Sexo em público com desconhecidos: o que é dogging, quais são as regras e como identificar praticantes

Conhecido por acontecer em praças e estacionamentos públicos, o fetiche mistura voyeurismo e exibicionismo e atrai tanto pessoas solteiras quanto casais

Por Redação Marie Claire


Descubra as regras do dogging, quando pessoas fazem sexo em público na frente de desconhecidos — Foto: Getty Images

Fazer sexo em público e com pessoas desconhecidas pode parecer coisa de outro mundo – ou no Brasil, quem sabe, uma aventura de Carnaval. Mas não é: no mundo todo, existem diversas pessoas adeptas do dogging, um fetiche em que pessoas transam em locais abertos e podem ser observadas por pessoas desconhecidas.

Comumente, o dogging é praticado em estacionamentos e parques – inclusive no Brasil – em horários alternativos, e atrai tanto pessoas solteiras quanto casais em busca de novas aventuras sexuais. Enquanto um casal transa em carros – podendo ou não que pessoas desconhecidas se juntem – , outras pessoas podem aparecer ao redor para assistir e se masturbar. É uma mescla perfeita para quem tem fantasias com o exibicionismo e o voyeurismo.

Em 2018, a jornalista e adepta Madalena Xavier conta em detalhes como conheceu o dogging e como se sentiu ao experimentar o fetiche ao lado do marido. “Me senti num campo de futebol cercada por uma torcida que vibrava com o jogo a que assistia. Na minha cabeça foi como um golaço: gozei e me pareceu que todos aqueles homens tinham gozado comigo. Ou melhor, para mim. Virei fã.” Depois de ler mais sobre o dogging, você pode se deleitar com o relato completo da experiência de Madalena aqui.

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Onde e quando surgiu o dogging?

O dogging como é conhecido hoje teve origem na década de 1970 na Inglaterra. Antes, transar com desconhecidos em vias públicas tinha o nome de cruising, e era uma prática mais restrita a homens gays, bissexuais ou héteros que se relacionam com homens. A grande diferença entre o cruising (que ainda é praticado) e o dogging é que a segunda nomenclatura abarca pessoas heterossexuais, à medida que esse público foi se tornando mais adepto.

Não há um consenso de onde foi que esse termo surgiu. Mas há duas hipóteses: a primeira é ligada aos cachorros, quando decidem fazer sexo livremente pelas ruas, sem parecerem se importar se há plateia ao redor; a segunda, por outro lado, é relacionada aos donos de cães que os levam para passear à noite, e acabam se tornando os voyeurs das práticas entre cachorros.

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Como identificar praticantes de dogging

O mais comum é que os encontros de dogging aconteçam em horários alternativos, preferencialmente na madrugada, justamente para garantir a privacidade de todos os praticantes. O mais comum é que se aproveite a janela das 22h às 6h da manhã.

Existem alguns códigos que podem ajudar a identificar não só quem são os praticantes, mas também qual é o limite até onde cada pessoa está interessada em ir. Se as luzes de dentro do carro estiverem acesas, significa que as pessoas ao redor podem assistir ao casal fazer sexo.

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Caso as janelas estejam abaixadas, significa que pessoas que estão ao redor do carro podem se aproximar e participar com as mãos, passando-as pelos corpos das pessoas que estão participando. Vale acariciar, apertar ou mesmo inserir os dedos – o único limite é o consentimento da pessoa que está sendo tocada.

Agora, se as portas estiverem abertas, significa que todas as pessoas que estão presentes podem interagir e participar da transa. Não necessariamente a prática precisa acontecer dentro do carro: neste caso, a pessoa ou o casal podem sair e fazer sexo ao ar livre – seja interagindo com o veículo, como deitando no capô ou apoiando do lado de fora, ou não.

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O que faz do dogging uma prática sexual excitante

A este ponto, você deve estar se perguntando: qual é a tara por trás do dogging? Além da possibilidade de se relacionar com mais de uma pessoa – uma fantasia sexual muito comum no Brasil e no mundo –, o que pessoas adeptas afirmam é que o DNA transgressor é a parte mais excitante.

Nesta reportagem feita sobre dogging por Marie Claire em 2018, uma praticante, identificada como Silvia, definiu desta forma: “Transar com desconhecidos ao ar livre e pessoas assistindo é maravilhoso! O que mais me excita é o fato de estar com quem não conheço no meio da rua, nua e sendo desejada por vários homens. A mulher é sempre poderosa no dogging.”

O dogging vai contra um modelo preconcebido e socialmente esperado sobre o sexo e o casamento, que são calcados em valores monogâmicos, conservadores, com um quê de cláusulas contratuais. O fator exibicionismo e voyeurismo também entra nessa soma: para quem curte esses dois fetiches, o dogging é um prato cheio.

Tanto o ato de assistir quanto se sentir assistido transando em público, algo que é proibido no Brasil, atrai pelo quê de proibido (pelo envolvimento de mais de uma pessoa) quanto pelos riscos. Afinal, por aqui, o Artigo 233 Código Penal proíbe o sexo em local público. Quem for pego praticando pode ser condenado a três meses a um ano de prisão ou multa.

Mas isso não impede tanto o surgimento de adeptos como de pontos de encontro de pessoas praticantes de dogging. A organização, assim como de qualquer outro fetiche, acontece de maneira discreta, em fóruns na internet e grupos nas redes sociais. Neles, é possível encontrar endereços onde a brincadeira acontece.

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Quero experimentar o dogging. Quais são as regras?

De acordo com as regras descritas em fóruns e grupos de redes sociais, as diretrizes estão ligadas à segurança e ao consentimento de todas as pessoas que decidirem se envolver.

Primeiro de tudo, é importante que a higiene pessoal esteja em dia. Quem quiser se jogar no dogging precisa estar limpo e apresentável. O uso de preservativo é obrigatório em todos os momentos. Todos os limites devem ser respeitados: se qualquer pessoa disser não, a prática precisa ser interrompida.

Outras regras básicas estão relacionadas ao sexo em si. Se não for convidado para a brincadeira, não se aproxime. Se estiver assistindo, nada de orientar ou fazer pedidos às pessoas que estão se exibindo. Quem for voyeur, aliás, precisa ter respeito a todo momento: insultos, palavras depreciativas e xingamentos não podem ser ditos.

Por fim, bolsas devem permanecer guardadas, e não é permitido filmar nem fotografar. Por isso, celulares e câmeras devem ficar guardados no porta-luvas.

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