Cultura

Por Priscilla Geremias


Tasha e Tracie — Foto: Steff Lima
Tasha e Tracie — Foto: Steff Lima

“Essas são as meninas que os meninos gostam.” O verso da funkeira paulistana MC Mernorzinha, longe dos palcos desde 2012, embala os shows de Tasha e Tracie, 27 anos. Da plateia, ocupada em sua maioria por mulheres, soa como um grito de guerra. “É até difícil de acreditar”, diz Tracie. As cantoras gêmeas, que começaram como DJs, traçam o caminho do reconhecimento desde a adolescência, quando se tornaram referência de moda nas redes sociais, onde são conhecidas como as “It Favela”.

Com o corre e as mudanças, estão mais que acostumadas. “Nossa infância foi bagunçada, cada hora estávamos em uma casa”, lembra Tasha. O aluguel apertava e a família Okereke buscava um novo lar, sempre na periferia de São Paulo. Aliás, são do Jardim Peri as principais lembranças da dupla que carrega o sobrenome do pai nigeriano, James. “Além da influência da rua, da família da nossa mãe, Rose, tínhamos contato constante com as culturas africanas. Da música à comida e roupas”, contam.

James tinha um restaurante de comida africana no centro de São Paulo, onde costumava receber uma clientela de imigrantes. Com isso, as filhas aprenderam inglês e alguns dialetos, mas também foram alvo de racismo e xenofobia. “Na rua, gritavam ‘voltem para o seu país’, nos xingavam de macaco. E ainda éramos zuadas por vestir roupas africanas”, diz Tracie. “Nasci com a boca que elas compra/Cacho de colombiana/Unha de brasileirinha/ Aquilo que em você não brilha”, cantam em “Amarrou”.

“A identidade visual dos conteúdos que a gente consumia fez com que nosso interesse por moda fosse crescendo. Aí foi natural querer trabalhar com isso no blog”, explica Tracie. Entre 2014 a 2018, as irmãs publicaram em ExpensiveShit.blogspot.com tutoriais de maquiagem, looks dos bailes que frequentavam e reflexões sobre temas como abordagem policial em jovens negros, sexo e energia espiritual. Além de, claro, muita música. “Somos África, rap, rua! E não damos a mínima para sua etiqueta” é o slogan do site que inspirou meninas da periferia a customizarem roupas de brechós, como fazem as irmãs.

Foi por causa do blog que Tasha e Tracie ganharam repercussão internacional. Em 2015, foram as primeiras brasileiras a serem citadas no portal do AFROPUNK, maior festival de celebração à cultura negra do mundo. Com isso, passaram a receber convites para publicidade, consultorias e criação de peças de moda. Tudo feito com o cenário das ruas e da casa simples no Jardim Peri.

Com 16 anos, frequentavam a Batalha da Santa Cruz, um espaço aberto para rimas na saída do Metrô Santa Cruz. “Ali, assistimos mulheres que viraram nossa referência”, lembra Tasha. Mas elas precisavam de dinheiro, não dava para começar a carreira com rimas, como gostariam. Começaram então na discotecagem. “Pediam para tocarmos nossas músicas preferidas e topamos”, conta Tracie. Aprenderam tudo “na marra”, sem os equipamentos necessários e sob olhares julgadores. E, graças à curadoria musical da dupla, deu certo.

Enquanto o set das irmãs fazia sucesso na noite, elas ensaiavam dar um novo passo, dessa vez como MCs. “Desde pequena tinha a certeza de que queria fazer música, mas, por respeito ao Hip Hop, não tinha coragem”, diz Tracie. Pois passou a ter. “Ali, enxergamos o que nosso trabalho tinha para oferecer ao movimento”, completa.

No primeiro EP, Rouff, lançado em 2020 em parceria com a multilinguagens Ashira, que chegou a um milhão de streamings, as gêmeas assinam as composições, os looks e a direção de arte. O segundo EP, Diretoria, foi escolhido como Disco do Ano pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA). A dupla que tocou ainda com Gloria Groove e Don L, e se preparam para lançar seu primeiro álbum, Immature. Enquanto isso, se apresentam em festivais como CENA 2K22, Coala Festival e Primavera Sound São Paulo e lotam casas de shows Brasil afora. “É surreal. Quando estamos longe de casa então, com público diverso e toda a comunidade LGBTQIPA+, quase não acreditamos”, diz Tracie. Ela e a irmã têm agenda lotada até o fim do ano.

Mais recente Próxima Após 16 anos afastadas, Rouge anuncia show especial no Rio de Janeiro
Mais do Marie Claire

Ex-sister conversa com a Marie Claire sobre rotina intensa após o reality, as amizades que se mantiveram e e os desafios de se dividir entre compromissos profissionais e culturais no Amazonas

Como Marciele Albuquerque concilia pós-BBB com o festival de Parintins: 'Maior loucura'

Participante comentou desdobramentos de caso recente e falou sobre os rumos da relação entre as duas fora do reality. Em conversa com a Marie Claire, a ex-sister detalhou o vínculo com a campeã desta edição

Milena, do 'BBB 26', explica como está amizade com Ana Paula Renault após polêmica no Dia das Mães: 'Fiz o que bem entendi'

Em conversa exclusiva com a Marie Claire, a artista contou detalhes das mudanças físicas e do processo de construção do papel

Alice Carvalho revela mudanças no olho e cabelo para viver Marta em novo filme: 'Personagem desafiadora'

Artista falou sobre o desejo de aumentar a família e contou como imagina a futura maternidade

Giovanna Lancellotti revela planos para engravidar em 2027 e diz que pretende ter até três filhos: 'Muita vontade de ser mãe'

Com preços a partir de R$ 78,47, selecionamos modelos bivolt com tecnologia iônica e até 1300W de potência para garantir agilidade e efeito de salão sem pesar no bolso

Escova secadora com 60% off no Magalu; 4 opções para um cabelo de salão

Apresentadora visitou espaço dedicado à trajetória da comunicadora e relembrou momentos marcantes da televisão brasileira

Patrícia Poeta se emociona ao conhecer acervo de Hebe Camargo: 'Senti imediatamente a energia dessa pessoa'

Artista apostou em um look grifado para Prêmio Sim à Igualdade Racial, que acontece na noite desta quarta-feira (13) e tem duas categorias apresentadas por ela

Bella Campos reflete sobre ausência de referências na mídia: 'Sei o impacto disso para os nossos sonhos’

Artista compartilhou registros da viagem e recebeu uma enxurrada de comentários dos fãs; veja os cliques

Paolla Oliveira ganha elogios ao abrir álbum de fotos na Itália: 'Por aí'

A premiação acontece nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro

'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial