Clitóris: mapeamento 3D revela que órgão sexual é mais amplo, complexo e ramificado do que se imaginava

Novas descobertas científicas sobre o clitóris indicam que o prazer vindo do órgão pode ser ainda mais complexo

Por
Isadora Marques
, em colaboração para Marie Claire — São Paulo (SP)


Pela primeira vez cientistas mapearam a rede de nervos do clitóris Reprodução/Unsplash

Que o clitóris é o órgão que concentra o maior número de terminações nervosas do corpo humano, isso não é mais novidade para ninguém. Só que um novo estudo mostra que ele é ainda mais complexo do que se sabia.

As descobertas foram realizadas por cientistas que mapearam em 3D a rede de nervos do clitóris. O estudo publicado no final de março e conduzido por pesquisadores de instituições europeias, joga luz sobre um dos órgãos historicamente negligenciados pela ciência, e reforça sua importância para o prazer. As descobertas podem contribuir para garantir às mulheres mais informações sobre o próprio corpo. Agora, se sabe que a anatomia do clitóris é mais ampla e mais ramificada do que apontavam estudos anteriores.

A rede de nervos do clitóris é muito mais ampla

A partir das imagens 3D, os pesquisadores descobriram que os nervos do clitóris se organizam em uma estrutura ramificada, semelhante a galhos de uma árvore. São cinco conjuntos principais de nervos que se estendem para diferentes regiões da vulva que vão além da glande, e podem alcançar o monte público (área acima da vulva onde ficam os pelos), o capuz do clitóris (pele que cobre a glande do clitóris) e parte dos lábios da vulva.

Esse entendimento mais amplo pode ajudar a explicar por que existem tantas variações na sensibilidade e no prazer. A descoberta ajuda a explicar porque, por exemplo, algumas pessoas respondem melhor aos estímulos direcionados no clitóris, enquanto outras preferem estímulos mais distribuídos na região.

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Parte do que se sabia sobre a anatomia do clitóris pode ser revisado

Durante anos, acreditava-se que o principal nervo dorsal do clitóris perdia força à medida que se aproximava da glande. Mas as novas imagens revelaram que ele permanece robusto e ativo até o final. Esse tipo de informação corrige um ponto importante da anatomia e contribui para uma compreensão mais precisa sobre o funcionamento do clitóris. Além disso, essa evidência expõe o quanto a lacuna histórica no estudo do órgão ainda impacta o conhecimento científico atual.

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O impacto vai além do prazer

O novo mapeamento não só expande o conhecimento sobre o prazer, mas também pode contribuir para aprimorar práticas médicas. Com uma visão mais detalhada da rede de nervos do clitóris, a tendência é que procedimentos como cirurgias pélvicas, tratamentos de câncer vulvar e até labioplastias consigam preservar a sensibilidade e a função sexual.

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Esse impacto pode ainda ser mais significativo nos casos de reconstrução após mutilação genital feminina. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 230 milhões de pessoas foram submetidas a esse tipo de mutilação. Estudos anteriores indicam que os resultados das cirurgias vaginais reconstrutivas podem trazer alguns prejuízos: uma pesquisa de 2017 apontou que cerca de 22% das pacientes relataram diminuição na capacidade de atingir o orgasmo depois de operadas — um cenário que pode ser melhorado com um conhecimento mais detalhado da anatomia e extensão dos nervos.

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