Chanel apresenta último desfile antes de Matthieu Blazy na alta-costura de inverno 25
Apresentada em clima intimista, a coleção de inverno 25 celebra o legado da grife enquanto abre terreno para a estreia do novo diretor criativo
A Chanel apresentou nesta terça-feira (8) sua coleção de alta-costura para o inverno 2025/26 no Salon d’Honneur do Grand Palais, espaço pensado para evocar o apartamento de Gabrielle Chanel e do lendário endereço da etiqueta na Rue Cambon, 31 — onde funcionou, por mais de um século, o ateliê de alta-costura da marca. Em vez dos tradicionais cenários grandiosos, a maison optou, desta vez, por um ambiente mais intimista, com menos convidados do que o habitual. Entre eles, nomes próximos à casa, como a diretora Sofia Coppola — acompanhada pelas filhas adolescentes Romy e Cosima Mars —, além de Kirsten Dunst, Penélope Cruz e Marion Cotillard.
Esta é a última coleção desenvolvida pelo estúdio criativo da Chanel, antes da estreia oficial de Matthieu Blazy (que vem de uma trajetória de sucesso na Bottega Veneta) como diretor criativo da grife, marcada para outubro. É o fim de uma era iniciada em 1983, com a chegada de Karl Lagerfeld, cuja visão moldou a Chanel moderna. Mesmo quando Virginie Viard assumiu o posto após a morte do estilista, em 2019, muitos dos códigos inseridos por ele foram mantidos — Viard, afinal, trabalhou com Lagerfeld na Chanel por quase 30 anos, atuando como seu braço direito.
Em clima de transição, o desfile soa como uma homenagem ao legado de Lagerfeld e Viard, ao mesmo tempo em que prepara o terreno para o olhar afiado de Blazy.
Na passarela, as clássicas jaquetas de tweed surgiram em novas leituras, usadas sobre saias de cetim de seda que substituíam os conjuntos tradicionais. O tweed também apareceu com fios metalizados desfiados em um acabamento que remetia à rusticidade, ressaltando o saber artesanal da marca. Peças como túnicas, vestidos e saias usadas sobre calças também trouxeram diferentes propostas visuais ao material característico da etiqueta.
Destaque também para os boleros e capas com texturas em evidência, das plumas à pelúcia, do couro aos bordados ricos, que lembravam verdadeiras armaduras nos ombros.
Elementos do streetwear — uma estética nem sempre associada à Chanel — também marcaram presença, sinalizando um diálogo com o mundo real e os desejos da contemporaneidade. Bermudas (ou jorts) combinadas com botas de cano alto, looks com barriga à mostra e cintos com bolsos utilitários — uma versão refinada da pochete —, são bons exemplos do flerte da maison com a linguagem urbana.
O que virá com Blazy segue um mistério, mas a apresentação de hoje lembra que a maison está pronta para (mais) uma reinvenção.