Preenchimento de olheiras com gordura: conheça o procedimento promissor e com mais vantagens que o clássico ácido hialurônico
O método não some completamente com o tempo, garantindo maior duração dos resultados, e por envolver a aplicação de células-tronco, ajuda a melhorar a condição da pele
Por redação Marie Claire — de São Paulo (SP)
Nem toda olheira é igual. Existem tipos diferentes dependendo da causa dela. Por isso, algumas são mais insistentes que outras e, mesmo com horas a fio de sono, não vão embora. “É muito comum que as olheiras sejam causadas por um problema estrutural, com diminuição das bolsas de gordura sob os olhos devido à genética, envelhecimento ou processo de emagrecimento. Com isso, forma-se um sulco profundo abaixo dos olhos com um aspecto escurecido”, diz a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.
E justamente nesse caso, em que o problema é a depressão abaixo dos olhos, há um tipo de procedimento que vem chamando a atenção. Segundo um estudo publicado no começo deste ano, no periódico Aesthetic Plastic Surgery, o enxerto de gordura própria é uma estratégia eficaz para solucionar as olheiras estruturais. O estudo incluiu dados de 88 pacientes com idade média de 25 anos que realizaram o enxerto nas olheiras.
“Coletamos o material por meio de uma lipoaspiração de áreas com uma maior quantidade de volume”, explica a cirurgiã plástica. “Em seguida, essa gordura é tratada para que possa ser injetada novamente no local desejado, como nas olheiras”, acrescenta.
O uso da gordura do próprio paciente para preencher não é inédito. Mas o que se modernizou é a forma como depois de extraída, ela é tratada, gerando frações menores e com isolamento das substâncias regenerativas, como células-tronco.
No estudo mencionado, por exemplo, para o preenchimento das olheiras, foi utilizada uma técnica de injeção da chamada “micro fat” a nível profundo. Além disso, a camada superficial foi tratada com Fração Vascular Estromal. Ficou confusa com os nomes técnicos? A cirurgiã explica melhor: “A ‘micro fat’ é a gordura tratada para obtenção de partículas de um tamanho menor, que são ideais para serem usadas no preenchimento de sulcos, como aqueles abaixo dos olhos”, detalha Lassance.
“Já a Fração Vascular Estromal (FVE) é um material rico em células-tronco, obtido a partir da gordura, que pode ser utilizado superficialmente para melhorar a firmeza, a qualidade e a textura da pele. É muito similar à famosa ‘nano fat’, ou seja, partículas menores de gordura que também são utilizadas de maneira superficial com a mesma finalidade. A diferença é que a obtenção da FVE é feita por centrifugação, enquanto, para a nano fat, a gordura é tratada de maneira mecânica”, diz a médica.
Após o tratamento, os pacientes foram acompanhados por quase um ano e foram observadas melhorias significativas na aparência das olheiras sem qualquer complicação importante. Ao serem questionados sobre os resultados, 40,9% dos pacientes disseram estar muito satisfeitos, 56,8% ficaram satisfeitos e apenas 2,3% mantiveram-se neutros.
“O enxerto de gordura mostrou-se uma estratégia altamente eficaz no tratamento de olheiras estruturais, inclusive entre indivíduos jovens, com alta satisfação dos pacientes e risco mínimo de complicações”, ressalta a cirurgiã plástica.
Beatriz Lassance ainda acrescenta que, atualmente, existem outras opções, como o preenchimento de ácido hialurônico, que também pode ser utilizado para conferir volume à região de maneira eficaz e segura. No entanto, o enxerto de gordura possui vantagens.
“Primeiro, a gordura não é totalmente absorvida pelo organismo. Cerca de 50% do material enxertado permanece, contribuindo assim para a longevidade do resultado. Além disso, o enxerto de gordura não é apenas um simples preenchimento. É um tratamento regenerativo, pois contém elementos como as células-tronco, que, eventualmente, vão se tornar células de gordura, fibroblastos e fibras de colágeno, contribuindo para o efeito do procedimento”, destaca a médica, que, por fim, ainda afirma que o enxerto de gordura também pode ser realizado em outras regiões da face. “Podemos adicionar gordura em áreas de depressão, como região temporal, bochechas, sulcos nasolabiais, linhas de marionete e, às vezes, no próprio lábio”, finaliza.









