Mulheres narram aventuras e delícias em fetiche por pés: 'Recebi R$ 1.600 de um homem só para deixá-lo me ver descalça’

Não são só os homens que se interessam em comprar packs do pézinho e afins. As mulheres também têm vez como adeptas da podolatria. Para Marie Claire, três delas contam como se descobriram fetichistas de pés, o que mais as atrai e o preconceito que viveram: ‘Já me chamaram de louca e nojenta’

Por
Isadora Marques
, em colaboração para Marie Claire — São Paulo (SP)


Entenda mais sobre a podolatria e como as mulheres gostam de explorar esse fetiche Reprodução/Unsplash

Joana*, 34 anos, soube da existência do fetiche por pés quando tinha 12 anos. Participava de uma comunidade do Orkut com o nome “Eu calço 43” — na época, o tamanho de seus pés. “Recebia várias mensagens de homens interessados pelos meus pés, mas como era pré-adolescente, me causava muita repulsa no início”, lembra. Foi só quando iniciou sua vida sexual que descobriu seu encanto pela podolatria. “Estávamos no meio do sexo, bem empolgados, quando o cara começou lamber o dedão do meu pé. Achei aquilo diferente, mas me despertou um tesão indescritível.”

Joana entendeu que gostava não só de sentir estímulos nos pés, mas também sentia prazer em estimular os de outras pessoas. “Não sou uma tarada compulsiva, mas sempre que vejo um homem descalço ou de chinelos, costumo observar se é bem cuidado, analiso a curvatura… Me atrai bastante”, revela.

O que é podolatria?

A podolatria consiste na atração sexual por pés; ou seja, gostar de beijar, cheirar, lamber, morder ou só observar. O fetiche pode ser explorado tanto em contextos mais íntimos quanto em dinâmicas de dominação e submissão. Culturalmente, a adoração por pés é mais relacionada ao imaginário masculino. Mas há mulheres que também são adeptas do fetiche.

A administradora Renata Pereira, 41 anos, conta que percebeu sua atração por pés e mãos em seus relacionamentos, mas por um bom tempo reprimiu o que sentia. “Amadureci e entendi que, na verdade, eu realmente gostava de pés. Quando conheci meu marido, me apaixonei pelos pés dele. Fico excitada só de olhar. A primeira vez que a gente transou senti uma vontade imensa de fazer um ‘boquete’ no pé dele”, conta.

Ela diz que, apesar de já se sentir imersa no fetiche há bastante tempo, se sente pouco representada quando escuta falar sobre podolatria. “Nunca vejo ninguém falar de mulheres que gostam de pés masculinos. Parece que o mundo só gira em torno do que é mostrado pela pornografia. Não enxergam outras experiências”, reflete. Por conta disso, prefere viver seu fetiche somente entre ela e o marido. “Já me chamaram de louca e de nojenta só por dizer que sinto tesão por pés, por exemplo.”

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Como as mulheres exploram fetiche por pés?

Para os amantes da podolatria, existem várias formas de adorar os pés. Algumas pessoas preferem unhas grandes (até encravadas), pés grandes ou pequenos, muita sujeira ou pés limpinhos. No caso de Joana e Renata, para despertar o tesão delas, os pés precisam estar bem cuidados — o que, dizem, é um pouco mais difícil de encontrar por preferirem pés masculinos.

“Gosto de pés grandes, hidratados e com as unhas lixadas. Desejo que o homem seja mais vaidoso nesse sentido. Apesar disso, prefiro quando são pés mais brutos e estão com cheiro natural de pé. Mas sem chulé, isso não é comigo”, descreve Joana. Tanto que, por vezes, ficou magnetizada pelos pés de um homem que não tinha nenhuma atração. “É complicado. Como eu ia chegar nele e dizer: ‘Moço, quero lamber seu pé, mas só isso, tá?’”.

O prazer para ela está em chupar, lamber, esfregar o rosto e as partes íntimas nos pés dos caras. “Uma vez fiz um deles gozar enquanto eu chupava os pés dele e o estimulava com os meus seios. Gozei junto. Foi insano”, ela lembra.

Para Renata, o cenário mais irresistível é ver o marido descalço assistindo TV. “Não resisto, corro para beijar e morder”, declara. “Também curto muito cuidar,passar cremes, cortar as unhas. Mas, atualmente, meu maior desejo é pintar as unhas dos pés dele, só que ainda não rolou.”

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A podolatria dentro do BDSM

A dominatrix Elisângela Macedo, conhecida como Divine Lohan, faz sessões de podolatria dentro do BDSM — Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

Joana curte inverter os papéis e fazer uma linha mais dominadora do fetiche. Ela já trabalhou como domme por um tempo e adora ter submissos aos seus pés — literalmente. “Inclusive, já cheguei a gozar com um submisso somente beijando, lambendo e chupando meus pés e tornozelos”, lembra.

Esse também é o caso da dominatrix Elisângela Macedo, 34 anos — que também é conhecida como Divine Lohan. Ela se atrai em ser objeto do fetiche enquanto domina a dinâmica. “Embora meu contato com a podolatria seja majoritariamente profissional, acontece de me envolver com pessoas adeptas do fetiche nas minhas relações pessoais também”, diz. Ela considera uma preliminar maravilhosa, já que os pés podem ser uma zona erógena muito sensível e são capazes de excitar muito quem curte esse tipo de estímulo.

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Durante as sessões, ela performa outros fetiches também envolvidos com a podolatria. “Faço o trampling, que é a prática de pisar em cima das pessoas, e o jumping, em que fico um bom tempo pulando no abdômen da pessoa. Ver a reação dela me deixa louca também”, descreve.

Além de sessões presenciais com os submissos, também também tem uma página no Instagram só de conteúdos relacionados aos seus pés. “Faço vídeos esmagando bolo e doces. Mostro cenas de adoração de pés pública ou em que recebo uma massagem. Estes, inclusive, são os que têm mais engajamento”, afirma.

No dia a dia, Elisângela mantém uma rotina de cuidados para deixá-los visualmente mais atrativos para os admiradores. “Procuro deixá-los bem macios para atender o público que curte o pé mais lisinho, bem cuidado. Faço esfoliação, hidrato bastante”, detalha.

Já as unhas, que considera acessórios, variam de tamanho. “Me sinto mais dominante quando elas ficam maiores e mais delicada e angelical quando estão cortadas.” Para a dominatrix o pedido mais inusitado que já recebeu foi de um cara que pagou US$ 300 (R$ 1.646,37, na conversão atual), mas não queria tocar os pés. Só olhar. “Ele ficava ajoelhado na beirada da cama, apenas observando e cheirando, enquanto se masturbava. Foi uma experiência bem diferente.”

*O nome foi alterado a pedido da personagem para preservar sua identidade.

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