7 tendências que estão revolucionando a perfumaria
Faz tempo que os perfumes deixaram de ser apenas itens para desodorizar ou complementar o banho. Eles expressam personalidade, estilo e, atualmente, o mercado de fragrâncias tem ido além: seus produtos têm provocado sensações que estimulam neurotransmissores e se conectam com o comportamento. Aqui, as sete maiores tendências para os narizes ávidos por novidades
Perfumes com cereja, fragrâncias de pistache e marcas de nicho: todas essas tendências estiveram em alta ao longo de 2024 e devem permanecer este ano, mas com desdobramentos e nuances a mais. Como 2025 promete mais ousadia no mundo da beleza com, por exemplo, mais espaço para estéticas subversivas, intensas e diferentes da ultranaturalidade da clean girl, as fragrâncias devem acompanhar esse movimento.
Assim, perfumes que saem do óbvio, trazem facetas inusitadas, provocam sensações e emoções profundas, tendem a se destacar entre as preferências de acordo com perfumistas. “As tendências na perfumaria nascem da própria indústria, que vai inovar em moléculas sintéticas e tecnologias para extrair matérias-primas naturais, que são capazes de trazer uma nova experiência olfativa. As multinacionais desenvolvem os ingredientes que os perfumistas vão trabalhar nas fragrâncias e, por isso, têm bastante poder em ditar suas próprias tendências”, diz Alessandra Tucci, avaliadora olfativa, consultora e fundadora da Paralela Escola Olfativa.
Emoções à flor da pele
Para 2025, temos os perfumes que vão além do cheiro e evocam emoções mais profundas. O perfumista de OU.i, Pierre Aulas, detalha. “A perfumaria tornou-se uma narrativa sensorial. Os consumidores agora querem mais que só um cheiro agradável. Precisa provocar uma emoção, como felicidade ou autoconfiança.” Inovações tecnológicas têm permitido que casas de fragrâncias como a suíça Givaudan consigam identificar as sensações provocadas pelos perfumes e, a partir disso, desenvolver produtos baseados na neurociência. “A plataforma MoodScentz+ permite que perfumistas criem composições que melhoram as emoções, abrangendo uma ampla gama de estados de espírito positivos”, conta Mauricio Cella, diretor de tecnologia da Givaudan. Ela é capaz de medir a resposta emocional, no cérebro, a um cheiro em tempo real.
1. Madeleine 862, La Pistacherie, O.U.i, R$ 349
Intensidade a mais
Se em décadas anteriores estavam no auge as fragrâncias frescas, leves e vaporosas, o cenário mudou. Temos visto, cada vez mais, a indústria de perfumes explorando intensidades maiores, com notas olfativas mais densas e até, muitas vezes, consideradas sombrias. Esse seria o caso por exemplo das resinas ambaradas, balsâmicas, dos incensos marcantes, das madeiras defumadas ou das baunilhas menos adocicadas. Além disso, muitas linhas consagradas lançaram seus perfumes em versões mais potentes, frequentemente chamadas de “intense” ou “elixir”.
2. Oud Ispahan, Dior, R$ 2.129
Borrifadas sustentáveis
A sustentabilidade é um assunto urgente e necessário, inclusive na perfumaria. “Esse tema passa pelo frasco, pela embalagem, pela tampa, e até mesmo a possibilidade de ter o refil do produto. Quando o assunto é a fragrância em si, estamos falando de moléculas sintéticas biodegradáveis. Mas devemos lembrar que um perfume natural não é, automaticamente, sustentável”, fala Alessandra. Os ingredientes sintéticos foram importantes para substituírem as matérias-primas de origem animal. Porém, por muitas serem derivadas de petróleo e não biodegradáveis, a inovação é importante para a sustentabilidade. Se você busca por esses perfumes mais ecológicos, muitas marcas têm mantido a transparência em seus sites, dizendo o percentual de ingredientes naturais usados ou a origem da embalagem, caso seja reciclável ou de fonte renovável, por exemplo.
3. Citrus Brasilis, Granado, R$ 325
O ano das madeiras sem gênero
Os perfumes amadeirados também prometem destaque em 2025. Sinal disso é o mais recente Le Labo Eucalyptus 20. “Isso responde ao que há de mais moderno na perfumaria, que é a busca por não ter definição de gênero porque as madeiras são bem aceitas pelas mulheres, que muitas vezes usam perfumes masculinos”, comenta Alessandra. As fragrâncias sem gênero vêm crescendo de fato, muito impulsionada por um comportamento da geração Z, que se preocupa mais com o sensorial do que com os rótulos. Dentro da família das madeiras, existem as mais emblemáticas, como cedro, vetiver, sândalo, patchouli.
4. Eucalyptus 2.0, Le Labo, R$ 2.165
Fragrâncias com texturas
“Os ingredientes amadeirados podem trazer um efeito macio, úmido, defumado, dependendo de como cada perfumista trabalha a fragrância. Dentro das madeiras, eu apostaria principalmente no patchouli, já muito presente em lançamentos como o AlUla, da Penhaligon’s”, exemplifica Alessandra Tucci. A modernidade aqui está na percepção mais complexa, como se os cheiros ganhassem texturas viciantes, uma vez que as madeiras são exploradas em diferentes nuances, em combinações com outras notas olfativas mais inusitadas.
5. AlUla, Penhaligon’s, R$ 2.120
Identidade e individualidade
Há uma busca por maior diversidade dentro da perfumaria, além da vontade de o consumidor ter fragrâncias que reflitam sua singularidade. “Os consumidores estão cada vez mais em busca de fragrâncias que reflitam sua individualidade, com perfumes que se tornam um reflexo genuíno de quem somos”, afirma Pierre. Isso se traduz na consolidação do sucesso de muitas marcas de nicho, que costumam ter criações mais ousadas e com produção em menor escala, o que aumenta o nível de exclusividade de um perfume. Ou seja, se você é do tipo que tem ciúmes da sua fragrância, vale buscar por opções nessas etiquetas mais autorais.
6. Sandal Affair, Felisa, R$ 620
Novos gourmands
As notas gourmands, aquelas com cheiros gustativos, vindos de comidas e sobremesas, continuarão com uma presença forte. Em especial, podemos citar o chocolate, o caramelo, a amêndoa e o pistache, como Dolce & Gabbana Devotion Intense. O destaque, no entanto, está nas nuances e combinações em que elas serão apresentadas, principalmente com especiarias ou em sensações mais “torradas”. A onda das fragrâncias gourmands é duradoura e vem se consolidando e crescendo desde Angel, de Thierry Mugler, lançado em 1992. Aqui no Brasil, um dos primeiros gourmands foi o Egeo Dolce, criado em 2007 por O Boticário. Desde então, temos visto essa família olfativa evoluir e conquistar mais amantes.
7. Devotion Intense, Dolce & Gabbana, R$ 1.299









