O que é consentimento entusiasmado? Conheça formas de sacar se a pessoa está realmente a fim
O consentimento entusiasmado propõe um “sim” claro — e visível — nas relações sexuais. Saiba como detectar se seu parceiro está realmente a fim
Já está consolidado que, para qualquer prática envolvendo sexo, precisamos de consentimento total das partes envolvidas, certo? Quando falamos “qualquer coisa”, é tudo mesmo: do toque às palavras, dos fetiches às posições, passando por cada questão que envolve intimidade. Mas o que nem sempre fica claro é que o consentimento pode ser confirmado de várias formas. Uma delas é o chamado consentimento entusiasmado.
Se você entende que o consentimento não é apenas a “ausência de não”, mas também a “presença de um sim”, você já está a meio caminho andado de entender o conceito. A ideia é focar no “sim”, uma forma de questionar interpretações ambíguas que podem surgir e também para reforçar a ideia de que o consentimento não deve ser presumido, ele tem que ser percebido sem outra interpretação possível.
O que é consentimento entusiasmado?
É um “sim” que não deixa dúvidas. O consentimento entusiasmado é nada mais do que a presença ativa da vontade, quando a parceria demonstra, de forma clara, que quer participar daquela dinâmica sexual.
Na prática, esse “sim” pode vir de vários jeitos: com palavras diretas como “quero muito isso”, “sim”, no engajamento mútuo e até mesmo em gestos, como o balançar de cabeça, gestos positivos com as mãos e até quando o parceiro toma a iniciativa. O ponto principal é que o desejo precisa ser visível ou falado em voz alta.
Essa atitude serve não só para comunicar os seus desejos como também para evitar que a outra pessoa precise interpretar tudo nas entrelinhas. Ela também evita que um ultrapasse os limites do outro. Se você tem dúvidas e o “sim” não veio claramente, interrompa imediatamente.
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Como identificar um “sim” entusiasmado na prática?
Segundo a sexóloga Marina Rotty, na hora de identificar esse entusiasmo, o que importa é como a pessoa se expressa como um todo. “O corpo responde ‘sim’ com um sorriso largo, a entonação de voz entusiasmada. O corpo vibra junto”, diz.
Por outro lado, quando a pessoa só está “indo no fluxo” e não está tão a fim assim, os sinais tendem a ser mais ambíguos. Sabe aquela máxima de que se parece um “talvez”, na verdade é um “não”? É bem por aí.. Mesmo que exista um “sim” verbal, a falta de convicção pode ficar visível no comportamento — na hesitação, no tom de voz, na ausência de envolvimento ou numa postura mais passiva.
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“Geralmente um ‘sim' entusiasmado vem com um complemento, como ‘sim, eu quero’ ou ‘sim, vamos logo”, explica Rotty. Esse tipo de resposta não só confirma a vontade que a pessoa sente, como elimina as dúvidas que um “sim” neutro pode gerar.
Para ilustrar, Rotty recorre a exemplos do dia a dia: como quando alguém pergunta se pode postar uma foto em grupo e nem todo mundo reage com a mesma empolgação — nesse caso, o melhor é não postar. “Ou em em pedidos de casamento, em que é fácil perceber quando o “sim” vem acompanhado de alegria genuína com pulos, lágrimas e felicidade, ou quando parece só uma resposta para não passar vergonha”, exemplifica.
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Como praticar o consentimento entusiasmado?
Se a ideia é sair do automático e ir além do “tanto faz”, é preciso em primeiro lugar reconhecer o seu próprio desejo. Entender o que você quer, o que você gosta e o que você faz só para agradar ao outro.
Sabemos que dentro de uma relação é natural querer fazer um agrado e se abrir para experiências sexuais novas — mas, mesmo nesses casos, é importante ter certeza de que a vontade é real. Esse é o primeiro passo para conseguir comunicar com clareza.
Vale trocar respostas vagas por afirmações mais diretas. Apostar em “eu quero”, “estou com vontade”, “vamos”, “tô muito a fim” ou até guiar a situação com atitudes e iniciativa, não só nas palavras.
Essa comunicação não precisa ser algo engessado ou “formal”. Pode ser natural da forma que você se sentir mais à vontade. Também envolve se sentir confortável para dizer “não” ou mudar de ideia no meio do caminho sem precisar se justificar demais. Um bom indicativo de que o consentimento entusiasmado é bem aplicado é quando existe liberdade para recusar sem dramas.
No fim, deixar claro que você está a fim não só evita mal-entendidos como torna a experiência mais segura e bem mais prazerosa para todo mundo.
Quando o consentimento pode ser mal interpretado
Um dos cenários mais comuns que podem acontecer durante o sexo, é quando o tesão de uma das pessoas fala mais alto do que a capacidade de ler os sinais da outra. “Quando a parceria quer muito testar uma posição diferente e, diante de um ‘sim’ neutro, vai em frente mesmo assim”, explica Rotty.
Nesses casos, o problema não é apenas a resposta em si, mas ignorar a dúvida ou insegurança do outro. A falta de entusiasmo já deveria ser lida como um alerta.
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Mas pode ter pessoas que digam que falar sobre consentimento quebra o clima e tira a espontâneidade do sexo. Para a especialista, essa ideia precisa ser ressignificada. “O consentimento deve fazer parte da preliminar. Se há algo que a pessoa quer muito fazer e sabe que não é muito comum, vale perguntar antes de começar”, aconselha.
Ela também reforça que o consentimento é dinâmico: algo que parecia ok no início pode deixar de ser a qualquer momento. Apesar da importância da leitura corporal, a palavra ainda é a ferramenta mais segura. “Na dúvida, pergunte. O desconforto da pergunta é infinitamente menor do que o trauma de ultrapassar um limite”.
O que o meio liberal pode ensinar sobre consentimento entusiasmado?
Marina Rotty, que é adepta ao meio liberal há 20 anos, afirma que, nesse contextos (liberais e não-monogâmicos) existe uma abertura maior para falar sobre sexo, desejos e limites. Mas ela alerta que não é uma garantia de comunicação clara.
Ainda assim, a especialista enxerga aprendizados importantes. Um deles é tirar o sexo do campo “instinto puramente espontâneo” e levá-lo para o da intenção e do diálogo. “No meio liberal, a conversa sobre o que vai acontecer faz parte da excitação”,diz.
Em outras palavras: falar sobre o que dá prazer, o que desperta curiosidade — e também o que não funciona — antes mesmo de tirar a roupa pode aumentar o desejo e tornar o sexo ainda mais conectado. De quebra, ainda deixa o consentimento entusiasmado muito mais evidente.