Lifting atualizado: como a cirurgia plástica facial tem se modernizado
Quando o assunto é pele rejuvenescida, a resposta de ponta da medicina estética é o lifting facial. Se feito de maneira sutil e com abordagens modernas, os resultados podem ser surpreendentemente mais naturais do que as plásticas de antigamente. Aqui, contamos o que mudou nessa tecnologia, quais as vantagens e contraindicações
Hollywood segue como vitrine para os procedimentos estéticos mais inovadores. Sobretudo depois de uma temporada de premiações em que boa parte das indicadas às estatuetas tinha mais de 50 anos. Se antes algumas celebridades assumiam as rugas, enquanto outras se submetiam a plásticas que transformavam radicalmente suas feições, hoje, a realidade é outra. Os avanços tecnológicos têm redesenhado o envelhecer: a impressão é de que ninguém mais escapa das intervenções. Lindsay Lohan, de 38 anos, e Christina Aguilera, 44, impressionaram a audiência no final do ano passado, levando a especulações sobre qual seria “a substância” que teria renovado suas aparências.
Dentre tantas hipóteses, as que prevalecem é que houve um combo de intervenções, mas foram as cirurgias plásticas como o mini lifting facial e o lifting endoscópico que fizeram a diferença maior. Segundo a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, os holofotes têm se voltado aos liftings porque a harmonização facial contra a flacidez se mostrou ineficaz, modificando demais os pacientes. “Para compensar a flacidez é preciso inflar o rosto com preenchedores. A cirurgia, em contrapartida, mantém as características pessoais de forma mais natural."
Liftings para cada estado da pele
Em linhas gerais, existem hoje três modalidades de plásticas que conseguem reposicionar os tecidos faciais e são mais populares: o lifting endoscópico, o mini lifting e o lifting clássico. O que vai orientar a escolha é o nível de flacidez do rosto e de suas estruturas, muito mais do que a idade, como conta Lassance: “Não há idade ideal. O envelhecimento é individual e multifatorial, inclusive por conta da genética. Quando a aparência mostra uma idade maior que a biológica, muitas pacientes dizem notar um ar de tristeza, cansaço no rosto, que não condiz com a sua disposição. Neste momento, a cirurgia de lifting traz os tecidos à posição anterior, rejuvenescendo a face”. A médica conta, por exemplo, que já teve pacientes de cerca de 40 anos que não respondiam a tratamentos cosmiátricos como bioestimuladores de colágeno e preferiram fazer o lifting. E também já viu o oposto, pessoas acima de 60 anos que não sentiam necessidade de quase nenhuma intervenção.
Apesar dessas indicações, vale fazermos uma ressalva. Nenhum procedimento estético, cirúrgico ou não, é obrigatório ou necessário a menos que você julgue assim. É importante prezar pelo que você acredita como adequado para a forma que prefere receber a passagem do tempo. Não há certo ou errado. Lassance reforça essa perspectiva: “O momento de fazer a cirurgia é quando o paciente passa a sentir-se infeliz com sua aparência, vendo-se com aspecto cansado, triste ou com a pele ‘derretida’ e os tratamentos cosmiátricos não conseguem resolver”.
Dito isso, das modalidades mencionadas, o lifting endoscópico é o menos invasivo, deixando pequenas cicatrizes no couro cabeludo e com tempo de recuperação reduzido. Nesse processo cirúrgico, o médico usa o endoscópio e consegue visualizar por vídeo detalhes como nervos e músculos das regiões operadas. Ele é indicado para tratar o terço superior da face (testa e sobrancelhas) e médio do rosto (maçãs do rosto e bigode chinês).
O cirurgião plástico Paolo Rubez, mestre em cirurgia plástica pela Unifesp, detalha em que casos é mais recomendado. “O lifting endoscópico tem ganhado destaque. Por ser uma técnica que utiliza menos incisões e, portanto, menos cicatrizes, é indicado para pacientes mais jovens, em torno dos 40, que ainda não apresentam muito excesso de pele. No entanto, se um paciente já tem uma flacidez maior, ele não terá grandes vantagens, pois o excesso de pele precisa ser retirado.”
Sobre as diferenças entre o mini lifting e o tradicional, elas estão nas áreas do rosto que são operadas, na profundidade dos tecidos atingidos e, por consequência, nas cicatrizes. “O lifting convencional é realizado na face inteira: terço superior, terço médio, inferior (área do maxilar e queixo) e região cervical. No mini lifting não é feita a abordagem da parte superior. Ele não trata a região frontal, da testa. Então, é menos agressivo. Mas o tempo de recuperação, na verdade, é o mesmo”, explica a cirurgiã plástica Karina Gilio, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
Mesmo o mini lifting sendo menos invasivo que um lifting completo, o pós-operatório de ambos é caracterizado por inchaço e hematomas. Esforços físicos devem ser evitados nas duas semanas seguintes à operação em ambos os casos. “As cicatrizes dos liftings se iniciam na região das têmporas, dão a volta na orelha e contornam o cabelo da região. Em muitos casos é necessário também uma pequena cicatriz abaixo do queixo para tratar o pescoço e outra dentro do couro cabeludo quando se faz a elevação dos supercílios. Elas costumam ficar pouco perceptíveis com o tempo, mas dependem dos cuidados pós-operatórios e das características de cada um”, diz Rubez.
Atualizações que fazem diferença
Se a plástica facial era temida pelos resultados drásticos, tidos como artificiais, a história mudou. “O lifting antes tracionava a pele do rosto, retirando seu excesso. Isso provocava resultados muito ‘esticados’ e com cicatrizes ruins, pois tinha muita tensão. Hoje, é feito de forma mais profunda, como na musculatura. A tensão também não é exercida na pele e sim, nas estruturas abaixo, melhorando as cicatrizes”, explica Rubez.
Outra atualização é que, para rejuvenescer o rosto, pode ser preciso devolver o volume perdido. “Sabemos que parte da gordura da face é absorvida com o tempo. Conservação e reposição desse volume é um conceito novo. Antes, a cirurgia consistia mais em retirar e esticar”, diz Lassance. Para volumizar, pode ser usado a gordura ou o ácido hialurônico.
Como conciliar plásticas e procedimentos estéticos
Injetáveis e aparelhos ficaram bastante populares e até mais acessíveis. Não à toa, o Brasil é um dos países que mais contabilizam esses procedimentos no mundo, ficando no top 3 global. Botox, preenchimentos, bioestimuladores, ultrassom microfocado, radiofrequência, laser são algumas das opções nesse vasto rol. No entanto, na hora de combinar procedimentos e cirurgia, mesmo que uma coisa não impeça a outra, nem sempre há compatibilidade. “Todos são ferramentas para retardar o envelhecimento, mas podem atrapalhar a cirurgia. O preenchimento com ácido hialurônico dificulta o diagnóstico de volume real da face, além de o pós-operatório apresentar mais inchaço. Mas com o uso do ultrassom dérmico conseguimos identificar e dissolver o preenchimento antes da cirurgia, se necessário. Preenchedores como polimetilmetacrilato (PMMA) ou silicone injetável podem ser contraindicações à operação. Não há certeza do comportamento dessas substâncias com procedimentos invasivos”, alerta Lassance.
“O lifting antes tracionava a pele do rosto. Isso provocava resultados ‘esticados’ e com cicatrizes ruins” Paolo Rubez
A médica ainda fala do bioestimulador de colágeno que pode atrapalhar a plástica. Como a substância injetada sob a pele provoca uma inflamação e reação semelhante à cicatrização, isso dificulta a avaliação dos tecidos e causa maior sangramento durante a operação. Beatriz Lassance recomenda aguardar seis meses entre a aplicação do bioestimulador e a cirurgia. Já a toxina botulínica, ela diz que não interfere.
Depois da cirurgia, para voltar aos procedimentos, Gilio diz que não há restrições específicas. Porém, ela pede para as pacientes aguardarem seis meses para que a cicatrização esteja completa. “Os procedimentos podem ser feitos para ajudar na duração do resultado. Mas, em geral, o paciente não vai necessitar deles em menos de um a dois anos da cirurgia”, afirma Rubez.
Retoques
Com as plásticas acontecendo mais cedo, uma pergunta que ecoa é se os liftings poderão ser refeitos ao longo das décadas. Afinal, nossa pele é dinâmica e as areias do tempo não param. Para Rubez, em geral, um lifting facial mantém um bom resultado até cerca de dez a 15 anos.
Esperar o tempo adequado com a indicação médica é importante, como explica Gilio: “No geral, se recomenda em torno de dez anos para refazer a operação, pois é o período em que se percebe nova flacidez e que as fibroses, que são cicatrizes internas, estão mais maduras”. Porém, Beatriz Lassance salienta que a cada nova cirurgia essas fibroses são produzidas e isso sempre torna a próxima plástica mais difícil.









