Quer um relacionamento liberal, mas não sabe como propor? Mulheres adeptas contam como deram primeiro passo: ‘Vivemos abertamente nossos desejos’
Como falar no assunto pela primeira vez? O que esperar da primeira vez numa casa de swing? Marie Claire tira essas e outras dúvidas com mulheres que vivem relacionamentos abertos
Para muitas mulheres, entrar no universo liberal pode significar uma tentativa de explorar novos fetiches e formas de se relacionar, enquanto para outras pode ser uma forma de se reconectar com o próprio desejo. Mas pode ser muito difícil dar o primeiro passo, principalmente se você nunca conversou sobre isso com sua parceria. Fica a pergunta no ar: como começar?
É normal que, junto do desejo de explorar uma relação liberal, venha uma certa insegurança sobre como abordar o assunto e o que esperar das relações. Para te ajudar a dar o primeiro passo, Marie Claire conversou com mulheres que já percorreram esse caminho e toparam compartilhar suas experiências. Elas ainda dão dicas de como iniciar no meio liberal de forma tranquila e prazerosa.
A psicanalista Camila Voluptas, 41 anos, encontrou no meio liberal uma oportunidade de se descobrir sexualmente após viver um relacionamento extremamente conservador. “Mesmo amando muito meu atual marido, que sou casada há sete anos, não conseguia sentir prazer no sexo. Explorar as relações liberais me ajudou muito nesse sentido”, conta.
Juntos, já tiveram um passado mais religioso. Mas Camila não enfrentou problemas ao propor seus desejos. Depois de muita conversa, descobriram que ambos tinham desejos bissexuais que gostariam de explorar. “Ele foi muito parceiro, deixou claro que queria viver as experiências comigo. Aí veio a ideia de fazer um ménage com uma mulher, depois com um homem. Conhecemos o meio liberal e, a partir daí, começamos a viver abertamente nossos desejos”, comenta.
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O meio liberal entrou na vida de Krissia Figueiredo, 32 anos, pelo marido, com quem está casada há 12 anos. As experiências com outras pessoas começaram cedo, logo no primeiro ano de namoro.“Quando meu marido se descobriu um cuckold [fetiche que consiste em ter prazer ao ver a mulher transando com outras pessoas], combinamos que eu poderia sair com outros caras sozinha antes de irmos num date junto”, lembra.
Nos primeiros dates, preferiu não contar que tinha namorado — ela morava em uma cidade pequena e tinha medo de julgamentos. “Mas assim que eu chegava em casa, mandava mensagem para o meu namorado e contava tudo que aconteceu no encontro. Ele adorava ouvir”, diz Krissia.
Ela lembra que no começo era muito tímida e não se permitia viver muitas coisas por vergonha. “Meu conselho para as mulheres que querem entrar no meio liberal é se permitir, viver seus desejos e não ter medo de experimentar”, ressalta.
Dicas para começar um relacionamento liberal
Converse com sua parceria sobre seus desejos
O diálogo é a base de tudo para começar a explorar qualquer novidade no relacionamento. É importante criar um caminho e um clima para facilitar a conversa. “Se vocês já têm costume de conversar sobre qualquer tipo de assunto e se permitem muito entre quatro paredes, já é meio caminho andado. Quando você decidir expor sua vontade de ir numa casa de swing ou experimentar um ménage, isso não deve ser um problema — e sim mais uma oportunidade de descoberta a dois”, aconselha Krissia.
Camila, que trabalha como terapeuta de casais, costuma discutir em consultório a importância de expressar os próprios desejos. Para ajudar a destravar isso, sugere começar com algumas brincadeiras mais apimentadas no sexo. “Para a mulher que tem vontade de fazer um ménage com outro homem, vale simular uma dupla estimulação com um sex toy. Enquanto você faz um oral nele, você se penetra com o brinquedo, por exemplo”, incentiva.
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A ideia aqui é aproveitar o momento para depois conversar e relembrar o que fizeram. Por exemplo: “Lembra daquele dia? Imagina se a gente fizesse aquilo com mais uma pessoa. O que você acha?” Depois, vale sondar as reações.
