Comportamento
Por
Bruna Liu
, redação Marie Claire — de São Paulo (SP)

Um viral vindo da Espanha gerou grande repercussão nas redes sociais neste setembro. É que jovens foram filmados flertando em uma rede de supermercados famosa de Madri. Para tentar encontrar um interessado, eles apostam em um código: a interessada em buscar um parceiro deveria circular pelo local entre 19h e 20h com um abacaxi de cabeça para baixo dentro do carrinho de compras.

Brasileiros ainda não estão andando pelos corredores com abacaxis em seus carrinhos. Mas, membros da geração Z daqui também estão em busca de resgatar flertes à moda antiga. Será o fim dos aplicativos de namoro?

Nos últimos anos, houve uma queda no número de usuários do maior aplicativo de relacionamento, o Tinder. Segundo relatório de lucros da empresa, os downloads anuais do Tinder caíram mais de um terço desde o pico de 2014. O número de usuários pagantes também caiu 8% em 2023.

Uma pesquisa da Forbes Health, de maio de 2024, relatou que as gerações mais jovens ainda são as que mais utilizam os aplicativos, mas também são as que mais sentem o esgotamento desses ambientes. Segundo os dados, 54% das adultas dizem que muitas vezes ou às vezes se sentiram inseguras em relação ao número de mensagens que receberam, enquanto 36% afirmam que se sentem sobrecarregadas.

Paqueras na academia e em festas

Citando a falta de conexões genuínas, Luana Neves, de 24 anos, admite que nunca se adaptou bem aos aplicativos de namoro. “Eu prefiro ser mais ‘old school’ nesse sentido. Gosto de flertar e, de modo geral, falar com as pessoas pessoalmente”, conta, em entrevista com Marie Claire.

Para ela, a dificuldade em desenvolver conversas virtuais está atrelada a não conseguir ver a expressão da outra pessoa. Ela gosta do olho no olho. “No ao vivo, consigo fazer com que me entendam com o tom que eu quero passar. Acho que é muito fácil haver desentendimentos numa conversa virtual, especialmente se estamos falando com alguém que nunca vimos na vida e não conhecemos bem. Não sabemos como a pessoa se expressa, e isso torna tudo mais complicado”.

Por gostar de se exercitar, a academia é um de seus lugares favoritos para flertar. “É mais uma questão de convivência, porque são as mesmas pessoas que eu vejo sempre. Para mim, eu consigo falar mais facilmente com alguém que eu já vi e com quem criei algum tipo de interesse”, reflete ela. De lá, Luana saiu com cinco pessoas, incluindo seu personal trainer.

“A gente começou a se conhecer porque eu frequentava os cursos de grupo que ele dava na academia”, lembra. A situação se desenrolou um dia após as aulas: “Todo mundo saiu e eu estava sentindo uma dor aqui e ali. Ele é muito paquerador e me ofereceu: ‘se você quiser, eu posso ajudar com essa dor com uma massagem’. Eu tinha interesse também. Até fazia elogios: quando tinha oportunidade dizia como ele estava cheiroso”.

Outra integrante do “clube do flerte presencial”, Livia Atum, de 24 anos, também tem suas técnicas para paquerar: “Meu melhor amigo sempre achava muito engraçado, porque eu tinha uma técnica que usava para me fazer perceber pelas pessoas”.

“Uma vez, estava em uma balada que acontece em uma antiga oficina, cercada por trilhos da ferrovia. Estávamos em um vagão de trem e havia um menino parado embaixo de um compartimento. Eu reparei que essa repartição estava quebrada, então fui até lá e comecei a consertar o problema de forma bem exagerada, como uma maníaca. Foi o suficiente para ele me notar, puxar papo e as coisas acabaram rolando”, revela.

A jovem reconhece que não era adepta aos aplicativos para tentar algum relacionamento sério: “Até usei alguns antes de conhecer meu namorado, mas era mais por diversão. Eu gostava de conversar, mas, assim que me chamavam para sair, eu desaparecia. Nunca tive a intenção de levar algo adiante, era apenas um passatempo para mim.”

Ela se interessava mais em ir às festas e “jogar um charminho”. “Conversar online parecia algo diferente, como se eu estivesse falando com um robô Pessoalmente, acho mais natural. Você vê alguém que acha bonito, flerta e as coisas acontecem de forma mais espontânea. Para mim, é muito mais natural do que o cenário forçado de ‘nos conhecemos no aplicativo e agora estamos obrigados a sair’".

“Conhecer alguém pessoalmente pode ser um cenário mais amigável e menos carregado de expectativas. Você se diverte, e se conhecer alguém, ótimo; se não, pelo menos teve uma noite agradável. Apesar de parecer mais fácil nos aplicativos, o encontro pessoal parece mais confiável e menos complicado”, opina.

