Curadora do Masp afirma que museu está 'mais próximo em escuta e respondendo com acolhimento'
Amanda Carneiro viveu de perto o impacto de sucessos recentes do Museu de Arte de São Paulo, como a exposição de Claude Monet, que, neste ano, bateu recordes de público e evidenciou o diálogo cada vez mais estreito entre instituição e a sociedade. Uma das Mulheres do Ano, ela conta sua trajetória até se tornar gestora cultural
Para a jovem nascida no Capão Redondo – em meio à efervescência cultural que moldou grupos como Racionais MC’s –, Amanda Carneiro teve seu primeiro contato com a arte pela música. Mas foi nas linguagens visuais que verdadeiramente se encontrou, por enxergá-las como um modo de pensar o mundo antes mesmo das palavras. Desde a infância, sua história se entrelaça com o Museu de Arte de São Paulo: em um dos passeios com a mãe, que sempre incentivou visitas a espaços culturais, Amanda viu pela primeira vez os icônicos cavaletes de vidro. “É marcante na vida de qualquer pessoa”, lembra.
Movida pela curiosidade e por uma profunda vontade de compreender, Amanda descobriu a vocação para a curadoria. “Meu interesse estava nas relações que elas criam e na possibilidade de organizar narrativas e fazer perguntas”, explica. Essa compreensão tornou-se o norte de sua trajetória: criar diálogos entre arte e público como forma de ampliar, e não restringir.
Hoje curadora do Masp, ela já assinou diversas “primeiras exposições” para artistas historicamente marginalizadas. Desde 2016, integra o programa de História Social do museu, dedicado a temas contemporâneos como feminismo, sexualidade e negritude. De Sônia Gomes a Conceição dos Bugres, Amanda articulou mostras individuais que, pela primeira vez, concederam a essas artistas o protagonismo que sempre mereceram. Um mento que ela descreve como “agridoce” – uma realização, mas também um lembrete da demora histórica.
Amanda também viveu de perto o impacto de sucessos recentes do Masp, como a exposição de Claude Monet, que, neste ano, bateu recordes de público e evidenciou o diálogo cada vez mais estreito entre o museu e a sociedade. “O Masp está mais aberto, mais próximo em escuta e respondendo com acolhimento”, afirma.
Em um 2025 marcado pelo maior número de visitantes da história do museu, o efeito é nítido: a arte exposta ressoa porque encontra o público. Os desafios, reconhece Amanda, ainda são muitos. Mas sua missão permanece firme: “É muito fácil esquecer que, no exercício da liberdade, também é preciso ser feliz”.









