Comportamento

Por Isadora Pacello, redação Marie Claire — São Paulo


Empoderamento feminino e divórcios — Foto: Pexels/cottonbro studio/CreativeCommons
Empoderamento feminino e divórcios — Foto: Pexels/cottonbro studio/CreativeCommons

Você já teve a sensação, ao parar para pensar sobre o passado, de que hoje em dia as pessoas se divorciam muito mais? Na verdade, essa impressão tem seu fundamento. Comparando os dados atuais com os dos anos 1980, hoje ocorre um número maior de divórcios no Brasil.

“A partir dos anos 1980, houve um gradativo aumento no número de divórcios. Ao mesmo tempo, ocorreu uma paulatina redução no número de casamentos”, afirma Jefferson Mariano, analista do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo ele, uma das explicações para isso é a legalização do processo, em 1977, com a Lei do Divórcio.

Contudo, mesmo com o passar do tempo, essa tendência se manteve em relação às separações, culminando em uma taxa muito expressiva de términos de casamentos durante a pandemia de Covid-19. Diante disso, a pergunta que fica é: o que está por trás?

Silvia Marzagão, presidenta da Comissão Especial da Advocacia de Família e Sucessões da OAB/SP, lembra que o aspecto financeiro tem peso na hora do divórcio. Hoje, com as mulheres mais presentes no mercado de trabalho e financeiramente independentes, é mais fácil que elas saiam de relacionamentos abusivos ou que não as estejam satisfazendo.

Vale ressaltar que, nos últimos anos, divorciar-se tornou-se mais simples. “Antigamente, havia necessidade de um procedimento anterior ao divórcio, a separação judicial. Desde 2010, com a Emenda Constitucional 66, é possível realizar o divórcio diretamente, sem discussão de culpa, tempo de casamento ou justificativa prévia”, afirma.

Outro dado interessante é sobre quem inicia a separação. “As mulheres pedem mais o divórcio que os homens, segundo dados do IBGE, e também se divorciam mais novas que os homens”, diz Silvia. Di mesmo jeito, são elas que costumam ficar com os filhos após a ruptura.

A advogada explica que a motivação das mulheres geralmente tem a ver com situações de violência doméstica ou ausência de responsabilidade do parceiro. Para os homens, por outro lado, traição costuma ser inaceitável. “As mulheres tendem a perdoar mais a infidelidade. Isso pode ser explicado pelo fato de a infidelidade masculina ser muito mais tolerada do que a feminina”, pondera.

Para a psiquiatra Nina Ferreira, um ponto importante a ser considerado é a visão da sociedade sobre o divórcio — que, décadas atrás, era muito mais pejorativa do que hoje.

“Por mais que a gente se conheça e tente ser autêntico, a avaliação social sempre tem algum impacto no comportamento do indivíduo. E, há algumas décadas, especialmente a mulher sofria muito com isso, porque ficava com um rótulo muito negativo”, argumenta.

Mas o fator social vai além. Segundo Nina, há uma tendência atual de baixa tolerância às frustrações — que, de acordo com a psiquiatra, costumam ser o que motiva um divórcio. “Às vezes, a pessoa espera que o outro faça algo de uma forma que ele não faz; ou espera que o outro conquiste coisas que ele não conquista; ou que mude de comportamento, ou até mesmo de traços de personalidade”, exemplifica.

A dificuldade de lidar com frustrações pode explicar o número crescente de divórcios — Foto: Unsplash/Siora Photography/CreativeCommons
A dificuldade de lidar com frustrações pode explicar o número crescente de divórcios — Foto: Unsplash/Siora Photography/CreativeCommons

Com isso, temos cada vez menos referências de paciência e tolerância. Nina acredita que a sociedade como um todo esteja mais fragilizada e tentando realizar expectativas irreais em outra pessoa — o que é um peso muito grande.

“Então é como se todos, independente da geração, estivessem se fragilizando, buscando um fortalecimento fora, em alguém, e não encontrando essas referências”, diz a profissional. Como a relação conjugal é a mais íntima que desenvolvemos, depositamos nossas expectativas — muitas vezes, até fantasiosas — de acolhimento em nossos parceiros afetivos.

Nina também menciona a intolerância à dor. Para ela, hoje, a tendência é tentarmos nos esquivar da dor o mais rápido possível — e o divórcio seria uma tentativa nesse sentido.

“Com as redes sociais, também observamos uma mudança no padrão cerebral. Tudo vem muito rápido para nós, então, quando não conseguimos resolver um problema conjugal rapidamente, entendemos que não está funcionando”, diz.

Segundo a psiquiatra, é importante lembrar que as pessoas dentro de uma relação mudam com o passar do tempo. “Todos os dias, meu marido está casado com uma Nina diferente, e eu também. Mas se os valores estão alinhados, essas mudanças não necessariamente impactam tanto a solidez da relação”, avalia.

Por isso, a profissional enfatiza a importância das relações transparentes e honestas. “O casal precisa ter conversas profundas sobre o que cada um espera da vida, seus valores, suas metas. Temas como filhos e dinheiro precisam ser discutidos”, conclui.

Mais recente Próxima Girl Math: entenda a tendência de finanças viral do TikTok
Mais do Marie Claire

Ex-sister conversa com a Marie Claire sobre rotina intensa após o reality, as amizades que se mantiveram e e os desafios de se dividir entre compromissos profissionais e culturais no Amazonas

Como Marciele Albuquerque concilia pós-BBB com o festival de Parintins: 'Maior loucura'

Participante comentou desdobramentos de caso recente e falou sobre os rumos da relação entre as duas fora do reality. Em conversa com a Marie Claire, a ex-sister detalhou o vínculo com a campeã desta edição

Milena, do 'BBB 26', explica como está amizade com Ana Paula Renault após polêmica no Dia das Mães: 'Fiz o que bem entendi'

Em conversa exclusiva com a Marie Claire, a artista contou detalhes das mudanças físicas e do processo de construção do papel

Alice Carvalho revela mudanças no olho e cabelo para viver Marta em novo filme: 'Personagem desafiadora'

Artista falou sobre o desejo de aumentar a família e contou como imagina a futura maternidade

Giovanna Lancellotti revela planos para engravidar em 2027 e diz que pretende ter até três filhos: 'Muita vontade de ser mãe'

Com preços a partir de R$ 78,47, selecionamos modelos bivolt com tecnologia iônica e até 1300W de potência para garantir agilidade e efeito de salão sem pesar no bolso

Escova secadora com 60% off no Magalu; 4 opções para um cabelo de salão

Apresentadora visitou espaço dedicado à trajetória da comunicadora e relembrou momentos marcantes da televisão brasileira

Patrícia Poeta se emociona ao conhecer acervo de Hebe Camargo: 'Senti imediatamente a energia dessa pessoa'

Artista apostou em um look grifado para Prêmio Sim à Igualdade Racial, que acontece na noite desta quarta-feira (13) e tem duas categorias apresentadas por ela

Bella Campos reflete sobre ausência de referências na mídia: 'Sei o impacto disso para os nossos sonhos’

Artista compartilhou registros da viagem e recebeu uma enxurrada de comentários dos fãs; veja os cliques

Paolla Oliveira ganha elogios ao abrir álbum de fotos na Itália: 'Por aí'

A premiação acontece nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro

'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial