Tatiana Weston-Webb celebra poder representar as mulheres brasileiras no surfe: 'Mudou minha vida'
Em entrevista com Marie Claire, a medalhista olímpica celebra sua conquista histórica nos Jogos Olímpicos 2024, fala sobre sua conexão com o Brasil e o que pretende fazer logo que chegar ao país: 'Churrasco de comemoração'
Tatiana Weston-Webb fez história no Taiti. Com a conquista da medalha de prata nas Olimpíadas de 2024, a surfista se tornou a primeira brasileira a subir num pódio olímpico na modalidade — deixando seu legado no esporte que só tem aumentado com o passar dos anos. “Ainda estou processando tudo que vivi, foi uma experiência inesquecível com momentos que vou levar para vida toda”, celebra a atleta em entrevista exclusiva com Marie Claire.
O feito nos Jogos Olímpicos é resultado de uma vida dedicada ao surfe. Ela, que é filha do surfista inglês Douglas Weston-Webb com a bodyboarder Tanira Guimarães, desenvolveu paixão pelo esporte desde pequena. Quando decidiu se profissionalizar, recebeu apoio incondicional dos pais. “Sem eles eu nunca chegaria até aqui”, declara a gaúcha.
Tati tem feito seu nome no surfe feminino: além da prata em Paris, foi ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, em 2023, e também já venceu duas etapas no circuito mundial de surfe -- uma em 2016, quando ganhou a competição em Huntington Beach, nos Estados Unidos, e outra em 2021, na etapa realizada em Margaret River, Austrália.
“Acredito que minhas conquistas inspiram [outras meninas] a correrem atrás de seus sonhos também, e desejo que mais mulheres alcancem esse lugar e que nosso espaço no esporte cresça cada vez mais. O surfe feminino está evoluindo e podemos perceber isso com a nova geração que está quebrando barreiras”.
Conexão com o Brasil
Apesar de ter nascido no Rio Grande do Sul, Tatiana mudou-se ainda criança para o Havaí com a família. Muitas tradições brasileiras, no entanto, a mantiveram conectada com seu país natal. “Nós tínhamos o costume de comer arroz e feijão quase todo dia. Além disso, eu sempre ia para Porto Alegre visitar a minha família, passava as férias em Garopaba”, recorda.
Até 2018, a surfista participava dos campeonatos representando o Havaí. Quando recebeu o convite do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para competir pelo Brasil, não pensou duas vezes antes de aceitar. “Mudou minha vida”, garante Tati.
Casada com o surfista profissional brasileiro Jesse Mendes desde outubro de 2023, a atleta ainda afirma que seu relacionamento trouxe de volta o costume de falar em português. E, mesmo sem ter conseguido voltar para o país depois da conquista olímpica, Tati pretende retornar em breve: “Estarei de volta para fazer um churrasco de comemoração!”.
Confira a entrevista na íntegra:
MARIE CLAIRE Você fez história nessas Olimpíadas. Como foi ser a primeira surfista brasileira a ganhar uma medalha na competição e o que representa essa conquista?
TATIANA WESTON-WEBB Foi um sonho realizado, uma sensação incrível. Sonho em ganhar uma medalha desde criança. Foi um dia muito especial pra mim, surfar a minha onda preferida e ainda ganhar medalha, representando o meu país. Estou feliz e orgulhosa do meu trabalho, porque sei o quanto me dediquei para isso.
MC Muitas meninas te veem como um modelo a ser seguido, principalmente agora com um marco histórico. Como você se sente sendo esse ídolo para uma geração mais nova?
TWW É uma honra representar o Brasil no surfe e fico muito feliz por inspirar outras meninas. Acredito que minhas conquistas as inspiram a correrem atrás de seus sonhos também, e desejo que mais mulheres alcancem esse lugar e que nosso espaço no esporte cresça cada vez mais. O surfe feminino está evoluindo e podemos perceber isso com a nova geração de meninas que estão quebrando barreiras.
MC Como você cuida da sua saúde mental, ainda mais sendo uma atleta de alto rendimento?
TWW É muito importante se preparar fisicamente, mas também mentalmente para estar pronta para todas as competições. Então faço algumas coisas que me ajudam a controlar a ansiedade e o estresse, como a prática da yoga e, principalmente, terapia.
MC Você nasceu no Brasil, mas foi logo pequena para o Havaí. Como manteve suas raízes brasileiras enquanto morava no exterior?
TWW Muitas coisas brasileiras me mantiveram conectada com o país mesmo morando no Havaí. Nós tínhamos o costume de comer arroz e feijão quase todo dia. Além disso, eu sempre ia para Porto Alegre visitar a minha família, passava as férias em Garopaba. Isso faz parte da minha cultura, nós carregamos o Brasil no nosso coração. E depois, veio o namoro com o Jesse, meu marido atualmente, que também é brasileiro, então minhas raízes brasileiras sempre se mantiveram muito presentes na minha vida.
MC Em outras ocasiões, você citou o seu marido, que é brasileiro, como uma das razões para se reaproximar do seu contato com o país também. Como ele te motivou nessa reconexão?
TWW Exatamente. O Jesse é do Guarujá e ele me trouxe de volta o costume de falar português, tanto que eu aprendi várias gírias do litoral de São Paulo! [risos] Nós nos casamos em 2023 em Garopaba, na praia do Silveira, onde tenho muitas memórias especiais da minha infância. Além da minha família, o meu marido faz parte dessa reconexão.
MC Em outras competições você chegou a disputar pelo Havaí até se firmar como uma representante brasileira. Como foi feita essa decisão de representar o Brasil?
TWW Eu recebi um convite do COB [Comitê Olímpico Brasileiro] e achei natural a escolha porque sou brasileira, meu coração é brasileiro. Nasci em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e escolher representar o nosso país foi uma decisão incrível, mudou minha vida.
MC A sua vida foi moldada por essa paixão pelas ondas e pelo mar porque sua família também esteve envolvida com o surfe de um jeito ou de outro. Como sua família prestou apoio a você quando decidiu se tornar profissional?
TWW Minha mãe era bodyboarder e sempre competiu, então quando ela viu a minha paixão pelo surfe já começou a enxergar o meu talento e acreditar em mim. Sem esse apoio dos meus pais eu nunca chegaria até aqui. Minha mãe é a grande referência na minha vida, minha heroína.
MC Você ainda não conseguiu voltar para o Brasil para comemorar sua conquista nas Olimpíadas... Quais são seus próximos planos envolvendo o país?
TWW Queria muito ir direto para o Brasil para celebrar essa medalha, mas tenho a próxima etapa do campeonato mundial em Fiji começando já no dia 20 de agosto! Estou me preparando para continuar trazendo bons resultados para o nosso país. Em breve estarei de volta ao Brasil para fazer um churrasco de comemoração!
MC E agora, com essa medalha olímpica, o que você espera para o futuro da sua carreira?
TWW Agora estou aproveitando cada momento da minha primeira medalha olímpica. Eu amo surfar, cada vez que entro na água sinto um alívio, uma leveza mesmo. Quero continuar fazendo o que amo e trazer orgulho para o nosso país.









