La Toya: vida da irmã de Michael Jackson teve casamento forçado e perdão do cantor após acusações
Hoje com 69 anos, cantora teve uma vida marcada por violências; em 1993, chegou a acusar o irmão publicamente após um denúncia de abuso infantil. Anos depois, conseguiu o seu perdão após alegar que foi forçada pelo então marido
A chegada do filme Michael aos cinemas fez reaparecer a controversa figura de La Toya Jackson. Irmã do “Rei do Pop”, ela tem uma trajetória na vida pública muitas vezes atrelada aos irmão, o que a fez se tornar uma personagem controversa após uma vida profundamente marcada por violências.
Hoje com 69 anos, ela tem feito cada vez menos aparições públicas. Isso porque enfrenta problemas de saúde não revelados desde 2025. Em algumas oportunidades, chegou a ir ao hospital e preocupou os fãs. Ela vive uma vida reclusa em uma mansão na Califórnia, nos Estados Unidos, e não faz mais apresentações em público.
Relação turbulenta com o pai
Em sua autobiografia ‘La Toya: Growing Up in the Jackson Family’, lançada em 1991, a cantora afirma ter sofrido abusos físicos e emocionais de seu pai, Joe Jackson, durante a infância. No livro, ela disse que cresceu ao lado dos irmãos em um ambiente familiar rigoroso e controlador, em que a postura severa do pai buscava apenas o sucesso da carreira dos filhos.
No livro, ela também conta que pregava ao lado dos irmãos por incentivo do pai. A família era Testemunha de Jeová. "Todas as manhãs, Michael e eu testemunhávamos, batendo de porta em porta em Los Angeles, espalhando a palavra de Jeová", conta.
Ao longo dos anos 80, La Toya viveu um sucesso moderado na música. Chegou a lançar quatro álbuns entre 1980 e 1986, mas nunca alcançou o topo como seu irmão faria. No ano seguinte, 1987, ela viveria um novo capítulo na vida pessoal que a fez enterrar sua carreira musical.
Casamento forçado
Em 1987, Joe Jackson decidiu contratar um novo empresário para cuidar da carreira da filha, Jack Gordon. Ambicioso, ele pretendia mudar drasticamente a carreira de La Toya, investindo em um visual mais sexy e provocativo.
Na autobiografia ‘My Family: The Jacksons', a mãe de La Toya, Katherine Jackson, diz que ficou em choque ao ver a filha dançando de forma sugestiva e ousada ao se apresentar na televisão. “Ela era tão conservadora que certa vez se afastou de uma amiga que começou a usar blusas decotadas e saias com fendas". Aos poucos, Gordon começou a afastar La Toya da família e passou a controlar totalmente seu acesso à mídia e amigos. Em 1989, os dois se casaram. Em 2011, em um novo livro, ‘Starting Over', La Toya alegou que o casamento foi forçado.
“Eu não me casei com o falecido Jack Gordon, ele se casou comigo. Foi uma decisão forçada. Ele me trancaria em um armário e, se eu não agisse normal depois, com um sorriso, ou se eu mostrasse a minha dor, eu levaria outra surra. Eu não podia ler revistas ou jornais ou ter amigos. Eu não podia tocar em um telefone”.
La Toya começou a aparecer com hematomas e sinais de violência e era obrigada a fazer trabalhos com os quais não concordava. Ela apareceu seminua em uma edição da Playboy, gerando surpresa na família. Em 1990, a cantora foi fotografada com olhos roxos por fotógrafos em Roma, na Itália. Para afastar os rumores, Gordou foi à imprensa e disse que a suíte do casal foi invadida por homens armados. "Jackson, de 31 anos, ficou gravemente ferida no ataque e está se recuperando em sua casa em Londres, para onde retornou após o incidente, disse seu empresário, Jack Gordon", dizia uma reportagem publicada pelo Los Angeles Times em junho daquele ano.
A cantora só conseguiu o divórcio em 1996, quando pediu ajuda do irmão, Randy. Na época, ela disse que Gordon pretendia colocá-la em um filme pornográfico, o que ela considerou inaceitável. O casamento foi dissolvido com base em leis que protegem mulheres de violência física e psicológica. Após a separação, ela retomou o contato com Michael Jackson e a família.
O pedido de perdão para Michael
A relação de La Toya e Michael Jackson foi sempre tumultuada, sobretudo porque era mediada por interesses de terceiros. Em seus primeiros álbuns, a cantora contou com a ajuda do irmão, que compôs e produziu faixas ao seu lado. Após seu casamento com Gordon, a relação se deteriorou rapidamente.
Em 1993, Evan Chandler, um dentista e roteirista vizinho de Michael em Los Angeles, acusou o cantor de abusar sexualmente de seu filho de 13 anos, Jordan Chandler. Na época, o caso foi levado à Justiça e gerou um escândalo sem precedentes na família.
La Toya Jackson passou a ir em programas de televisão comentar o caso. Em 1993, durante uma entrevista ao programa ‘Today', da ABC, La Toya Jackson, declarou que apoiava o irmão. "Eu apoio mil por cento... Se você pensar bem, ele foi condenado antes de um julgamento."
Só que as falas da cantora foram se tornando mais condenatórias. Dois meses depois, ela voltou ao mesmo programa para dizer que sabia que o irmão tinha um comportamento inapropriado. "Eu sei que ele recebia meninos em casa o tempo todo e eles ficavam no quarto dele por dias. Depois, eles saíam... Aparecia outro menino e ele trazia mais alguém, mas nunca dois ao mesmo tempo”. Na época, chegou a dizer que o irmão era pedófilo.
Só em 2003, La Toya afirmou publicamente que não tinha prova alguma do que disse e que foi forçada por Gordon a destruir a carreira do irmão. "Eu amo meu irmão ... Michael é uma das pessoas mais doces deste mundo. Você não tem ideia. Ele é tão incompreendido", declarou ela na época em entrevista ao correspondente da ABC News, Don Dahler.
Naquele ano, Michael Jackson perdoou a irmã. Em 2011, já após a morte do cantor, ela disse ao programa "Access Hollywood Live", o que o cantor disse.
"Ele disse: 'La Toya, eu sei o que você vai dizer. Você não precisa. Eu te conheço, conheço seu coração. Sei que você nunca faria nada para me magoar. Eu sei que ele te fez fazer isso, eu sei que ele te fez fazer a 'Playboy'".
Michael Jackson morreu em 2009.









