Depilação a laser: 'Parecia que tinham feito marcas na minha pele com acendedor de cigarro'
A depilação a laser evoluiu muito nos últimos anos, mas ela ainda é considerada um procedimento delicado. Conheça os riscos e saiba como tratar uma pele queimada
Por Redação Marie Claire
Bárbara Regis, 34 anos, sentiu um cheiro de queimado bem forte e uma dor fora do comum durante a aplicação do laser na sua perna esquerda. Ao sinalizar para a profissional o que estava sentindo, ouviu que o incômodo era porque a região estava com mais pelos e mais sensível. Mais tarde, ela veio a descobrir que, na verdade, havia sido queimada.
Era setembro quando Bárbara veio da Inglaterra para o Brasil para realizar os procedimentos estéticos que costuma fazer, como a depilação a laser. Só que a head de marketing acabou tendo uma experiência traumática dessa vez: ela sofreu queimaduras na perna esquerda ao passar pelo procedimento em uma clínica localizada na zona sul de São Paulo. Ela está processando o local por danos morais.
Bárbara utilizou o método pela primeira vez em 2021. Ao ter uma experiência positiva ao realizar o procedimento na virilha e na axila, ela decidiu fazê-lo na perna no ano seguinte. Se as duas primeiras sessões foram tranquilas, a terceira foi o início de um pesadelo. A head de marketing relata que o procedimento da perna direita ocorreu normalmente, sem nenhum incômodo. O problema começou quando a profissional iniciou o procedimento na esquerda.
“Logo que ela começou, eu senti uma fisgada. Depois do terceiro disparo, eu entendi que o laser parecia mais forte e estava me machucando mais do que o normal”, lembra. Bárbara questionou a profissional se a intensidade da máquina havia sido mudada, ela afirmou que não e continuou o procedimento.
A primeira justificativa que a profissional deu para Bárbar do porquê ela está com dor era de que sua pele da perna esquerda estava mais sensível, mas logo passaria. “Só que eu comecei a sentir um cheiro de queimado bem forte e continuava doendo”, conta. Ao questionar novamente o porquê disso estar acontecendo, ouviu que sua perna esquerda estava com mais pelos do a outra. Isso não fez sentido para ela porque, seguindo as orientações da clínica, ela havia realizado a depilação com lâmina de barbear dois dias antes do procedimento a laser.
Foi nesse momento que Bárbara percebeu que podia estar sendo queimada e pediu para encerrar a sessão. A profissional sugeriu diminuir a intensidade do laser e, então, terminou a parte de trás da perna sem machucá-la.
No fim da sessão, a parte da frente da perna esquerda de Bárbara estava vermelha e, até então, a profissional e a gerente da clínica disseram que a reação estava dentro do esperado. Bárbara saiu da clínica e começou a sentir dor no local toda vez que a calça encostava na pele. A sensação era como se ela estivesse com uma queimadura de sol.
“Quando eu levantei a calça, o salão parou. Parecia que alguém tinha pegado acendedor de cigarro, de carro antigo, e feito marcas na minha pele”, relata. Foi nesse momento que Bárbara entendeu que ela realmente havia sido queimada durante a depilação.
Ao entrar em contato com a clínica sobre o ocorrido e mostrar a sua perna, Bárbara ficou espantada porque as profissionais da clínica não pareciam surpresas com a situação. Elas informaram que, embora não fosse comum, a queimadura decorrente do procedimento poderia acontecer.
O que pode ocasionar a queimadura na depilação a laser?
A dermatologista Caroline Goulart, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), explica que a queimadura na depilação à laser pode ocorrer devido a uma série de fatores. “Como a seleção inadequada da intensidade do laser para o tipo de pele, resfriamento insuficiente da região durante o procedimento, uso incorreto da máquina ou falta de experiência do profissional que está realizando o tratamento”, enumera a especialista.
A paciente que sofre com queimadura durante a depilação a laser, como Bárbara, tende a sentir dor intensa e vermelhidão persistente no local, além de inchaço, formação de crostas e/ou alterações na pigmentação da pele. É comum também o aparecimento de bolhas nesses casos.
Caroline Goulart enfatiza que a preparação da pele para receber o laser é fundamental para minimizar os riscos de reações adversas. “A mulher deve evitar exposição solar, interromper o uso de produtos esfoliantes, além de informar ao profissional sobre medicamentos e condições de pele”, exemplifica a dermatologista.
“Fui queimada durante a depilação a laser. E agora?”
O marido de Bárbara entrou em contato com uma dermatologista da família logo após saber que a esposa havia sido queimada durante a depilação a laser. A procura por esse tipo de profissional é o primeiro passo para saber o que deve ser feito para amenizar o problema.
“O tratamento pode envolver o uso de cremes cicatrizantes, anti-inflamatórios tópicos e, em casos mais severos, procedimentos como laser de baixa intensidade e até mesmo enxertos de pele para promover a recuperação e minimizar danos”, explica Caroline Goulart.
Bárbara chegou a fazer um peeling para acelerar a cicatrização, antes de retornar à Inglaterra, mas ela sente que o processo de recuperação está lento. Já se passaram mais de três meses desde o ocorrido e ela continua usando ao menos três produtos, diariamente, para tentar amenizar as marcas que ficaram.
“Se eu estivesse no Brasil, eu faria um tratamento à base de lasers e ácidos para repigmentar a pele. Mas como eu não moro aí, só consegui trazer os produtos. Tenho visto uma evolução bem lenta, quase inexistente, o que me deixa extremamente triste porque eu não sei se a minha pele vai voltar ao normal”, desabafa a head de marketing.
Bárbara conseguiu marcar uma consulta com uma dermatologista britânica apenas para o fim de janeiro de 2024. Ela decidiu procurar pela opinião de outra especialista para entender se há outro tipo de tratamento que pode ser feito no seu caso.
A head de marketing decidiu entrar com um processo por danos morais contra a clínica localizada na zona sul de São Paulo. “Eu sou uma pessoa que faz muito esporte e toda vez que vou colocar um shorts, para fazer atividade física, as pessoas olham para a minha perna e eu me sinto muito mal. Isso mexe muito comigo até hoje”, relata.
A clínica tentou fazer um acordo com Bárbara para que a ação não precisasse ser executada, mas o valor oferecido estava abaixo do que ela já gastou com o tratamento. De acordo com Bárbara, entre dermatologistas, procedimentos e medicamentos, ela já gastou ao menos R$20.000. Em contrapartida, a clínica ofereceu cerca de R$4.000 para evitar a ação judicial.









