Corrida vira refúgio das redes sociais e espaço de novas amizades, aponta estudo
Levantamento da Heineken em parceria com a Box1824 aponta que corredores associam o esporte à autonomia pessoal, novas amizades e desconexão digital — embora aplicativos ainda influenciem a prática
Em um cotidiano cada vez mais mediado por notificações das redes sociais, a corrida tem ganhado um novo significado para parte dos brasileiros: o de um espaço menos atravessado pela lógica do algorítmo. Um estudo inédito realizado pela Heineken em parceria com a Box1824 aponta que 63,8% das pessoas que correm regularmente consideram a atividade seu principal momento de autonomia real — um intervalo em que o resultado depende do próprio esforço, sem interferências externas.
O levantamento também sugere que o esporte tem ocupado um papel relevante na vida social dos praticantes. Para 62,5% dos entrevistados, a corrida se tornou a principal forma de fazer novas amizades fora da influência dos algoritmos, reforçando o crescimento de grupos de corrida e encontros presenciais que têm se multiplicado nas grandes cidades.
O dado chama atenção em um momento em que a corrida vive um novo boom cultural. Nos últimos anos, o esporte passou a ocupar um espaço que vai além da atividade física: tornou-se ponto de encontro, estilo de vida e, para muitos, uma forma de desacelerar em meio ao excesso de estímulos digitais.
Isso não significa, porém, que a prática esteja completamente livre da lógica da performance. Segundo o estudo, 26,4% afirmam que a corrida ainda funciona como um respiro, mas já percebem a atividade cada vez mais monitorada por aplicativos e métricas. Outros 9,8% dizem enxergar o exercício exclusivamente como mais uma tarefa a ser otimizada.
Os impactos de momentos longe das telas também aparecem na pesquisa. Entre os entrevistados, 44,8% afirmam sentir a mente mais limpa e maior presença no momento após períodos desconectados, enquanto 40% relatam mais energia para realizar outras tarefas.
“Quando tudo ao redor é guiado por recomendações, momentos como a corrida passam a ter um valor diferente. É um espaço em que as pessoas retomam o controle e se conectam de forma mais genuína”, afirma Igor de Castro Oliveira, diretor de marketing do Grupo Heineken Brasil.
Para Francisco Formagio, estrategista criativo e pesquisador de comportamento da Box1824, a dificuldade de se desconectar revela um comportamento mais profundo. “A gente já internalizou a lógica da conexão constante. Mesmo quando isso se afasta, corpo e mente ainda respondem como se estivessem perdendo alguma coisa”, diz.
Entre relógios inteligentes, aplicativos de performance e o desejo crescente por experiências mais presenciais, a corrida parece refletir uma contradição contemporânea: ao mesmo tempo em que incorpora tecnologia, também surge como uma tentativa de escapar dela.









