É possível ficar imune ao botox? O que você precisa saber sobre a resistência à toxina
Entenda como o corpo pode, ou não, deixar de responder à toxina botulínica e quais componentes entram nessa equação
Mesmo que o botox tenha se tornado praticamente o cafezinho da beleza moderna - rápido, certeiro e com um efeito que conquistou muitas amantes -, uma dúvida começa a aparecer entre quem já aplicou mais de uma vez: será que o corpo pode simplesmente parar de responder à toxina?
A resposta curta é sim, mas é muito difícil que isso aconteça - principalmente se você faz tudo direitinho e com um bom profissional ao seu lado.
Para entender o que realmente está por trás dessa história, conversamos com as dermatologistas Flávia Brasileiro e Ana Carolina Sumam.
O que é o botox?
Botox é o apelido para a toxina botulínica tipo A, uma substância que bloqueia o impulso nervoso que faz o músculo contrair. O resultado, como sabemos, é uma expressão mais suave, com rugas controladas e aquela sensação de que o tempo desacelerou só para você.
Mas o que pouca gente sabe é que o procedimento vai além da estética: “Ele ajuda a preservar o colágeno e atua com inteligência sobre a musculatura facial, inibindo os músculos que deixam a expressão mais caída”, explica Brasileiro. Ou seja, não é só um truque temporário: pode ser usado, também, como prevenção.
“Além disso, é uma ferramenta terapêutica poderosa, indicada em diversos tratamentos médicos, como rosácea, hiperidrose, espasmos musculares, alopecia androgenética, doenças neurológicas, dores crônicas…”, continua.
O corpo pode mesmo se “imunizar” contra o botox?
Pode, mas é raríssimo. “Isso acontece porque a toxina botulínica vem, em sua grande maioria, ligada à proteínas. Isso pode desencadear a formação de anticorpos contra o complexo proteico que acompanha o botox”, conta Sumam.
Mas estamos falando de uma exceção. Se você segue um protocolo bem feito, com intervalos respeitados e aplicações bem indicadas, a chance de isso acontecer é quase nula.
Como saber se o botox continua fazendo efeito?
Caso você tenha começado a notar que precisa de doses maiores para ter o mesmo efeito, ou que a movimentação muscular voltou mais rápido que antes, pode estar rolando uma resistência parcial - quando o seu corpo começa a dar sinais de que não está mais tão responsivo à toxina. No entanto, isso, na maioria das vezes, se resolve com ajustes no protocolo de tratamento.
Frequência e resultado: tem relação?
Depende de como e com que frequência você faz. “Aplicações muito próximas umas das outras, retoques em excesso, doses altas... tudo isso pode favorecer a resistência parcial”, explica Brasileiro. E aqui entra um conceito importante e que deve ser controlado chamado “zetóxio” - a quantidade total acumulada de toxina ao longo do tempo no corpo.
Sim, existe limite para o botox. Segundo Sumam, o tempo ideal para reaplicação da toxina botulínica é de, no mínimo, três meses: “Muitos também a utilizam com finalidades terapêuticas, no tratamento de enxaqueca, estrabismo, dor muscular… E é importante que essas aplicações sejam feitas juntas, ou 'casadas'. Ou seja, não é recomendado que o paciente faça uma aplicação de botox para melhorar as rugas de expressão e, um mês depois, procure um neurologista para tratar enxaqueca com a toxina”, conta.
Agora, por outro lado, a resistência total é um fenômeno imunológico mais forte - e às vezes imprevisível. As especialistas afirmam que alguns pacientes com sistema imune muito ativo podem se “auto vacinar” contra a toxina mesmo com poucas aplicações. É raro, mas acontece.
E dá pra evitar isso?
As dermatologistas contam que sim, principalmente ao fazer boas escolhas como usar toxinas com baixa carga proteica, respeitar o intervalo de pelo menos três meses entre uma aplicação e outra e evitar retoques e doses exageradas só para “manter o efeito” a qualquer custo.
Agora, e se o corpo já desenvolveu resistência total? Aí, infelizmente, não tem muito o que fazer - a não ser recorrer à toxina botulínica tipo B, usada nos EUA e ainda indisponível no Brasil.
Embora ambas tenham o mesmo mecanismo de ação, elas são diferentes em estrutura molecular, velocidade de ação, duração do efeito e aplicações clínicas. A toxina botulínica tipo A, tem um efeito mais duradouro, enquanto o tipo B tem uma duração menor. “Infelizmente, essa alternativa, em muitos casos, não apresenta resultados tão satisfatórios e duradouros. Com isso, acaba sendo necessário reaplicar com mais frequência, o que não resolve o problema de forma eficaz”, comenta Sumam.









