Feito entre irmãs, e-commerce reúne mais de 100 marcas de moda nacionais e tem planos de expansão
Há 13 anos, o Gallerist foi fundado por quatro irmãs que convertem a sintonia que têm entre si em energia para manter o e-commerce de moda em expansão. Para esta entrevista, elas receberam Marie Claire na casa de Amanda Cassou, o QG do grupo quando todas estão em São Paulo
"Em primeiro lugar, somos irmãs; em segundo, amigas; e, só depois, parceiras de trabalho.” A constatação de Carolina Cassou, uma das quatro irmãs por trás do e-commerce Gallerist, não poderia definir com mais precisão a dinâmica do grupo fundador, que também inclui Mariana, Fernanda e Amanda.
Em 2011, elas decidiram unir forças para criar uma mistura de blog e loja, em que as leitoras pudessem ler sobre moda e comprar as peças referenciadas por ali de uma só vez. A fórmula deu certo. Passados 13 anos, o Gallerist é uma das principais lojas on-line do país, com uma curadoria que reúne mais de 100 marcas nacionais – como Cris Barros, Paula Raia, Coven e Egrey –, além de seis etiquetas próprias – Framed, Allmost Vintage, Edamami, Clemence, Linnen e RSVP.
“Todas as irmãs participam das decisões institucionais”, entrega Carolina, durante a sessão de fotos para esta matéria, que aconteceu na casa de Amanda, no bairro Itaim Bibi, em São Paulo. Há ainda a participação da matriarca, Denise, responsável pela Linnen. A brand produz peças femininas, conectadas a um perfil contemporâneo.
Como negócio, o Gallerist saiu da bolha da internet. São quatro pontos físicos: em São Paulo, nos shoppings Cidade Jardim, Iguatemi e no bairro de Pinheiros; em Curitiba, no shopping Pátio Batel.
Elas pretendem abrir mais endereços em breve. E garantem que, não, o real não atropela o virtual. “Depois de cinco anos de abrirmos e-commerce, decidimos inaugurar a primeira loja física, no shopping Cidade Jardim, como um complemento para o on-line”, conta Carolina, que é mais focada no varejo e no lado operacional da empresa. Divisão de tarefas Amanda é a diretora criativa de duas marcas próprias, Framed e RSVP, de estilos clássico e festivo, respectivamente. “Também dou pitacos na Allmost Vintage [de roupas revisitadas de forma luxuosa], que é uma parceria com Luiza Ortiz [especialista no mercado fashion].”
Mariana é a criativa à frente da Clemence, de peças atemporais, e da Edamami, marca infantil. Fernanda, por sua vez, é arquiteta e fez os projetos das lojas físicas. Carolina também toca o marketing e o administrativo. Neste ano, a empresa passou a ter uma nova CEO que não é da família: a executiva Regina Schneidewind.
“Ela veio para ajudar a organizar o negócio familiar e trouxe mais seriedade para os processos. Antes, as áreas ficavam mais divididas, então é muito bom poder centralizar tudo em uma pessoa só”, pondera Fernanda. As mudanças se deram também porque o Gallerist passou a atuar no atacado. “No primeiro momento, recusamos, porque queríamos que fosse algo exclusivo, mas percebemos que vender nossas marcas em outros lugares só faz com que elas sejam conhecidas em lugares em que não chegaríamos sozinhas.
Aumentar a produção também ajuda na negociação com os fornecedores, porque eles não priorizam marcas pequenas com pouco volume”, explica Mariana. Sem contar que a expansão fazia sentido no quesito finanças. “Uma etiqueta própria tem margem de lucro maior do que se você só revender outras marcas, por exemplo. Depois que lançamos a primeira, sentimos que havia espaço para outras”, completa Carolina.
“Festa do pijama” e almoço de domingo
É impossível falar de uma empresa familiar sem esbarrar nos limites entre vida pessoal e profissional e no quanto encontrá-los pode ser desafiador para algumas pessoas. Mas as irmãs Cassou, como são conhecidas no universo da moda, lidam com naturalidade em relação a isso. “Brinco que durante a semana a gente briga, e depois faz as pazes no almoço de domingo. Mas quase nunca discordamos, porque temos opiniões muito parecidas e nos conhecemos muito bem”, avalia Carolina.
Como nem todas moram em São Paulo, as reuniões presenciais acabam sendo na casa de Amanda. E, entre as atualizações sobre a vida pessoal, elas elencam o que o Gallerist também precisa para prosperar mais. “Muitos encontros viram praticamente uma festa do pijama. Às vezes, me sinto adolescente de novo, porque eu e a Amanda passamos a madrugada toda conversando, trocando looks. Em primeiro lugar, somos irmãs; em segundo, amigas; e, só depois, parceiras de trabalho”, diz Carolina.
Tanta sintonia, aponta Fernanda, traz uma visão mais generosa para tocar a empresa ao lado das irmãs. “A gente tenta entender a fase da vida em que cada uma está – se acabou de ter filho, se vai fazer uma cirurgia. É saber mais sobre a vida pessoal e pegar leve nos momentos necessários”, analisa. A verdade é que as experiências de vida de cada uma também são incluídas no que o Gallerist pode oferecer ao público. A Edamami surgiu quando Mariana teve o primeiro filho, por exemplo. “Os processos, muitas vezes, acompanham nossos momentos de vida e os das clientes. Vamos amadurecendo e o negócio vai junto. Ao mesmo tempo, ficamos sempre de olho em novos talentos, para a equipe interna, e em jovens designers para a curadoria do site”, destaca Amanda.
Para as irmãs Cassou, há muitos caminhos para percorrer. Com a Edamami, Mariana quer ter uma loja física única. “Isso envolve ampliar a linha e trazer outras marcas infantis para expandir o mix de produtos.” A venda no atacado segue firme como uma estratégia de expansão. Queremos chegar numa escala que possa atender todos os estados do Brasil e vender as nossas etiquetas em multimarcas, além de continuar investindo no site em relação ao marketplace”, comenta Carolina. Amanda diz que ainda entra no radar uma outra etiqueta da empresa, Some of a Kind, dedicada à produção upcycling de roupas. “São de peças com avarias e tecidos que estão parados no estoque para usar em novas coleções. Estamos revivendo essa etiqueta com produção sustentável.”









