5 motivos comuns para a falta de libido em mulheres
Exaustão, relacionamento mais morno que comida de hospital e ansiedade nas alturas são fatores que afetam o tesão
Por Colaboração Para Marie Claire — São Paulo
Em alguns momentos da vida, até mesmo a pessoa mais fogosa pode perder a vontade de transar. “A sexualidade é igual a vida, com altos e baixos”, diz a ginecologista e sexóloga Carolina Ambrogini, coordenadora do Projeto Afrodite, do centro de sexualidade feminina da Unifesp.
Existem algumas causas comuns para o fim do tesão. De acordo com a médica, é difícil estabelecer uma hierarquia entre os motivos, porque na verdade a falta de libido é causada por um conjunto de fatores. Confira os mais frequentes:
1) Cansaço
A exaustão é uma verdadeira exterminadora de libido. Se você vive cansada (e quem não vive?), como se estivesse o tempo todo correndo uma maratona, é óbvio que o sexo não será a sua prioridade.
“Se a gente pensar na libido como uma energia, não sobra nada para a transa”, afirma Carolina Ambrogini.
De acordo com a sexóloga, o cansaço é uma queixa muito mais frequente para a falta de tesão entre as mulheres do que entre os homens. Afinal, não é segredo para ninguém que elas são muito mais sobrecarregadas do que eles no dia a dia.
As mulheres têm jornada dupla ou tripla para dar conta de tantas demandas impostas pela sociedade patriarcal: trabalho (fora e dentro de casa), filhos, família e cuidados estéticos.
Para Carolina Ambrogini, é preciso aprender a se organizar, pedir ajuda de rede de apoio e colocar limites tanto nas demandas familiares quanto profissionais. “Se você está exausta, significa que não está dando conta de tudo”, diz ela.
É necessário também buscar uma maneira de repor a energia, seja descansando, seja se dedicando a um hobby, seja tendo um momento só seu, seja fazendo atividade física.
2) Relacionamento estável
Ter uma parceira estável pode ser maravilhoso. Porém, a mesmice é inimiga do tesão. Sem o componente do mistério, o sexo fica tão previsível quanto cardápio de fast-food.
A sexualidade feminina é ativada pela sedução. A masculina, nem tanto. Basta reparar nos livros eróticos que fazem sucesso mundo afora entre elas, a exemplo de Cinquenta Tons de Cinza e outras obras em que um bonitão atrai a protagonista.
“A sedução às vezes deixa de acontecer num relacionamento estável, porque se tem uma falsa impressão de que o outro está conquistado e garantido”, afirma Ambrogini. “Sexo é investimento, não só de tempo e energia, mas de conquista. É preciso se manter interessante para o outro.”
Segundo a sexóloga, em parcerias heterossexuais, os homens investem menos depois de um tempo de relacionamento. “Para eles é um pouco mais simples, no sentido de que a erotização é mais presente no cotidiano masculino. A mulher não tem hábito de ficar vendo vídeo erótico durante o dia, por exemplo”, diz.
Marcar dia e hora para transar pode ser uma ideia, principalmente para quem tem filhos pequenos e precisa se organizar previamente. Outras ideias são dar presentinhos eróticos, usar uma lingerie diferente e tentar sair do óbvio.
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3) Depressão e ansiedade
Saúde mental tem tudo a ver com libido. Na depressão, a energia escorre pelo ralo. Já a pessoa ansiosa está com a cabeça sempre no futuro, sem conseguir parar para absorver o presente — é tanto pensamento que até o sono vai embora.
Buscar ajuda profissional para tratar os dois transtornos é essencial, não só pela morte da libido, mas todo impacto na qualidade de vida e na saúde em geral.
Os antidepressivos levam a fama como inimigos do tesão. Porém, segundo a médica, nem todos os fármacos da categoria têm esse efeito colateral. “Depende da dose, do tempo de uso e do tipo de antidepressivo”, afirma Ambrogini.
“Às vezes, você não precisa usar um remédio. Para casos mais leves de depressão, basta uma terapia. A conversa vai ajudá-la também a entender onde está sua libido”, aponta a sexóloga.
4) Fase de vida
Alguns estágios da vida trazem desafios extras para o tesão feminino. Depois de ter um bebê, é comum que a energia física e emocional da mãe seja toda dedicada ao pequeno e a vontade de transar fique em último plano.
Outro momento é a menopausa. O fim da vida reprodutiva bagunça os hormônios, causa secura vaginal, e mais do que isso, costuma despertar questionamentos existenciais que afetam a libido.
Na velhice, o desejo pode ser afetado, segundo a médica, pela interferência de fatores orgânicos e, às vezes, por alguma disfunção sexual da parceria.
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5) Crise no relacionamento
Desentendimentos conjugais afetam diretamente a saúde sexual do casal. Um relacionamento com brigas e disputas é um balde de água fria para o desejo. Além disso, outros fatores podem acabar com a vontade de transar, como um desemprego ou um luto.
A chave para contornar o problema é o diálogo. Sem conversar sobre a intimidade, fica difícil acertar os ponteiros.
Pode ser interessante procurar a ajuda de um terapeuta especializado no tema, como um sexólogo, até para desfazer mitos associados ao sexo.
“Não existe uma frequência considerada ideal para a transa. Em alguns casos, a demanda de um é maior do que a do outro e aí tem bastante conflito. A pessoa pode achar que tem um problema, quando na verdade são só necessidades diferentes”, diz ela.