Uma outra opção é começar a conversa perguntando sobre os desejos da outra pessoa. Isso abre um espaço saudável para os dois compartilharem suas vontades.
Não faça só para agradar sua parceria
Se no seu caso a ideia vier da sua parceria, como aconteceu com Krissia, entenda que você não precisa fazer nada que não queira só para agradar ou manter o relacionamento. A vontade deve vir de você, independentemente da influência externa.
Quando for a hora de se abrir sobre desejos, ninguém precisa concordar em tudo. Se houver discordâncias, parem e conversem para entrar num consenso. Reflita sobre os limites e até onde se sente à vontade para ir.
“Todo mundo tem que debater, falar sobre coisas que não gosta, medo, insegurança, ciúme… São sentimentos humanos que fazem parte dessa construção”, afirma Camila. O conselho de Krissia é fazer tudo no seu tempo e pesquisar muito para se acostumar com a ideia de começar.
Defina os limites, inclusive com as pessoas de fora do relacionamento
Ponto muito importante para todos os tipos de relacionamentos, liberais ou não. É uma continuação que reforça a dica anterior. “Quando vamos sair com alguém, procuramos deixar bem claro do que a gente gosta e espera da pessoa. Gosto de chamar meu marido para chupar o cara junto comigo, por exemplo. Então, sempre pergunto para entender os limites do cara para não ficar um climão na hora. Seja transparente que vai dar tudo certo”, orienta Krissia.
Como começar a se relacionar no meio liberal?
Se você nunca teve nenhum mínimo contato com o universo dos relacionamentos liberais, pode ser bom começar a conhecer pessoas que já têm um pouco mais de vivência. Isso vai fazer com que fique mais confortável começar a explorar. Uma dica em comum das duas mulheres foi recorrer aos aplicativos de relacionamento direcionados especialmente ao público liberal.
“Nesses aplicativos você pode criar um perfil anônimo ou mostrar o rosto, caso se sinta à vontade. É possível selecionar as pessoas que vão chegar até você para que estejam todos na mesma página”, explica Krissia.
Depois que conhecer algumas pessoas que já tenham experiência, Camila aconselha marcar uma balada liberal para se conhecerem melhor — existem opções para todos os gostos: casais sáficos, gays, héteros, bi, festas mistas e várias outras.
Também pode ser uma boa ideia conhecer novas pessoas por lá. “O primeiro passo pode ser escolher alguma festa que se identifique mais. Aproveite para espiar, entender seus sentimentos com o ambiente. Assim você vai se integrando na comunidade e, aos poucos, a ideia fica menos assustadora e mais prazerosa”, indica.
Krissia também indica, principalmente para mulheres solteiras interessadas em se relacionar com casais, frequentar festas na piscina — que costumam acontecer bastante no meio liberal por ser um ambiente mais descontraído do que as casas de shows e baladas, além de mais convidativo para conhecer outras pessoas.
O que esperar da primeira visita a uma casa de swing?
No meio liberal, frequentar casas de swing é bem comum. São espaços seguros para quem deseja explorar a sexualidade de forma livre, seja em casal ou individualmente.
Camila é fundadora da Volupta Society, tem uma sociedade privativa de swing criada com o objetivo de oferecer um ambiente ainda mais seguro — especialmente para as mulheres — e desconstruir a imagem estereotipada que a sociedade costuma ter sobre essa forma de se relacionar. “As pessoas acham que vão se deparar com sexo sem limites. Quando você chega lá, vê exatamente o contrário. Ninguém vai te tocar, a não ser que permita”, destaca.
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Krissia recomenda esquecer a pressão de ter que fazer alguma coisa na primeira vez, focar em se sentir poderosa e se divertir. “Coloque sua roupa mais ousada, que faça você se sentir bem sexy, e vá na expectativa de conhecer coisas novas. Se pintar a vontade de participar, vá em frente. Mas não precisa ser uma regra.”
Não ter pressa e ir aos poucos é o principal conselho dado pelas duas para ter a melhor experiência, seja numa casa de swing ou em outro ambiente.“É normal querer viver tudo de uma vez, mas é muito melhor quando a gente planeja e constrói esse momento para curtir da melhor forma”, finaliza Camila.