Nem pequeno, nem grande: mulheres respondem se tamanho de pênis faz diferença no prazer (e os preferidos delas)
Entre quatro paredes, o pensamento de que “tamanho importa” aparece mais vezes do que a gente gostaria de admitir. Mas será que a medida de um pênis é o que define uma boa transa? Para descobrir, ouvimos mulheres com histórias bem diferentes e ainda chamamos uma ginecologista para colocar a ciência na conversa: ‘Pênis grande pode impactar, mas não sustenta a experiência sozinho’
Foi depois do fim do seu casamento, quando começou a se relacionar com outros caras, que Ludmila*, 36 anos, passou a pensar em tamanho de pênis. “A primeira vez que tive experiência com um pênis maior e mais grosso foi um divisor de águas. Senti muito mais prazer durante a penetração, foi uma sensação de preenchimento muito intensa”, ela diz.
Segundo ela, nem tudo é sobre a sensação física. Há também uma excitação visual. “O fator estético conta muito. Acho mais bonito um pênis maior e mais largo, me dá tesão só de ver.”
Por mais que acredite que para o sexo ser bom é preciso muito mais do que um instrumento avantajado, Ludmila não nega que tem dificuldade de se atrair quando o homem tem o pênis pequeno. Mesmo que ela tenha suas preferências, já teve prazer com outro homem que tinha o pênis mediano. O que contou mais não era o volume, mas o dono dele.
“Já vivi situações em que não consegui seguir adiante porque não me agradei com o tamanho. Em contrapartida, já me relacionei com um cara que fazia um sexo maravilhoso, mesmo sem ter o pênis grande, porque sabia explorar bem as preliminares e outras zonas erógenas.”
A estudante Vitória Claro, 22 anos, não curte nem um pênis muito pequeno (menos de 10,5 cm) e nem muito grande (mais de 22 cm) sem que role uma preliminar bem feita. “Já transei com um cara com o pênis tão pequeno que não dava para sentir nada durante a penetração. Em compensação, já tive uma experiência com um grande que parecia um cano de PVC entrando em mim, e não foi nenhum pouco satisfatório.”
Qual a média do tamanho de pênis no Brasil?
Para contextualizar o que pode ser considerado um pênis grande ou pequeno, vale olhar para a média brasileira. De acordo com pesquisas da Sociedade Brasileira de Urologia, o tamanho do pênis ereto entre os homens no país varia de 10,5 cm a 17,5 cm.
A preocupação com tamanho aparece muito mais em quem tem pênis pequeno. Numa sociedade em que um pau grande é sinônimo de virilidade, os que não são tão avantajados temem não conseguir dar prazer, mas principalmente serem ridicularizados.
Mas o sexólogo e biomédico Vitor Mello, especialista em harmonização íntima masculina, defende que um pênis menor do que a média pode, sim, proporcionar prazer.
O que ele explica é que, na hora da penetração, a circunferência importa mais do que o comprimento. “Mesmo que o pênis tenha menos que 10,5 centímetros, vai conseguir gerar mais fricção na parede vaginal e, consequentemente, uma sensação de preenchimento mais intensa”, ele explica.
O urologista Leonardo Seligra, da diretoria da Sociedade Brasileira de Urologia de São Paulo, diz que o prazer feminino está mais ligado à região do clitóris e ao início do canal vaginal — os primeiros 4 centímetros — do que à profundidade da penetração.
Ele acrescenta que a preocupação excessiva quanto a tamanho do pênis — e a preferência por membros maiores — está ligada ao padrão construído pela pornografia. “Os atores com pênis maiores chamam mais atenção na tela e vendem mais, como se o tamanho representasse maior poder. Só que isso não reflete a realidade da maioria dos homens. É mais uma questão estética do que uma necessidade para alcançar prazer”, diz Seligra.
‘Os pênis medianos são os melhores’
A artista visual Fernanda Larocerie, 42 anos, defende a ideia de que se o homem sabe dar prazer, não precisa ter algo extremamente grande para isso.
