Você sabe o que é peegasm? Saiba porque essa sensação de prazer não é saudável

O alívio pode até parecer prazeroso em um nível sexual, mas especialistas explicam que não deve ser provocado de propósito

Por
Isadora Marques
, em colaboração para Marie Claire — São Paulo (SP)


Segurar o xixi por muito tempo pode gerar uma sensação intensa — mas também riscos à saúde Reprodução/Pexels

Você já ficou muito tempo sem fazer xixi que, quando finalmente conseguiu ir ao banheiro, sentiu um alívio intenso, acompanhado de arrepios e até uma leve sensação de prazer? Essa reação tem nome e é conhecida como peegasm — termo usado por algumas mulheres ao redor do mundo. “Pee” significa urina, em inglês, e “gasm” vem de orgasmo. Mas apesar de envolver uma sensação real de prazer, especialistas alertam para os riscos de segurar o xixi por muito tempo.

Em alguns casos, pode acontecer de forma involuntária, quando a bexiga está muito cheia. Mas há também quem pratique isso de propósito, segurando a urina para provocar um prazer semelhante ao do orgasmo no momento de urinar.

O conceito do peegasm ganhou força em 2018, quando usuárias do Reddit começaram a relatar essa sensação e até criar discussões sobre o tema. Hoje, no TikTok, é possível encontrar vídeos de mulheres comentando que já sentiram um “mini orgasmo” ao urinar depois de segurar demais.

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Apesar de despertar a curiosidade, essa prática levanta alerta entre profissionais da saúde. Conversamos com uma fisioterapeuta pélvica e uma urologista para entender melhor por que isso acontece e quais são os reais riscos de realizá-la.

Por que pessoas com vulva têm uma sensação de orgasmo ao segurar o xixi?

Segundo a urologista Maria Claudia Bicudo, diretora de comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia de SP, é possível sentir uma sensação parecida com um orgasmo ao segurar o xixi porque as regiões envolvidas nesse processo — como a bexiga, a uretra e o clitóris — ficam muito próximas e compartilham terminações nervosas.

“A vontade de urinar é transmitida ao cérebro por nervos pélvicos, da mesma forma que a contração dos músculos pélvicos no momento do orgasmo”, aponta.

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Em outras palavras, quando a bexiga está muito cheia, os músculos da região pélvica se contraem para o xixi não sair, o que pode gerar um estímulo involuntário nessas terminações nervosas. O prazer não vem da urina em si, mas é sobre a forma com que o corpo reage à ação de relaxamento.

“Todo esse processo é ativado pela liberação de neurotransmissores, entre eles a dopamina, que causa a sensação de prazer, quando urinamos e o relaxamento da musculatura pélvica. Daí que vem a sensação de alívio, que é confundida com um clímax sexual”, explica Bicudo.

A fisioterapeuta pélvica e sexóloga Débora Pádua, explica que apesar do que o nome sugere, o peegasm não deve ser considerado um tipo de orgasmo. “Quando a mulher tem um, ela passa por uma série de alterações, como contrações rítmicas no canal vaginal, contrações uterinas e relaxamento da musculatura, mas isso não necessariamente ocorre por ela relaxar após segurar o xixi por muito tempo.”

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Pádua reforça a explicação de Bicudo ao dizer que o cérebro entende como uma sensação de alívio e confunde com o prazer, só que não quer dizer que ocorreu um orgasmo.

Quais são os riscos de adotar o peegasm?

As especialistas são unânimes: não é recomendado segurar o xixi com o propósito de sentir prazer. A prática, se feita com frequência, pode comprometer seu funcionamento e causar incontinência urinária, além de outros problemas. Esse alerta é válido tanto para quem adere à ela, quanto para quem tem costume de segurar por muito tempo por outros fatores.

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“A distensão da bexiga acontece ocasionalmente por necessidade, mas se isso se repetir, podem ocorrer infecções [urinárias] de repetição, hiperextensão da bexiga e hipersensibilidade, pois fica aquela sensação de que ainda tem mais urina para sair do que deveria”, explica Pádua.

O ideal é fazer xixi sempre que tiver necessidade e, se estiver com vontade de gozar, optar pela masturbação com os dedos ou pelo bom e velho vibrador que vai ser saudável e mais efetivo.

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