Girl Math: entenda a tendência de finanças viral do TikTok
Explicamos o que é a trend e ensinamos dicas para se organizar melhor financeiramente
Por Isadora Pacello, redação Marie Claire — São Paulo
“Girl math” (“matemática das garotas”, em português) é a nova tendência de finanças no TikTok. A prática é até engraçada: consiste em encontrar meios de “driblar” a matemática convencional para justificar compras supérfluas.
Para explicar o conceito, alguns vídeos trazem exemplos de cálculos que se enquadram na “girl math”. Funciona assim: se você comprar uma bolsa de R$ 100 e usá-la 10 vezes, o preço dela, na verdade, passará a ser R$ 10 (R$ 100 divididos pelas 10 vezes de uso).
Outro caso é para compras pagas em dinheiro — o uso do valor em espécie faz com que o gasto seja nulo, porque o dinheiro já havia saído da conta bancária. O mesmo vale para uso de créditos em aplicativos, como o do Starbucks — segundo a “girl math”, se o valor já estava no aplicativo, você não gastou nada ao debitá-lo. Ainda, itens que custam menos de R$ 5 são “gratuitos”.
Seguindo essa lógica, há casos em que as compras, na verdade, se “convertem” em ganho de dinheiro. Por exemplo, se você gastar R$ 200 em uma loja, mas depois entrar em vários estabelecimentos e não comprar nada, na verdade “ganhou dinheiro”. Ao fazer uma compra de R$ 50 e depois devolver o produto, você, aparentemente, “ganha” R$ 50.
A “girl math” também distorce a lógica dos investimentos: segundo a tendência, se R$ 20 reais investidos se transformarem em R$ 70, você ganhou R$ 70, não R$ 50 (porque o capital inicial não é descontado do valor final).
Do mesmo modo, se um produto que você costuma comprar estiver em promoção e você não comprá-lo nessa ocasião, estará “perdendo” dinheiro. Ou ainda, ao parcelar um produto, o preço dele passa a ser o da parcela, não o valor total.
Mulheres e finanças
Embora o nome associe diretamente as mulheres à uma abordagem financeira irracional, uma pesquisa da Warwick Business School, do Reino Unido, descobriu que as mulheres costumam obter uma rentabilidade maior em seus investimentos. Um estudo da instituição americana Prudential também constatou que 70% das mulheres se consideram poupadoras em vez de investidoras, pois veem os investimentos como uma medida de poupar dinheiro e conseguir segurança financeira.
Mesmo assim, tanto mulheres, quanto homens estão sujeitos à pressão das redes sociais. “Somos bombardeados por muitas informações. Conforme exista muito engajamento ou direcionamento para consumo, você tende a consumir mais”, diz Bianca Sousa, educadora financeira e assessora de investimentos.
Dicas para conter os gastos
Bianca afirma que consumir pode ser uma forma de prazer instantâneo — por isso, muitas vezes, compras impulsivas podem estar associadas a sentimentos de tristeza ou carência. Para evitar gastos desnecessários, a especialista afirma que é importante, antes de mais nada, entender o motivo por trás da compra.
“Pergunte-se: qual é o verdadeiro sentido dessa compra? Aconteceu algo que te deixou chateada? Às vezes, você direciona o seu sentimento — seja ruim ou bom — para compra, com objetivo de fugir dele. Autoconhecimento é superimportante."
Para saber se uma compra é supérflua ou relevante, Bianca dá uma dica: “Faça-se 4 perguntas: 'eu quero? Eu posso? Eu preciso? É urgente?' Isso ajuda a entender se o item é, de fato, indispensável."
Mas isso não significa que itens “supérfluos” — como um café diferente, uma roupa ou um acessório, por exemplo — devam ser completamente banidos do orçamento. “Acho importante deixar um espaço para esses itens, para que, psicologicamente, você saiba que tem seus compromissos, mas ainda consegue ter um momento livre para si. Se estiver com um orçamento equilibrado — isto é, não estiver quitando dívidas —, a parte dos extras ou supérfluos pode ser de até 10%”, orienta Bianca.









