'Inteligência intuitiva é superpoder para lidar com crise de saúde mental', diz jornalista Petria Chaves
Jornalista da CBN abriu a programação da 3ª edição do Festival Marie Claire para falar da importância de ouvir a intuição e seus impactos na saúde mental e na rotina. O tema foi investigado por Petria Chaves em
O que é a intuição? Para uns, um anjo da guarda, um sinal divino ou mesmo um superpoder. Para a ciência, uma percepção aguçada da realidade. A resposta não é fácil, nem certeira, mas a jornalista Petria Chaves topou o desafio de investigar o que é, de fato, a intuição e como ela pode ser a chave para levar uma vida mais centrada e saudável. Chaves abriu a programação do Festival Marie Claire neste sábado (25) em uma conversa com a diretora de redação Maria Rita Alonso sobre seu segundo livro, Como sei o que sei (ed. Planeta, 272 págs.).
No livro, Chaves entrevistas desde filósofos e cientistas a astrólogos e líderes comunitários e espirituais para traçar o que significa a intuição. A pesquisa para o livro levou um ano e meio, e veio de encontro com próprios questionamentos sobre adoecimentos mentais (como os altos índices de ansiedade, burnout e depressão registrados no Brasil).
"A intuição é um superpoder. É uma ciência, mas acontece numa lógica diferente. Não é um comando que se aciona para funcionar, mas uma jornada, um jeito de viver. Mas, para acontecer, ela precisa ser treinada", afirmou a jornalista para a plateia. O livro será lançado na próxima terça-feira (28), 19h, na Livraria da Alma, em São Paulo.
Chaves afirma que exercitar a inteligência intuitiva pode ser peça chave para lidar com a crise de saúde mental enfrentada no Brasil e no mundo. Em março deste ano, o Brasil bateu recorde de afastamentos por ansiedade e depressão em 10 anos, segundo dados do Ministério da Previdência Social: foram 470 mil impactados no país em 2024.
Ao mesmo tempo, se abre sobre suas próprias vivências para ilustrar como foi seu percurso de encontro de sua própria voz. Inclusive, fala de como a usa como ferramenta importante em sua carreira de mais de 40 anos como jornalista.
"Sou muito sensível ao mundo, para o bem e para o mal. No jornalismo, estou em confronto com as dores do mundo todos os dias, mas não consigo noticiar sem buscar respostas", diz. Ela começou a pensar nisso depois de seu primeiro livro, Escute teu silêncio (publicado em 2021), que fala sobre silêncio e escuta.
"Algumas respostas começaram a vir para mim, relacionadas a inteligência intuitiva, que chamo de IA. Comecei a pesquisar pra entender se essa condições e inteligências poderiam ser alguma via pra gente escapar dessa epidemia de dor", explica.
Afinal, o que é a intuição?
Por mais que seja algo que exista dentro do corpo e da literatura cultural, a intuição é negligenciada em meio a um dia a dia atribulado e cansativo, seja por obrigações cotidianas ou por contextos globais, como aquecimento global e desigualdades.
Além disso, é um conceito subjetivo demais para conseguir se definir, e recebe explicações em vários campos, inclusive espirituais e ancestrais. "Mas, cada vez mais, a ciência vem se debruçando sobre essa potência que não conseguimos medir ou reproduzir", conta Chaves.
A inteligência intuitiva, na visão de Chaves, é ainda uma característica inerentemente feminina, seja entre homens ou mulheres. "Porque é um lugar de gestar, de paciência. É um remédio para os nossos tempos", afirma.
E como apurar a inteligência intuitiva? Chaves afirma que não existe uma receita para conseguir ativar a intuição. Mas, ao longo de suas pesquisas, a jornalista afirma que parte do caminho está no silêncio e na presença.
"Esse sussurro que aponta caminhos para nós precisa ser apurado. Para isso, é necessário confiar nessa voz e refinar os sentidos. Prestar atenção, respirar com vontade. É democrático, mas requer persistência e estar grávida do desejo de treinar a inteligência intuitiva."
Sobre a 3ª edição do Festival Marie Claire
O Festival Marie Claire chega à sua terceira edição no dia 25 de outubro, no Instituto Principia, em São Paulo, consolidando-se como um dos espaços mais importantes para discutir e celebrar o bem-estar feminino na contemporaneidade. A entrada é gratuita ao público.
Com realização da revista Marie Claire e Grupo Globo, conta com apoio de Roche, Care e Radiesse. O evento propõe um mergulho em temas que atravessam a vida das mulheres hoje, como amor líquido, exaustão feminina, identidade, afeto e autocuidado. A ideia é criar um dia inteiro dedicado à reflexão, ao acolhimento e à troca de experiências, sempre com foco no bem-estar de corpo e alma.









