Divisão desigual de trabalho doméstico e do cuidado faz mulheres se desapaixonarem mais rápido, aponta estudo
Pesquisa recente busca analisar os impactos da desigualdade de gênero em casamentos heterossexuais, e identifica que mulheres podem se desapaixonar mais a partir do 3º ano de relacionamento, se comparadas com os homens e com mulheres que têm relacionamentos recentes
Por Redação Marie Claire
Um estudo publicado recentemente na revista científica Psychological Science aponta que mulheres em casamentos heterossexuais têm mais chances de desapaixonar mais rápido por seus maridos do que homens na mesma situação. E parte da culpa, segundo o levantamento, pode ser da divisão desigual do trabalho doméstico e das tarefas relacionadas ao cuidado com os filhos.
O estudo foi comandado pela economista comportamental Saurabh Bhargava, da Carnegie Mellon University, em Pittsburgh. Os resultados apontam que mulheres que estão há mais de três anos se relacionando com um parceiro fixo disseram sentir paixão ou amor com frequência 55% menor, se comparadas a mulheres em relacionamentos mais recentes. No caso dos homens, o resultado foi bem diferente: o nível de frequência é apenas 9% menor.
A hipótese da pesquisadora é de que as mulheres vão se desencantando ao longo dos anos por assumirem muito mais funções relacionadas ao trabalho doméstico e ao cuidado do que os homens.
Enquanto elas assumem a maior parte desta carga de trabalho, os homens passam mais tempo tirando cochilos ou mesmo relaxando. No Brasil, essa é uma realidade palpável, já que as mulheres passam 9 horas a mais por semana cuidando da casa ou de outras pessoas do que os homens, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2022.
Por outro lado, o estudo destaca que os homens tendem a sentir mais amor por suas parceiras quando elas estão junto das crianças; ao contrário delas.
Amor e paixão entre casais heterossexuais atingem níveis parecidos no 7º ano de relação
Por dez dias e em intervalos de meia hora, o levantamento ouviu 3.867 adultos norte-americanos que estão casados entre 3 e 20 anos. Os participantes do estudo também completaram um questionário longo sobre o amor que sentiam e a quem ele era direcionado.
O estudo também identificou que, no estágio inicial de uma relação, as mulheres declaram mais os sentimentos amorosos que sentem. Mas isso durava pouco tempo, porque as mulheres apresentam uma queda maior desse sentimento em comparação aos homens.
Das que experimentaram sentimentos mais intensos, a queda ao longo dos anos foi de 80%; no caso dos homens, o declínio foi de 30%. A tendência é que o nível de apaixonamento entre os parceiros heterossexuais atinge uma probabilidade mais aproximada.









