‘The Art of Loving’, de Olivia Dean, propõe beleza, bem-estar e autonomia sem idealizações
No centro do segundo álbum da cantora britânica — e, curiosamente, também durante uma aula de pilates — encontramos algo que vai além de canções sobre relacionamentos: um exercício de construção de uma vida mais consciente e menos performática
Em The Art of Loving, Olivia Dean organiza o amor como verbo. Não à toa, o álbum nasce da inspiração provocada pela leitura de Tudo Sobre Amor, de bell hooks. Lançado em setembro de 2025, o projeto reúne 12 faixas que revelam um amadurecimento emocional mais nítido e transformam o ato de amar — e de se amar — em uma prática cotidiana, não em ideal abstrato.
O som da vencedora do Grammy de Artista Revelação não sai dos meus ouvidos desde então. Mas foi ao participar de uma aula de pilates na Form Studio — a convite da Universal Music, gravadora da cantora — que pude refletir sobre como sua obra ecoa em quem busca uma ideia de beleza menos coreografada e mais ancorada no amor-próprio.
Logo na faixa de abertura, “Nice to Each Other”, ela desloca a paixão arrebatadora do centro para algo menos glamouroso — e mais estrutural: a gentileza. Ao repetir que “nós poderíamos ser legais um com o outro”, Olivia Dean sugere que a saúde emocional está menos nos grandes gestos e mais na consistência do cuidado.
Em “Baby Steps”, ela canta sobre crescimento em ritmo próprio. Quando afirma que está dando “pequenos passos” e que isso é suficiente por agora, a cantora legitima processos lentos e imperfeitos. Num cenário cultural obcecado por resultados rápidos — inclusive no autocuidado transformado em meta —, a canção reposiciona o bem-estar como percurso, não como performance.
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Autonomia como estética
Se em trabalhos anteriores Olivia Dean já flertava com a ideia de independência emocional, aqui ela a canta com menos culpa. Em “Man I Need”, por exemplo, a artista brinca com a ambivalência do desejo: querer alguém não significa depender dele para existir. Ao tensionar a frase — “o homem que eu preciso” —, ela expõe o quanto essa necessidade pode ser mais escolha do que carência.
Há também um discurso corporal implícito no álbum. Ao falar de aceitar falhas, limites e inseguranças, Dean amplia o conceito de beleza para além da aparência. Quando admite medos e contradições nas letras, ela desmonta a imagem da mulher sempre segura. O bem-estar, nesse contexto, nasce da honestidade emocional e da recusa em sustentar personagens.
Em vez de oferecer fórmulas, The Art of Loving propõe, assim como hooks, prática. Nas entrelinhas das músicas, a cantora desenha um mapa de autonomia afetiva que dialoga diretamente com o nosso tempo e sugere que a forma como nos tratamos determina os vínculos que construímos.
Mantra e rotina de beleza
Em entrevista a Marie Claire EUA, em janeiro deste ano, Olivia Dean revelou seu mantra de autoestima: "Todo dia pode ser um arraso". Ela repete a frase todas as manhãs enquanto se arruma. “Acho que todo dia pode ser romântico e gosto de me preparar para o dia mantendo isso em mente”, completou.
A rotina do dia a dia da cantora é simples. À noite, ela tem três etapas: “Se tiver sido um longo dia, vou apenas limpar, usar um soro e depois hidratar. Mas se eu tiver muito tempo no fim de semana, podemos dar dez passos, na verdade. Poderíamos usar o gua sha ou começar a fazer um monte de outras coisas, só depende do tempo”.
E quem a acompanha já sabe: a maquiagem é mais próxima de uma vexa natural. “Eu não amo muita maquiagem. Sempre achei que, para o meu rosto, menos é mais. E eu realmente quero que as pessoas vejam meu rosto se eu estiver tentando atraí-las. Então, talvez, nesse caso, eu apenas uso um blush fabuloso. Mas, tento me manter bastante simples com apenas uma aparência natural. Pode até ser sem maquiagem, sobrancelhas penteadas, blush e depois um protetor labial”.
E quem diria que desodorante é o produto menos sexy que a faz sentir sexy. “Não é o produto mais fabuloso, não. Mas você precisa disso. E sem isso, não é um dia sexy.” A cada dia, Olivia Dean nos dá mais uma boa surpresa e inspirações de beleza.









