Cultura

Por Camila Cetrone

Há alguns carnavais os blocos segmentados começaram a aparecer. A ideia é, justamente, separar os foliões e criar um espaço exclusivo para determinado grupo. Ou tentar. Isso fica bem claro nos blocos criados por mulheres e para mulheres. Eles não se intitulam obrigatoriamente feministas ou proíbem a presença masculina, mas deixam claro que as mulheres são seu público privilegiado e que a presença delas deve ser, acima de qualquer coisa, respeitada. O resultado? As organizadoras garantem que o clima, sobretudo, é de mais segurança, liberdade e sororidade.

Aqui, reunimos blocos criados por mulheres e para elas que acontecem entre os dias 18 e 21 de fevereiro – todos encontrados na agenda oficial das cidades. As opções estão espalhadas por São Paulo, Rio de Janeiro, Olinda, Salvador e Belo Horizonte. Prepare a fantasia e se jogue na festa!

São Paulo (SP)

Dramas de Sapatão

Criado por mulheres LBT, o bloco engrossa o coro carnavalesco contra o preconceito e celebra a existência da comunidade LGBTQIAP+. Pessoas cis-hétero também são bem-vindas.

Onde: Rua Santa Isabel x Rua Bento Freitas - República

Quando: Sábado, 18 de fevereiro, às 12h

Ilú Obá De Min

O bloco já se tornou um marco do Carnaval de rua paulistano ao levar para a rua o fortalecimento das mulheres negras e promover as culturas africana e afro-brasileira. Neste ano, o tema do Ilú Obá De Min feminista é 'Akíkanjú: Pensamento e Bravura de Sueli Carneiro’, que homenageia o pensamento e a bravura da intelectual e ativista antirracista brasileira.

Onde: Rua Conselheiro Brotero, 195 - Centro

Quando: Domingo, 19 de fevereiro, às 13h

 Ilú Obá De Min — Foto: Victor Moriyama/Getty Images
Ilú Obá De Min — Foto: Victor Moriyama/Getty Images

Bloco Shereka

Bloco formado por e para mulheres, seu nome faz um trocadilho cômico com a personagem Fiona, da animação Shrek, e desfila pela visibilidade e resistência feminina. Opção descontraída e segura para mulheres LBT e pessoas não binárias que amam mulheres.

Onde: Rua Manuel Gaya, 806 a 613 - Vila Nova Mazzei

Quando: Domingo, 19 de fevereiro, às 13h

Siriricando

É mais uma opção de espaço seguro e de diversão garantida para mulheres lésbicas e bissexuais, cis e trans. Além de levar o brejo [apelido carinhoso para a comunidade lésbica] para a rua, o ato também celebra e afirma a liberdade, autonomia e o prazer entre mulheres.

Onde: Rua Rego Freitas, 56 Centro

Quando: Segunda-feira, 20 de fevereiro, às 14h

Pirikita em Chamas

Retornando às ruas para sua segunda edição, o bloco entoa o repertório de mulheres sambistas e cria espaço para celebrar a liberdade sexual e de expressão. Neste ano, o bloco homenageará o legado da sambista Beth Carvalho. Quer aderir ao dress code? Vá de vermelho!

Onde: Pateo do Collegio - Sé

Quando: Terça-feira, 21 de fevereiro, às 11h

Pagu

Com uma bateria totalmente formada por mulheres, o bloco celebra a vida e obra de mulheres que marcaram a música brasileira e do mundo – tudo isso com a missão de exaltar a liberdade individual da mulher e a equidade de gênero. Por lá, o repertório tem Carmem Miranda, Aretha Franklin, Dona Ivone Lara, Gal Costa, Rita Lee, Alcione, Margareth Menezes e até Beyoncé.

Onde: Av. Ipiranga x Av. São João - Centro

Quando: Terça-feira, 21 de fevereiro, às 11h

Rio de Janeiro (RJ)

Mulheres da Vila

Fundado há 13 anos, é um bloco de samba fundado por mulheres, que também integram praticamente toda a formação da bateria. Pensado para proporcionar para as foliãs um ambiente livre de assédio e importunação.

Onde: Basílica Nossa Senhora de Lourdes - Vila Isabel

Quando: Terça-feira, 21 de fevereiro, às 15h

Olinda (PE)

Bloco Vacas Profanas desfila em Olinda no dia 20 de fevereiro — Foto: Acervo pessoal
Bloco Vacas Profanas desfila em Olinda no dia 20 de fevereiro — Foto: Acervo pessoal

Soul Delas

Com mais de 10 anos de existência, o bloco faz a batucada rolar solta e o samba é obrigatório. O projeto é formado por um grupo de samba composto apenas por percussionistas mulheres.