“A nossa natureza humana é essencialmente social”

Para Lígia Baruch, doutora em psicologia e autora do livro Tinderellas – O Amor na Era Digital (Ed. e-galáxia, 199 pág, R$ 24,90), o chamado dating burnout [expressão para se referir ao esgotamento causado por aplicativos de paquera] se deu por conta da saturação do online. “Os aplicativos de busca amorosa já nasceram em meio a preconceitos e nos últimos anos as críticas só ampliaram com a discussão de comportamentos pouco responsáveis afetivamente como o ghosting, orbiting, cancelamentos etc”, diz a especialista.

“Acredito que a paquera seguirá híbrida, ou seja, online e offline concomitantemente. Nossas interações também caminham para isso. A tecnologia veio para ficar, mas não pode assumir completamente o todo das nossas relações e contatos”.

A terapeuta de casais Renata Alex diz que a geração Z cresceu com a tecnologia já “bem instalada e operante”, inclusive nas relações interpessoais. “A questão é que essa geração começou a perceber que telas demais e aplicativos demais (ainda mais agravado pelo lockdown em decorrência da COVID-19) causa um ‘vazio’ nas relações, e esse distanciamento do outro faz com que nossas conexões sejam mais rasas e menos significativas A nossa natureza humana é essencialmente social. O melhor jeito de se aprofundar é pessoalmente mesmo, olho no olho, entonação, expressões faciais”.

Esse contato humano é especialmente importante quando pensamos nas situações de perigo ao conhecer pessoas na internet. “Sabemos de incontáveis casos de mulheres desaparecidas, assassinadas e abusadas que conheceram seus supostos ‘príncipes’ pela internet. O flerte e o conhecer presencialmente podem diminuir um pouco o risco”.

A psicóloga vê como um dos pontos positivos dessa “paquera presencial” a chance de ver a pessoa por inteiro. “Há olhares, movimentos, cheiros - comunicação não verbal como um todo; há entonação de voz, raciocínio rápido, fluidez na troca. O flerte ao vivo te dá a chance de ser 100% você e de ver o outro conforme ele é, sem tempo pra pensar na ‘resposta perfeita’ para aquela mensagem que chegou no aplicativo”.

Para ela, o encontro presencial é fundamental para criar relações mais duradouras. “O profundo, a troca, o significativo entre as pessoas vem mesmo do presencial. A geração Z, e as próximas que virão, terão que (re)aprender o equilíbrio de serem genuínos sem medo, de cuidar de si e dos outros com mais calor humano e menos telas”, finaliza.

Mais recente Próxima 'Histórias absurdas e mentiras sem motivo lógico': mulheres relatam a dura convivência com mitômanos
Mais do Marie Claire

Ex-sister conversa com a Marie Claire sobre rotina intensa após o reality, as amizades que se mantiveram e e os desafios de se dividir entre compromissos profissionais e culturais no Amazonas

Como Marciele Albuquerque concilia pós-BBB com o festival de Parintins: 'Maior loucura'

Participante comentou desdobramentos de caso recente e falou sobre os rumos da relação entre as duas fora do reality. Em conversa com a Marie Claire, a ex-sister detalhou o vínculo com a campeã desta edição

Milena, do 'BBB 26', explica como está amizade com Ana Paula Renault após polêmica no Dia das Mães: 'Fiz o que bem entendi'

Em conversa exclusiva com a Marie Claire, a artista contou detalhes das mudanças físicas e do processo de construção do papel

Alice Carvalho revela mudanças no olho e cabelo para viver Marta em novo filme: 'Personagem desafiadora'

Artista falou sobre o desejo de aumentar a família e contou como imagina a futura maternidade

Giovanna Lancellotti revela planos para engravidar em 2027 e diz que pretende ter até três filhos: 'Muita vontade de ser mãe'

Com preços a partir de R$ 78,47, selecionamos modelos bivolt com tecnologia iônica e até 1300W de potência para garantir agilidade e efeito de salão sem pesar no bolso

Escova secadora com 60% off no Magalu; 4 opções para um cabelo de salão

Apresentadora visitou espaço dedicado à trajetória da comunicadora e relembrou momentos marcantes da televisão brasileira

Patrícia Poeta se emociona ao conhecer acervo de Hebe Camargo: 'Senti imediatamente a energia dessa pessoa'

Artista apostou em um look grifado para Prêmio Sim à Igualdade Racial, que acontece na noite desta quarta-feira (13) e tem duas categorias apresentadas por ela

Bella Campos reflete sobre ausência de referências na mídia: 'Sei o impacto disso para os nossos sonhos’

Artista compartilhou registros da viagem e recebeu uma enxurrada de comentários dos fãs; veja os cliques

Paolla Oliveira ganha elogios ao abrir álbum de fotos na Itália: 'Por aí'

A premiação acontece nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro

'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial