Silvia Chakian
Por
Silvia Chakian

Dois mil e vinte e cinco foi um ano em que o poder feminino redefiniu espaços. De conselhos de administração a julgamentos emblemáticos, laboratórios de ciência à sétima arte, a presença das mulheres é um farol de inovação, coragem, ética e, sobretudo, de um olhar mais humano para os principais desafios da nossa sociedade.

Chegado o momento do ritual de final de ano, em que fazemos internamente o balanço dos aprendizados, erros e conquistas, há que se reverenciar também aquelas que abriram caminhos e consolidaram avanços históricos, já que a luta por emancipação feminina sempre será coletiva.

No mundo corporativo, o ano foi marcado pela afirmação de Tarciana Medeiros como um dos nomes mais influentes. À frente do Banco do Brasil, ela é a primeira mulher a liderar a instituição em mais de dois séculos. Sua gestão levou o banco a revisar positivamente suas expectativas de lucro para 2025. Mulheres como ela fazem a diferença não apenas porque comandam impérios que desde sempre estiveram sob controle masculino, mas porque remodelam a cultura do trabalho, priorizando a inclusão e incentivando o crescimento da próxima geração de mulheres.

A ciência brasileira também viu o protagonismo feminino crescer. Mariangela Hungria se tornou a primeira brasileira a receber o World Food Prize, o “Nobel da Agricultura”. Nomes como Sonia Guimarães, doutora em Física e professora do ITA, continuam quebrando barreiras, incentivando jovens mulheres negras a ingressarem nas áreas exatas.

A ministra Cármen Lúcia segue como uma das vozes mais firmes e imprescindíveis da democracia brasileira. Em um país ainda marcado por desigualdades e ataques às garantias democráticas, sua postura ética e técnica se destaca em julgamentos emblemáticos.

Na cultura, a indicação de Fernanda Torres ao Oscar pelo filme Ainda Estou Aqui deu maior visibilidade da produção artística brasileira e a complexidade das narrativas femininas. É também indispensável reconhecer a força silenciosa da multidão de mulheres anônimas – aquelas que não ocupam capas de revistas, não sobem a palcos de premiação, mas que, diariamente, produzem transformações decisivas na vida de quem sofre violência.

Falo das ativistas que, nas periferias, atuam praticamente sem recursos, orientando meninas e mulheres sobre seus direitos. Das novas parlamentares que ousaram ocupar as bancadas, tantas vezes hostis, do nosso Legislativo. Das educadoras que, com coragem, insistem em abordar relações de gênero nas escolas e universidades, num compromisso firme com a diversidade e prevenção da violência.

Das integrantes do Sistema de Justiça que enfrentam o machismo de suas próprias instituições para defender os direitos humanos. Das jovens dos coletivos universitários que desafiam preconceitos de toda ordem para combater a discriminação no ambiente acadêmico.

E, sobretudo, de todas as mulheres que sofreram violência ou discriminação e, ainda assim, encontraram força para romper o silêncio, buscar apoio e, com esse gesto, inspirar incontáveis outras – renovando, para todas nós, a esperança de um 2026 melhor.

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