'Fui embora com o circo depois de me apaixonar pelo homem do globo da morte'
Após um período na Europa, Moana Nara voltou ao Brasil. Ainda se recuperando de um antigo relacionamento, ela viveu uma história de amor digna de uma comédia romântica: apaixonou-se por um artista circense e decidiu seguir uma vida nômade ao lado de seu novo amor. Determinada, ela também passou a trabalhar no circo e se tornou mãe da Maitê, uma menina que simboliza a história inesperada do casal
"Morei quatro anos na Bélgica durante meu primeiro casamento. Vivi por lá até 2022, quando me separei e decidi que era hora de voltar ao Brasil. Foi uma fase difícil, emocionalmente eu estava instável. Após o meu retorno, minha irmã me convidou para ir ao circo. Ela disse que era para me distrair, já que eu estava chateada em casa.
Eu não queria, mas ela insistiu muito e conseguiu me convencer. Logo quando chegamos, fomos comprar os ingressos e eu vi o Luiz pela primeira vez. Ele estava parado, próximo à bilheteria. Achei ele bonito, mas não nos falamos naquele momento. Dentro do circo, estava conversando com minha irmã Mickaela e fiz até uma brincadeira, dizendo que eu estava apaixonada por aquele rapaz.
O problema é que eu não tinha levado meus óculos, então não conseguia enxergar muito bem. Pedi para ela me avisar caso ele aparecesse. Descobri naquele dia que o Luiz era motoqueiro do globo da morte, o que me deixou curiosa. Filmei o espetáculo e voltei a brincar na gravação: ‘Nossa, eu ainda vou morar nesse circo!’, eu disse animada."
"Durante o intervalo, ele foi até a barraca de churros. Estava sozinho, o que chamou minha atenção. Só que minha irmã o chamou e perguntou se ele era casado. Infelizmente, ele disse que sim e ficou por isso mesmo.
Duas semanas depois, levamos meu irmão mais novo para assistir ao mesmo espetáculo. Quando chegamos, o Luiz nos reconheceu na plateia. Não nos falamos pessoalmente, mas o palhaço do circo, seu amigo, me contou que ele havia se separado. Autorizei e ele passou meu número de celular. No mesmo dia, ele me convidou para sair.
No nosso primeiro encontro, fomos a uma boate em Uberlândia. Conversamos a noite toda sobre a vida dele. Queria saber mais sobre sua história, pois não conhecia muito bem como funcionava um circo. Essa era a vida dele, que tinha crescido nesse ambiente.
Na manhã seguinte, fui surpreendida por uma mensagem. Ele deixou claro o quanto estava pensando em mim e disse que queria sair de novo. Mesmo no início, o Luiz foi muito atencioso desde o início, não deixou nenhuma dúvida de que queria algo sério comigo. Sempre vinha me ver em casa, tomávamos café da manhã juntos, almoçávamos e ele ia aos espetáculos. Eu estava me apaixonando cada vez mais.
Quando o circo foi embora da minha cidade, por insegurança, eu briguei com ele, pensando que o que tínhamos era algo momentâneo. Luiz me tranquilizou, dizendo que tudo o que vivemos era real. Na época, ele trabalhava o dia todo e à noite ia para a minha casa. Ainda que gostasse dele, eu estava receosa em entrar nesse relacionamento, pois tinha acabado de sair de um.
Eu fiquei longe da minha família por quatro anos por causa do meu ex-marido, então estava receosa. Agora, estava recomeçando minha vida, trabalhando novamente no Brasil. Era muita informação e eu tinha que me organizar. Fiquei com medo, pois estava prestes a largar minha vida para começar algo com alguém que acabei de conhecer. Eu não sabia se iria dar certo. Além disso, eu nunca tinha trabalhado em circo. Sentia um receio grande em me envolver totalmente. Mas o sentimento falou mais alto e acabei indo morar com o Luiz no circo.
Essa mudança aconteceu aos poucos: primeiro, eu ia ajudá-lo com os espetáculos nos finais de semana em Franca, no interior de São Paulo. Meu marido comprava passagem para mim e eu ia. No domingo, ele me trazia de volta para Uberlândia e curtia a segunda-feira de folga comigo. Com o tempo, passei a ficar mais.
