Cleópatra tomava banho de leite? A lenda por trás do ritual
Conheça o ativo milenar que, supostamente, conquistou a rotina de skincare da mais famosa rainha do Egito
São inúmeros os mitos e crenças sobre a soberana egípcia. Não à toa que Cleópatra, considerada um ícone de beleza, teve sua história adaptada tantas vezes para o cinema, o teatro e a TV. Na obra, Cleópatra, de 1963, Elizabeth Taylor repousa numa banheira cheia de leite coberta com flores, cena que reforça a imagem da rainha ligada a rituais de luxo e autocuidado.
Embora não haja uma referência clara e documentada que confirme essa prática, a lenda em torno do banho de leite foi muito difundida e consolidada na percepção cultural popular. Essa história não vem do acaso. Os rituais de beleza da nobreza no Egito antigo eram complexos e elaborados. O cuidado com o corpo era feito por meio de banhos, óleos vegetais, uso de pigmentos, perfumes, argilas e especiarias.
Mas por que o leite?
A ideia por trás da lenda é que o açúcar do leite, a lactose, é convertida em ácido lático quando o líquido azeda (processo químico conhecido como fermentação lática). É discutível entre especialistas se o fluido contém ácido lático suficiente para suavizar sinais do tempo durante um banho. Apesar da fábula, cosméticos modernos que possuem esse ácido na composição são capazes de rejuvenescer a pele e diminuir rugas finas.
Ácido lático, o que é?
O ácido lático é uma substância originada do açúcar do leite, mas que na indústria cosmética, é obtida a partir de açúcares vegetais (como cana-de-açúcar e milho). Ou seja, apesar do nome láctico, atualmente, no segmento da beleza ele tem origem vegetal e não tem lactose. Segundo a dermatologista Marina Cintra, o ácido lático tem um potencial cosmético importante, pois age na camada superficial da pele, facilitando o desprendimento das células envelhecidas, o que promove renovação celular e maior refletividade da luz.
Os benefícios de incluí-lo na rotina de skincare incluem uma esfoliação suave, que deixa um efeito mais iluminado na pele, sem agredi-la. Além disso, ele ajuda na hidratação, participando da retenção de água e contribuindo para a manutenção adequada da barreira cutânea.
“Por ser um ácido com ação superficial, ele costuma ser bem aceito até por quem tem pele mais reativa, mais sensível. No geral, peles mistas, secas ou sem viço se beneficiam”. Entretanto, o seu uso não é recomendado se a pele do rosto estiver ferida, sensibilizada ou com dermatite. Pacientes com lúpus também acabam evitando o uso, já que a exposição solar é um fator agravante, afirma a médica.
A médica adverte que devemos sempre dar atenção às possíveis alergias ou irritações na pele e, caso isso aconteça, o uso deve ser interrompido imediatamente, devendo-se consultar um dermatologista. “A frequência ideal de uso varia de acordo com a sensibilidade de cada pele, ou seja, pessoas com pele mais resistente podem passar o ácido até todas as noites, pessoas com pele sensível ou que tenham dermatite atópica ou rosácea devem ter mais cautela, usando em dias alternados”.
Cintra também chama a atenção para a concentração do produto. O uso do ácido lático até 5% ainda é considerado seguro, pois promove hidratação cutânea e uma renovação celular leve. Já em concentrações mais altas é preciso ter cautela. Hidratar a pele e usar protetor solar durante o tratamento são passos fundamentais.
Ele pode ser combinado com outros ativos, como por exemplo o ácido glicólico e o ácido salicílico, dependendo do objetivo que se deseja alcançar. “Sua função depende da concentração e pode variar, pois existem medicamentos para verrugas e calosidades nos pés que usam o ácido lático em altíssima concentração, já em concentrações menores ele pode ser um excelente hidratante e renovador de pele”, completa.
O ácido láctico pode até ser usado de dia, orienta Cintra, mas recomenda-se o uso noturno para garantir maior segurança no tratamento e sempre associado ao uso diário de protetor solar. Por fim, o acompanhamento de um médico dermatologista é fundamental.