Onde: Largo do Mosteiro de São Bento - Varadouro

Quando: Sábado e segunda-feira, 18 e 20 de fevereiro, às 9h

Sambadeiras

Considerada a primeira e maior bateria feminina de Samba de Olinda, formada por mais de 150 mulheres, o bloco leva desde 2014 a pluralidade e igualdade de gênero às ruas. O repertório é formado por grandes composições da música brasileira em ritmo de samba – como a canção ‘Lilás’, de Djavan, que é o hino do grupo.

Onde: Ladeira da Misericórdia - Carmo

Quando: Domingo e terça-feira, 19 e 21 de fevereiro, às 10h

Bloco Vacas Profanas

Um dos mais expressivos blocos feministas do Brasil, o Vacas Profanas volta às ruas de Olinda com seu cortejo que celebra a diversidade e a liberdade dos corpos de mulheres cis e trans. Fique à vontade para curtir com os seios à mostra ou com fantasias de animal print de vaca. Homens podem participar do desfile, mas o protagonismo é das mulheres.

Onde: Praça dos Milagres - Varadouro

Quando: Segunda-feira, 20 de fevereiro, às 14h

Bloco Siririx

É um bloco feminista que defende a liberdade dos corpos e do prazer feminino. Na ocasião, se apresentará ao lado de outros blocos feministas. É aberto a mulheres cis e trans de todas as orientações sexuais, além de pessoas não binárias, transmasculines e homens cis – mas lembre-se: o protagonismo é delas!

Onde: Estrada do Bonsucesso

Quando: Terça-feira, 21 de fevereiro, às 8h30

Salvador (BA)

Afoxé Filhas de Gandhy — Foto: Reprodução/Instagram
Afoxé Filhas de Gandhy — Foto: Reprodução/Instagram

Didá

A banda por trás do bloco, que existe há 25 anos, é formada por 80 mulheres negras e embala os visitantes com a sonoridade da regueira. Apesar de ter sido fundada pelo pai do samba-reggae, Neguinho do Samba, com apoio do norte-americano Paul Simon, a Banda Didá se destaca como um símbolo de emancipação feminina – não só no Carnaval, mas também no restante do ano.

Onde: Circuito Osmar (Campo Grande)

Quando: Sábado e segunda-feira, 18 e 20 de fevereiro, a partir das 10h

A Mulherada

Com mais de 20 anos de existência, a banda homenageia as raízes ancestrais das mulheres negras e tem como missão o combate à violência doméstica e o apoio aos direitos das mulheres

Onde: Circuito Barra/Ondina (Dodô)

Quando: Domingo e terça-feira, 19 e 21 de fevereiro, a partir das 15h

Afoxé Filhas de Gandhy

Feminista em sua essência, o bloco é histórico por ter introduzido às mulheres ao Carnaval de rua de Salvador. Surgiu em 1979 como uma resposta ao Afoxé Filhos de Gandhy, que só permitia a filiação de homens, e como uma maneira de promover a ascensão política e social de mulheres, bem como sua cultura e ancestralidade.

Onde: Circuito Barra/Ondina (Dodô)

Quando: Segunda-feira, 20 de fevereiro, a partir das 15h30; e Terça-feira, 21 de fevereiro, a partir das 16h30 no contra fluxo

Belo Horizonte (MG)

Truck do Desejo — Foto: Reprodução/Instagram
Truck do Desejo — Foto: Reprodução/Instagram

Baque de Mina

O bloco, que completa dez anos neste Carnaval, é formado por um grupo percussivo só de mulheres feministas que tocam maracatu de baque virado. Serão apresentadas composições autorais que exaltam a força da mulher e a militância feminista.

Onde: Praça Afonso Arinos - Centro

Quando: Terça-feira, 21 de fevereiro, às 14h

Truck do Desejo

Criado em 2018 por um conjunto de namoradas, ex-namoradas e ex-peguetes – como definem –, o bloco agita com um repertório eclético, que prioriza músicas compostas por mulheres lésbicas e bissexuais. Em 2023, com o tema “Você me abre seus braços e a gente faz um cortejo”, convida mulheres lésbicas e bissexuais, cis, trans e pessoas não binárias para exaltar a força da mulher sapatona.

Onde: Avenida Augusto de Lima - Barro Preto

Quando: Terça-feira, 21 de fevereiro, às 8h

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