Comecei meu primeiro trabalho, fazendo a maquiagem das meninas do circo para conseguir estar mais tempo com ele. Assim, eu vinha e ficava uma semana inteira, depois voltava para casa. Foi então que descobri que estava grávida. Foi em dezembro, bem no Natal."
"Passei a ficar cada vez mais tempo por lá. O dono brincava, dizendo que eu poderia ser uma bailarina. Eu estava muito envolvida com a rotina e sempre dava uma desculpa para voltar. A verdade é que já não tinha mais volta. Eu sabia que ia morar com ele, e foi assim que comecei a entender a nossa situação.
Eu tinha muitas dúvidas e sentia muito medo da gravidez. Também estava apreensiva com a mudança. Por estar grávida, precisava de um médico que fizesse meu pré-natal e pudesse realizar meu parto. Tinha receio de não conseguir o acompanhamento que desejava e falei que queria fazer meu pré-natal em Uberlândia, onde tinha plano de saúde.
Grávida, nos casamos em um programa de televisão de São Paulo, que ficou sabendo sobre a nossa história e nos presenteou com a cerimônia. Luiz me pediu em casamento e tudo foi organizado pelo programa mesmo, foi uma festa muito bonita. Infelizmente, nem todos os nossos familiares puderam comparecer, mas os mais importantes, como nossos pais e irmãs, estavam lá. Foi uma celebração mais íntima. Mais tarde, fizemos outra cerimônia em Goiânia, onde a família do meu marido mora. Foi um momento especial, e a gente estava muito feliz com a nossa nova fase.
No final da gravidez, as passagens de ônibus estavam bem caras. Foi um pouco sofrido, mas acabei fazendo o acompanhamento com meu próprio médico. Só voltei para minha cidade no último mês de gestação, para esperar o nascimento da minha filha, que ganhou o nome de Maitê. Meu marido tentava ir me ver, mas era muito longe, ele estava com o circo em Campinas e não chegou a tempo para acompanhar o nascimento da nossa filha.
Hoje, nossa filha tem 1 ano. Eu consigo passar o dia inteiro com ela, o que considero uma grande vantagem de ser mãe no circo. Normalmente, quando trabalhamos na cidade, temos horários mais rígidos. Meu marido também trabalha um pouco mais que eu. Mas ele está bastante presente, o que nos dá muitas oportunidades de sair e brincar juntos.
Um dos desafios que enfrento é a questão da babá. Confiar em alguém para cuidar dela é muito complicado. A rotina dele muda bastante, então sempre temos que encontrar alguém diferente para ficar com a Maitê. Para mim, essa é a parte mais difícil: encontrar quem eu possa confiar para cuidar da minha filha, que é a nossa vida.
Por enquanto, como ela ainda não está na escola, acredito que as vantagens de estar aqui superam as desvantagens. A Maitê é apaixonada pelo circo. Reconhece todos os números e até algumas músicas. Quando o pai dela está no globo da morte, ela sempre pede para ver. Nós a levamos, e chega a vibrar de alegria. Ela fica em pé, levanta as mãos e bate palmas. Grita ‘papai’ quando vê ele lá dentro. É incrível como se diverte e se envolve com tudo isso.
Quando comecei a conhecer melhor a vida no circo, tive muitas dúvidas. Nunca tinha parado para pensar sobre como as pessoas que vivem assim levam a vida. Uma das primeiras vezes que saí com o Luiz, ele me convidou para conhecer o trailer onde moramos hoje. Achei muito interessante, porque é uma casa compacta, mas normal. Recebemos muitas perguntas nas redes sociais sobre como cozinhamos, lavamos a louça e fazemos as coisas do dia a dia. É tudo igual à vida normal, com água, chuveiro e tudo mais.
Muitas pessoas têm a ideia errada de que moramos em barracas ou que dormimos todos no picadeiro, mas a verdade é que temos uma vida normal, só que em um espaço menor. Eu achei que poderia ser difícil me adaptar, mas, na verdade, foi bem tranquilo. Por enquanto, nossos planos são permanecer aqui e, quem sabe, crescer dentro do próprio circo. Meu marido conseguiu um cargo muito bom como secretário.
Atualmente, estamos estabilizados e vivendo bem. Não pensamos em sair, a menos que surja a oportunidade de termos um negócio próprio na cidade. Estamos muito felizes sendo uma família do circo.”









