#ExploraçãoSexualZero
Por
Fernanda Cury
, Em Colaboração para Marie Claire — São Paulo

Sabe aquele ditado: “ema, ema, ema, cada um com seus problemas”? Quando se trata de violência sexual cometida contra crianças e adolescentes, ele jamais deve ser seguido.

Se existe uma suspeita de que um menino ou menina esteja sofrendo algum tipo de violência, o problema é de todos nós. Cabe a mim, a você e a qualquer outra pessoa denunciar o delito, e o quanto antes.

Segundo Maria Julia Cury, promotora de Justiça da Infância e Juventude do Taboão da Serra (SP), o artigo 227 da Constituição Federal é muito claro ao determinar o dever da família, da sociedade e do Estado de assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Não é preciso ter provas para denunciar. A suspeita já é suficiente, pois ela pressupõe algum tipo de indicativo de que algo errado está acontecendo. A prova virá depois, a partir da atuação da polícia e do Conselho Tutelar. Vale lembrar que até mesmo as escolas têm a obrigação de notificar caso suspeitem que algum aluno seja vítima desse tipo de violência
— Maria Julia Cury, promotora de Justiça da Infância e Juventude

No caso de uma violência sexual cometida contra uma criança ou adolescente, por exemplo, a partir da denúncia é expedida a ordem judicial para a retirada provisória do agressor do lar, enquanto a vítima permanece com seu guardião.

"Essa medida é a mais protetiva, porém nem sempre adotada. Isso porque esses crimes são difíceis de provar e há uma enorme subnotificação. Muitas vezes precisamos tirar a criança do lar, deixá-la com a avó, por exemplo, ou até mesmo encaminhá-la a um abrigo”, aponta Cury.

Silvia Chakian, promotora de Justiça e colunista de Marie Claire, alerta que a partir da denúncia entram em cena diversos atores, que agem nos eixos de proteção e responsabilização de forma integrada.

“No eixo da saúde, os profissionais asseguram o atendimento emergencial, prioritário e multidisciplinar nos equipamentos do SUS, com tratamento de lesões, profilaxia para DSTs, acesso ao serviço de abortamento legal, conforme previsto na Lei do Minuto Seguinte 12.845/13", explica a promotora.

Já no eixo psicossocial, fundamental para a minimização das consequências da violência, entram em cena os Centros de Referência de Assistência Social CRAS; Centros de Referência Especializada de Assistência Social CREAS, entre outros. "E, no eixo da Justiça, a vara da Infância, para acompanhamento da situação da criança e a família; e a Criminal, para medidas de proteção da vítima e responsabilização criminal do autor da violência”, ela explica.

Havendo a condenação, a pena mínima por abuso sexual é de reclusão 8 a 15 anos, enquanto a de exploração sexual vai de 4 a 10 anos. “Isso, sem contar as possíveis agravantes”, acrescenta a promotora do Taboão.

Como denunciar?

Segundo o artigo 13 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), diante de uma suspeita ou confirmação de maus-tratos cometidos contra meninos e meninas, incluindo a violência sexual (abuso ou exploração sexual), é preciso comunicar imediatamente ao Conselho Tutelar, o órgão do município responsável por atender crianças e adolescentes vítimas de violências ou ameaças, além de aplicar medidas com força de lei. A denúncia pode ser feita por telefone ou pessoalmente, na sede do conselho da sua cidade.

Porém, é possível denunciar através de diversos outros canais, como:

- Polícia Militar: disque 190

- Polícia Federal: disque 194

- Polícia Civil: disque 197

- Polícia Rodoviária Federal: disque 191

- Direitos Humanos: a denúncia pode ser feita através de vários canais: por ligação telefônica (basta discar 100 de qualquer parte do Brasil) gratuita e anônima, com atendimento 24 horas por dia. Pode ser feita, ainda, via app Direitos Humanos, disponível para Android e iOS, por Telegram, bastando digitar “Direitoshumanosbrasilbot” na busca do aplicativo de mensagens, ou pelo site da Ouvidoria Nacional. Seja qual for o meio, a denúncia recebida será analisada e encaminhada aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização em direitos humanos.

- Safernet: através do site a organização social recebe denúncias de crimes cometidos contra os direitos humanos na internet, incluindo pornografia infantil.

- Ministério Público: é o órgão responsável pela fiscalização do cumprimento da lei. Todo Estado conta com um Centro de Apoio Operacional (CAO), que pode e deve ser acessado na defesa e garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes.

- Delegacias especializadas: órgãos da Polícia Civil responsáveis por investigar e apurar fatos em que as crianças e os adolescentes são vítimas de crimes.

- Delegacia da Mulher: em alguns municípios, elas estão preparadas para receber denúncias de casos de violência contra crianças e adolescentes.

- Delegacias comuns: se não houver uma delegacia especializada em sua cidade, as comuns estão aptas a receber queixas e denúncias.

- CRAS / CREAS: os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) realizam o atendimento em atenção básica à população em geral, e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CREAS) oferecem o atendimento de média complexidade, que inclui o atendimento psicossocial a crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Acesse mds.gov.br e localize as unidades de acordo com o Estado ou município.

Esse conteúdo foi oferecido em parceria com Vibra, em prol da campanha contra a exploração sexual de crianças e adolescentes.

Mais recente Próxima Como proteger crianças e adolescentes da violência sexual e acolher as vítimas
Mais do Marie Claire

Ex-sister conversa com a Marie Claire sobre rotina intensa após o reality, as amizades que se mantiveram e e os desafios de se dividir entre compromissos profissionais e culturais no Amazonas

Como Marciele Albuquerque concilia pós-BBB com o festival de Parintins: 'Maior loucura'

Participante comentou desdobramentos de caso recente e falou sobre os rumos da relação entre as duas fora do reality. Em conversa com a Marie Claire, a ex-sister detalhou o vínculo com a campeã desta edição

Milena, do 'BBB 26', explica como está amizade com Ana Paula Renault após polêmica no Dia das Mães: 'Fiz o que bem entendi'

Em conversa exclusiva com a Marie Claire, a artista contou detalhes das mudanças físicas e do processo de construção do papel

Alice Carvalho revela mudanças no olho e cabelo para viver Marta em novo filme: 'Personagem desafiadora'

Artista falou sobre o desejo de aumentar a família e contou como imagina a futura maternidade

Giovanna Lancellotti revela planos para engravidar em 2027 e diz que pretende ter até três filhos: 'Muita vontade de ser mãe'

Com preços a partir de R$ 78,47, selecionamos modelos bivolt com tecnologia iônica e até 1300W de potência para garantir agilidade e efeito de salão sem pesar no bolso

Escova secadora com 60% off no Magalu; 4 opções para um cabelo de salão

Apresentadora visitou espaço dedicado à trajetória da comunicadora e relembrou momentos marcantes da televisão brasileira

Patrícia Poeta se emociona ao conhecer acervo de Hebe Camargo: 'Senti imediatamente a energia dessa pessoa'

Artista apostou em um look grifado para Prêmio Sim à Igualdade Racial, que acontece na noite desta quarta-feira (13) e tem duas categorias apresentadas por ela

Bella Campos reflete sobre ausência de referências na mídia: 'Sei o impacto disso para os nossos sonhos’

Artista compartilhou registros da viagem e recebeu uma enxurrada de comentários dos fãs; veja os cliques

Paolla Oliveira ganha elogios ao abrir álbum de fotos na Itália: 'Por aí'

A premiação acontece nesta quarta-feira (13), no Rio de Janeiro

'Estar no digital é também disputar narrativas', diz Preta Letrada, finalista do Prêmio Sim à Igualdade Racial