Vinho, uma pitada de egoísmo e nada de comparações: conselhos para a maternidade na era digital
Por Mariana Gonzalez, em colaboração para Marie Claire — São Paulo
As comparações das redes sociais aumentam o peso da maternidade? É mais difícil ser mãe na era digital? Ou grupos de apoio e influenciadoras de maternidade tornam esse processo mais fácil? Para a psicóloga Cintia Aleixo, especialista em maternidade, a resposta para todas essas perguntas é “sim, tudo isso ao mesmo tempo”.
“A mãe do passado também sofria muita pressão –precisava estar casada, ser católica, ter boas maneiras. Mas hoje, a pressão é outra: precisamos estar ativas sexualmente, profissionalmente, ser belas e gostosas, tomar um chopp na sexta-feira, e a criança precisa estar super saudável, estudando na melhor escola, ter uma criação diferenciada”, disse, durante o talk “Nasceu uma mãe, e agora?”, na primeira edição do Festival Mina Marie Claire, evento de Marie Claire e Mina Bem-Estar que acontece neste domingo (3), em São Paulo.
Ela compartilhou, no talk, os três principais conselhos que dá às mães de primeira viagem em meio a comparações e angústias ligadas à maternidade: ter conversas adultas, ou seja, não viver apenas o universo das fraldas, da amamentação e da criança, para se manter conectado ao mundo e a quem era antes da maternidade”, beber uma taça de vinho para relaxar no final do dia e, por último, uma pitada de egoísmo. “Vale deixar a criança com quem puder ajudar, uma avó, uma amiga, e se cuidar um pouco, porque uma pitada de egoísmo não faz mal a ninguém”, defende.
O talk contou, ainda, com a jornalista e podcaster Bárbara dos Anjos Lima e a ginecologista e obstetra do Hospital Israelita Albert Einstein Heloisa Brudniewski, e foi comandado por Daniela Tófoli, diretora do grupo MarieClaire, Crescer, TechTudo, Quem, Galileu, Monet, Vida de Bicho e Casa e Jardim.
Comparação no consultório
A comparação constante com influenciadoras e até mesmo com mulheres próximas que dividem a maternidade nas redes sociais –mas sempre momentos bonitos, dificilmente a privação de sono ou a cólica do bebê– mudou as conversas dentro do consultório médico, percebe a ginecologista Heloisa Brudniewski.
“Quando se deparam com o teste positivo, as mães veem um mundo novo se abrir na frente delas, cheio de informações sobre gestação, parto, puerpério, mitos e verdades. Se a gente não acolher essa mulher no consultório, já na primeira consulta, ela fica desnorteada, cheia de medos, antes mesmo de começar a viver essa maternidade”, fala a médica. “Por isso hoje, na primeira consulta, a conversa é menos sobre as questões técnicas da gravidez e do parto, e mais sobre esse mundo novo cheio de informações, medo e culpa”.
A psicóloga Cintia Aleixo percebe essas angústias que surgem a partir da comparação também no atendimento psicológico a mães recentes: “Muitas mulheres chegam ao consultório tristes, desestimuladas, por não ter vivido o parto ideal, da forma que imaginaram”, conta.
E, neste universo da comparação, os grupos de apoio à maternidade cumprem um papel importante: “Ao se reconhecer em outra mãe, com angústias e problemas similares, as mulheres percebem que não estão vivendo sozinhas esses novos desafios”, acredita Cintia.
A jornalista e podcaster Bárbara dos Anjos Lima, apresentadora dos programas Estamos Bem? e Sexoterapia, contou que compartilhar o que estava sentindo com o psicólogo, o obstetra e pessoas próximas, inclusive em grupos de apoio, foi fundamental para sua maternidade: “É tanta informação que a gente deixa de focar no que é mais importante, que é esse momento único da chegada de um filho. O que eu senti é que a maternidade só existe sendo compartilhada”.
O Festival Marie Claire é um evento da Marie Claire que se uniu a outra plataforma de conteúdo, a Mina Bem-Estar, para falar sobre o bem-estar das mulheres. O evento conta com apoio de AdvaTx, Clear, Hospital Israelita Albert Einstein, Sanofi e Bal Harbour e a parceria de Magalam, Domani e DoTerra.









