, não tem nada disso, mas gosto bastante, para quebrar o que é muito mais feminino. E também mudo conforme o que estou vivendo. Quando eu ia muito a Paris, obviamente, me vestia para as Fashion Weeks.

MC A Julia Fox fala que se veste para os gays e para as mulheres. Para quem você se veste?
CP
Para mim. Sempre foi para mim mesma, meu espelho. Nunca liguei para os outros. Nunca.

Costanza Pascolato para o especial de "À moda BR", que está na edição de setembro da revista impressa — Foto: Adriano Damas

MC Como você veio parar no universo da moda?
CP
Aterrissei desde o começo, porque minha mãe inventou uma tecelagem no Brasil. Então, ela me levava para visitar Christian Dior, Chanel, e outros nomes, para quem exportávamos seda pura, nos anos 1950.

MC Qual é o seu ícone de moda e por quê?
CP
Sabe que mudou ao longo do tempo? Obviamente, afinal eu tenho 85 anos. Na minha época, o cinema era uma coisa que ensinava o que era glamour. E eu nasci durante a guerra e sou europeia, portanto a gente viveu um período complicado. Então o cinema, para mim, era o auge e tal, e eu adorava a Ava Gardner, eu me achava parecida. Imagina.

MC Costanza, o que te faz ser feliz trabalhando na moda?
CP
O conhecimento de pessoas que não fazem parte do meu grupo, porque a gente cresceu num ambiente muito restrito. Uma coisa ótima, porque eu aprendi muito, uma coisa muito refinada, etc, mas eu quis e adoro conhecer gente de todos os grupos. E hoje é fundamental. Hoje são vários grupos e várias tribos, e você não vive se você não conhece tudo.

MC O que é a moda brasileira para você?
CP
A moda brasileira está no embrião dela. A gente tem uma grande chance de acontecer porque a gente tem um jeito de ser diferente e é muito mais simpático do que a maioria. A gente sente que a Europa está cansadérrima, Estados Unidos está decadente, aqui as pessoas querem viver.

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