Philippine Leroy-Beaulieu: 'Eu e Sylvie Grateau somos irônicas e, se ela é sensual, talvez eu seja um pouco também'
Na pele de Sylvie Grateau em Emily em Paris, a atriz franco-italiana virou ícone de moda e, assim como sua personagem, preza pela liberdade e não tem qualquer preocupação com envelhecimento
Por Priscilla Geremias, Redação Marie Claire
Ao buscar o nome de Philippine Leroy-Beaulieu na internet, todas as notícias exaltam seu visual fashionista, das aparições nos tapetes vermelhos à primeira fila das semanas de moda. Desde que estreou na série Emily em Paris, na Netflix, em dezembro de 2020, a atriz franco-italiana virou um ícone de moda. Mas ela não se vê assim. “Apenas gosto de estar feliz e de viver uma nova experiência com as roupas que visto”, diz ela, que aparece de suéter de gola alta na videoconferência com Marie Claire.
Mas a moda não entrou em sua vida apenas quando ela passou a viver a personagem francesa Sylvie Grateau, chefe da norte-americana Emily Cooper (Lily Collins). O interesse por esse universo vem de berço. Sua mãe, Françoise Laurent, foi modelo e trabalhou na Dior. “Aprendi o bom gosto com ela e gosto de roupas bonitas. Quando me visto para algo especial é como se eu estivesse interpretando um personagem”, conta.
A escolha pela carreira no ramo audiovisual é influência do pai, o renomado ator francês Philippe Leroy-Beaulieu. Ela nasceu em 1963, mesmo ano em que ele se tornou conhecido pelo clássico 55 Dias em Pequim, e decidiu que seria atriz aos 12 anos, quando viu a bailarina Carla Fracci em O Lago dos Cisnes. Aos 16, começou a estudar teatro em Paris.
Philippine também experimentou a fama global antes de Sylvie, desde que ganhou seu primeiro papel no filme Festa Surpresa, de Roger Vadim. Dois anos depois, estrelou Três Homens e um Berço, pelo qual foi indicada a Melhor Atriz Revelação no Prêmio César. O longa ganhou o Oscar de Melhor Filme da Academia Francesa de Cinema em 1986 e foi indicado ao Oscar na categoria Melhor Longa-Metragem Internacional.
Enquanto a quarta temporada da série não estreia – a previsão é 2024 –, ela aparece na produção de suspense Conexões, na Apple TV+, mas recusa todas as ofertas para trabalhar nos Estados Unidos. Segundo ela, as propostas são para papéis muito parecidos com o de Sylvie. “Ela é ótima. Não preciso de outra que não seja tão boa”, diz. Outro motivo para a recusa é que ela ama viver na Europa.
Outro lugar no mundo ganhou seu coração: o Brasil. Ela veio ao país pela primeira vez em 1985, no Festival do Rio, e acabou ficando mais duas semanas, entre Búzios e Paraty. Voltou em 1991 com a filha bebê e passou seis meses em São Paulo, onde conheceu as praias do litoral norte. A atriz também visitou o Nordeste e retornou várias vezes ao longo de 12 anos. Aprendeu português e escuta música brasileira. “Minha maior saudade são as pessoas.”
Leroy-Beaulieu costuma dizer que os franceses não têm senso de humor. Mas é nisso que se parece ainda mais com Sylvie. “Somos irônicas e, se ela é sensual, talvez eu seja um pouco também”, reflete. Além da atitude de “não dou a mínima”. Aos 60 anos, ela preza pela liberdade e não tem qualquer preocupação com envelhecimento. “Cuido de mim, mas não sou obcecada. Acho que a beleza é mais sobre quem você é.”