No seu círculo de amigas, todas concordam: os pênis medianos são os melhores e mais confortáveis. “Quando penso em um pau grande até me dá desânimo. É difícil ficar totalmente duro, fica meio borrachudo, porque precisa de muito sangue. O cara precisa saber penetrar de um jeito que não machuque, além de ser difícil para o oral. Só vejo desvantagens.”
É nesse mesmo time em que joga a redatora Carolina*, 34 anos. Apesar de já ter sentido tesão com homens na média brasileira e acima dela, também fica desconfortável em olhar para um pênis muito grande. “Penso: isso vai me arrebentar e me machucar”, conta — como já aconteceu.
“Já transei com um cara que tinha um enorme, uns 22 cm, e era bem grosso. Mesmo colocando devagar e aos poucos, saí bem machucada. Fui parar no médico e tive que ficar dias fazendo compressa”, lembra.
A preferência dela não é pelo comprimento, mas pela largura. “Um cara com o pau médio e grosso, com seus 13 cm ou 14 cm é capaz de me deixar muito satisfeita. Mas tudo depende se o resto for bem feito. É isso que determina tudo”, completa Carolina.
Anatomicamente, o tamanho do pênis faz diferença no prazer das mulheres?
De acordo com a ginecologista e obstetra Carolina Dalboni, não existem estudos que comprovem que o tamanho do pênis por si só seja suficiente para levar ao prazer feminino. Ainda mais quando existem muitas mulheres que têm dificuldade de ter um orgasmo com penetração e precisam de um estímulo extra no clitóris ou outras partes do corpo para conseguir gozar.
Ela explica que o canal vaginal tem, em média, de 5 a 13 centímetros e pode se expandir mais quando a mulher está excitada para se adaptar ao tamanho do pênis. “O ponto G está localizado a cerca de 8 centímetros da entrada, na parte anterior da vagina. Ou seja, é fácil até para um pênis considerado pequeno, de 12 ou 13 centímetros, conseguir estimular a penetração”.
Outro ponto que ouve muito no consultório é o desconforto que o pênis muito grande pode causar — como bater no colo do útero e até provocar cólicas, dependendo da posição escolhida.
Dalboni reforça que o prazer feminino não é só físico, mas também — e sobretudo — psicológico e sensorial. Por conta disso, algumas podem se sentir atraídas por um pênis maior e mais largo por um tipo de excitação visual. Mas não vai ser só isso que vai ditar o orgasmo.
“Elas gostam de ouvir palavras que as valorizam, que despertam autoestima, fazem com que elas se sintam desejadas. As preliminares são fundamentais: explorar o canal vaginal, o ponto G, o clitóris e outras zonas erógenas com carinho e atenção vai intensificar a experiência.”
Além disso, o uso de brinquedos sexuais também podem ser aliados caso precise de um estímulo extra. As capas penianas, por exemplo, aumentam a espessura e podem acrescentar alguns centímetros ao pênis; enquanto os anéis penianos ajudam no controle da ereção, e muitos modelos contam com vibradores, que dão um verdadeiro up na penetração.
Para elas, o que determina uma boa transa?
Mesmo que algumas entrevistadas tenham admitido que o tamanho faz diferença em certos momentos, todas foram unânimes: não é só isso que define se o sexo será bom ou não.
Carolina destacou que, hoje em dia, todo mundo tem pressa em entregar uma boa performance. Para ela, “o sexo tem que ser curtido e apreciado, como um bom vinho, sem pirar em querer fazer 30 posições diferentes na mesma transa”.
Já Vitória acredita que o segredo esteja nas preliminares. É por esses caminhos que a excitação é construída para ela: “É impossível ter uma boa transa se ela não começar com uma preliminar melhor ainda”.
Fernanda reforça que, além de tudo isso, a importância da conexão emocional e da diversidade de estímulos conta muito. “Quando o sexo se resume apenas à penetração, perde-se muito do prazer. Ter uma boa conexão com a parceria é muito mais importante”.
Para Ludmila, a química e a entrega mútua são a cereja do bolo: “Quando existe entrega, atenção ao outro e química, o sexo é bom, independentemente do tamanho. O pênis grande pode impactar de cara, mas não sustenta sozinho a qualidade da experiência”.
*os nomes foram alterados a pedido das personagens para preservar as identidades.









