Centella asiática: especialistas explicam os benefícios do ativo para pele e cabelo
Também conhecida como CICA, a centella asiática está cada vez mais presente nas formulações. Conversamos com uma dermatologista e uma expert capilar para entender tudo sobre o ativo popularizado pelo universo da k-beauty
Gotu Kola, CICA, ou centella asiática, chame como desejar. A planta é utilizada há séculos na medicina tradicional e, nos últimos anos, sua presença em fórmulas cosméticas ganhou projeção mundial. No Brasil, foi muito usada nos anos 2000 como tratamento para celulite. Hoje, produtos com o ativo encontraram seu caminho de volta para os carrinhos e wishlists das amantes de beleza. E o mercado corresponde às nossas expectativas.
O ativo é vegano, conhecido pelo alto poder calmante, hidratante e antioxidante. “O objetivo é principalmente melhorar a barreira cutânea, os mecanismos de reparo celular, microbioma e controlar a inflamação. Além disso é um ótimo hidratante, conhecido por melhorar a cicatrização e estimular a produção de colágeno", diz a médica dermatologista Cindy Tiemi Matsumoto.
Famosos nas redes sociais, os produtos podem prometer alto poder regenerador; é o que mais chama atenção. Mas é importante alinhar as expectativas: “Não é uma função única e exclusiva da centella, existem ainda outros ativos referência. Mas a cultura das fórmulas asiáticas em geral têm esse foco na longevidade. Não existem tratamentos tópicos com poder mágico, e nem todos são indicados para determinadas peles, mas podem ser, sim, aliados”.
Os produtos que contém o ativo costumam aparecer em formato de séruns, com texturas mais aquosas, e o efeito final depende diretamente da construção da fórmula. “Pode conter ácido hialurônico, pantenol, niacinamida, as possibilidades são inúmeras. A forma ideal de incluir na rotina deve ser definida a partir das queixas e com indicação profissional", completa a médica.
Centella asiática funciona para o cabelo?
A popularidade da k-beauty trouxe novas tendências à tona, uma delas foi a aproximação entre skincare e haircare, movimento apelidado de skinificação dos fios — o que faz todo sentido, afinal, a saúde da fibra está diretamente relacionada com a pele do couro cabeludo. “É rico em triterpenos e flavonoides. Além de ser altamente funcional, atende às necessidades atuais dos consumidores de um cuidado mais consciente e preventivo”, explica Dione Wennie, especialista capilar e gestora de educação profissional da Embelleze.
O mecanismo biológico do ativo funciona da mesma forma em todas as regiões, o que muda é o objetivo da formulação. “Os cosméticos faciais são desenvolvidos para reparação e fortalecimento da barreira. No haircare, o intuito é aliviar o desconforto e fortalecer a base dos fios”, comenta Wennie.
Ela explica que, para pensar na composição de shampoos, condicionadores e máscaras, a concentração e o sistema de entrega do ativo são adaptados para interagir com a oleosidade, resíduos e haste do fio. É por isso que, mesmo com tempo curto de contato com a superfície, os produtos ainda funcionam: “As tecnologias favorecem a deposição durante a lavagem e garantem a ação”.
O benefício principal é o fortalecimento global do cabelo. A especialista comenta que também é capaz de auxiliar na recuperação de fios sensibilizados, porosos e secos, especialmente quando é associada a tecnologias reconstrutoras ou acidificantes. “O diferencial do ativo é justamente esse: atuar na origem, não apenas na parte externa da fibra”, reforça a expert capilar.
Quem tem raiz oleosa pode usar centella asiática?
Existem duas dicas simples e infalíveis para entender se um ativo ou produto pode funcionar ou não para você: perguntar ao seu dermatologista e ler o rótulo. Brincadeiras à parte, de modo geral, a CICA não é um ativo oclusivo e nem pesado. “Pelo contrário, ela ajuda a equilibrar a região, o que pode auxiliar na regulação da oleosidade em casos de processos inflamatórios ou desequilíbrios”, conta a especialista. “O importante é que o produto esteja inserido em uma formulação adequada para esse perfil.”
O composto é versátil, mas os resultados são mais visíveis em cabelos quimicamente tratados, danificados ou com desequilíbrios no couro. “Ela ajuda em casos mais graves, mas também se mostra uma aliada interessante para quem busca a manutenção preventiva da saúde capilar. É útil para preservar o equilíbrio e a qualidade dos fios com longevidade”, finaliza.









