Dior reforça legado artístico ao patrocinar 22ª edição da SP–Arte
Na abertura para convidados da feira, nesta quarta-feira (8), a grife apresentou a linha de fragrâncias La Collection Privée
Antes de ser um estilista, Christian Dior foi galerista. E foi pensando nisso que a maison resgatou essa essência no universo artístico -- antes mesmo da fundação da grife -- para patrocinar a 22ª edição da SP-Arte, considerada a maior feira de arte e design do Brasil e uma das principais da América Latina.
Nesta quarta-feira (8), dia de abertura desta edição no Pavilhão da Bienal, a Dior promoveu um café da manhã exclusivo para convidados com talk com Camila Yunes, fundadora da Kura Arte, além de visitas guiadas conduzidas por curadores. Durante o encontro, a maison também apresentou a linha La Collection Privée, cujas fragrâncias traduzem, em olfato, referências profundas ao mundo da arte, à criação e à sensorialidade.
Antes de revolucionar a silhueta feminina com o “New Look” em 1947, Dior viveu esta fase pouco explorada de sua trajetória. É nesse capítulo, ainda nos anos 1920, que se constrói a base estética que mais tarde definiria sua moda.
Com o apoio financeiro do pai, Dior abriu uma pequena galeria em Paris ao lado de um amigo. Ali, negociava obras de artistas que hoje formam o cânone da arte moderna, como Pablo Picasso. A galeria funcionava como ponto de encontro de intelectuais, pois o estilista convivia com nomes como Salvador Dalí, Jean Cocteau e Alberto Giacometti. A galeria, no entanto, teve vida curta. A crise econômica de 1929, somada a tragédias familiares e à falência do negócio do pai, levou ao seu fechamento por volta de 1931.
Da arte à moda
Após o encerramento da galeria, Dior passa a vender croquis de moda — primeiro como forma de sobrevivência, depois como caminho profissional. Mas essa transição não significou um abandono da arte. Sua formação visual permaneceu como eixo central de sua criação.
Antes mesmo de fundar a maison, ele já trabalhava como ilustrador e colaborava com casas de alta-costura. Na prática, Dior levou para a moda um raciocínio típico das artes plásticas: uso de referências culturais e históricas e a construção de silhuetas como formas escultóricas.
Décadas depois, essa relação entre moda e arte se mantém institucionalizada. A La Galerie Dior, inaugurada em 2022, é um exemplo disso. Um espaço expositivo que trata a produção da maison como patrimônio cultural, reunindo croquis, peças e narrativas visuais.
Além disso, ao longo de sua história, a Dior mantém colaborações com artistas e projetos expositivos, reforçando a ideia de que moda e arte não são campos separados dentro da marca, mas linguagens complementares.
A bolsa como tela
Um dos exemplos dessa relação entre moda e arte na Dior é o projeto Dior Lady Art, que transforma uma das bolsas mais icônicas da casa em suporte artístico contemporâneo. Criado em 2016, o projeto convida artistas contemporâneos do mundo todo a reinterpretarem a clássica Lady Dior. A proposta é direta: tratar a bolsa como uma obra, não apenas como um acessório.
Cada artista recebe carta branca para intervir na peça — alterando materiais, volumes, texturas e até a estrutura original. O resultado são edições limitadas, muitas vezes únicas, que circulam entre moda, design e arte contemporânea.
Na edição mais recente, que celebrou os 10 anos do projeto, a Dior reuniu artistas de diferentes países para criar versões que vão de superfícies pintadas à mão a aplicações escultóricas e bordados complexos. Entre eles está Sophie Loeb, artista paulistana baseada em Londres. Ela criou quatro versões da Lady Dior, imprimindo a materialidade da sua pintura.
A carioca Maria Nepomuceno foi a primeira brasileira a integrar o time, em 2020. Ela criou uma bolsa adornada com pérolas, veludo e contas.









