7 livros de maio em que mulheres usam a lente do presente para ressignificar as opressões do passado
De ensaios científicos a ficções inquietantes, entre arquivos íntimos e urgências contemporâneas, os lançamentos de maio expõem nossas fraturas íntimas, políticas, biológicas e culturais
Negras maneiras de vestir, de Hanayrá Negreiros (Paralela; 160 págs.; R$ 69,90)
O livro de estreia de Hanayrá Negreiros é um convite para tirar o pó de antigas gavetas e resgatar raízes familiares. Em Negras maneiras de vestir, a historiadora e pesquisadora de moda utiliza roupas e memórias de suas antepassadas para descortinar narrativas invisibilizadas. O projeto nasceu durante a pandemia, quando, ao organizar antigos documentos, a autora encontrou o impulso para reconfigurar sua própria história e ampliá-la para o coletivo, dando luz a vivências da diáspora negra no Brasil. Por meio de fotografias e consultas a acervos institucionais, Negreiros usa a costura como fio condutor para mostrar como o vestir também pode ser uma ferramenta de conexão com a ancestralidade.
Terra de empusas: uma história de horror no sanatório, de Olga Tokarczuk (Todavia; 336 págs.; R$ 99,90, Trad. de Luiz Henrique Budant)
Um século após a publicação do clássico A montanha mágica, Olga Tokarczuk se apropria do universo ficcional de Thomas Mann para propor uma nova leitura. Mesclando horror, ironia e parábola feminista, a ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 2018 reinventa o enredo original partindo do mesmo cenário. Em um sanatório ambientado na virada do século 20, um estudante de engenharia procura se curar da tuberculose – em uma época em que o único remédio conhecido era descanso no ar fresco das montanhas. Enquanto os hóspedes discutem a suposta inferioridade feminina, rumores de mortes e rituais atribuídos a bruxas (as empusas) passam a rondar o local, atraindo o jovem para o obscuro.
Entre a palavra e a imagem, de Verena Smit (WMF Martins Fontes; 114 págs.; R$ 200)
Verena Smit é fotógrafa de formação, mas sua prática extrapola a imagem. Em 2015, a paulistana publicava seus trabalhos no Instagram quando foi descoberta por Alessandro Michele – então diretor criativo da Gucci –, que a convidou para contribuir com a marca. Desde então, a multiartista tem se destacado por entremear fotografia e poesia na construção de narrativas visuais. Em seu segundo livro, Entre a palavra e a imagem, ela percorre sílabas e incorpora registros urbanos à sua estética em preto e branco para explorar temas como identidade, pertencimento e amor.
Cláudia Vera Feliz Natal, de Mariana Salomão Carrara (Todavia; 232 págs.; R$ 84,90)
Duas vezes vencedora do Prêmio São Paulo de Literatura, Mariana Salomão Carrara é um dos nomes mais celebrados da literatura brasileira contemporânea. Em seu novo romance, ela se debruça sobre os meandros do universo jurídico. Intimado a prestar contas pela lentidão na resolução de um caso sensível, um jovem magistrado decide narrar sua própria trajetória – que passa pelas cidades de Cláudia, Vera e Feliz Natal, localizadas no interior de Mato Grosso. Por meio de histórias extravagantes, a autora paulistana destrincha o absurdo e o cômico de um sistema que, ao tentar regular a vida, revela suas próprias fissuras.
A história dos vertebrados, de Mar Garcia Puig (Bazar do Tempo; 304 págs.; R$ 92; Trad. de Be RGB)
Após dar à luz gêmeos e ser eleita como deputada na Câmara espanhola no mesmo dia, Mar Garcia Puig foi arrebatada por um colapso mental. Os acontecimentos desse período de sua vida a motivaram a escrever esta obra, em que propõe uma nova leitura sobre a relação entre maternidade e seus impactos na saúde mental das mulheres. Por meio de suas próprias memórias e relatos de outras mães, a autora barcelonense entrelaça perspectivas de mitologia, arte e história da medicina para investigar como as expectativas sociais contribuem para a patologização da experiência materna.
Mãe de menino, de Ruth Whippman (Planeta; 384 págs.; R$ 79,90; Trad. de Andresa Vidal)
“Pela primeira vez, eu estava realmente com medo de ser mãe de menino.” Em 2017, Ruth Whippman já tinha dois filhos e aguardava o terceiro. Com a explosão do movimento #MeToo e o avanço de novas discussões sobre masculinidade, a jornalista britânica se viu diante de uma inquietação: como criar os homens do futuro? A partir de sua experiência e de uma extensa investigação, Whippman constrói um olhar feminista sobre a educação de garotos e defende o debate sobre saúde mental, sexualidade e uso da tecnologia como caminho para formar homens mais empáticos.
O cérebro da mulher, de Lisa Mosconi (HarperCollins; 464 págs.; R$ 74,90; Trad. de Cristina Yamagami)
Lisa Mosconi costuma dizer que é filha do Alzheimer. Nascida em uma família em que o pai e a avó morreram como resultado da doença, a neurocientista dedica sua carreira a investigar seus sintomas e conscientizar o público sobre a importância do aprimoramento cognitivo. Seu novo livro representa um marco científico: é o primeiro a se dedicar exclusivamente à saúde neurológica feminina. Ao mapear as transformações provocadas pela menopausa e o impacto dos hormônios no cérebro, Mosconi articula pesquisas sobre estresse, sono e alimentação para construir um guia de prevenção cognitiva pensado especificamente para mulheres.









