St. Barth: como ilha se tornou o destino das estrelas com roteiro de luxo e descanso na medida
Destino de férias de estrelas como Beyoncé, Rihanna e Ludmilla, São Bartolomeu – carinhosamente chamada de St. Barth – reúne o crème de la crème do turismo de luxo e paisagens naturais surrealmente belas. A ilha ainda abriga uma rua repleta de grifes dos mais aclamados nomes da moda. Ao oferecer do relaxamento à badalação, o lugar vem entrando com tudo no radar (e no coração) dos brasileiros
O voo de chegada é a primeira grande atração de St. Barth. Estou sentada numa poltrona do lado esquerdo em um pequeno avião – um monomotor, considerado o Rolls-Royce da aviação – e não tiro os olhos da janela, seguindo o conselho do piloto. Depois de uma imensidão de mar azul – com tons entre ciano e turquesa –, consigo ver toda a extensão da ilha: as formações rochosas imponentes cobertas de verde, salpicadas por casinhas de arquitetura sueca, e iates descansando preguiçosos em alto-mar.
A vista aérea anuncia o que está por vir: a ilha mais exclusiva do Caribe é, de cada ângulo, tão charmosa quanto paradisíaca. Coletividade francesa na América Central, é conhecida pelas faixas de areia branquinhas e as águas quentes e cristalinas; mas também pelos roteiros luxuosos, pela concentração de lojas das grifes mais cobiçadas do mundo, além de experiências exclusivas e versáteis, que vão do relaxamento ao turismo de aventura.
São Bartolomeu tem apenas 22 quilômetros quadrados de extensão, divididos em 13 áreas possíveis de percorrer em questão de minutos de carro – o adequado é alugar um veículo, já que a ilha é cheia de declives. Os próprios residentes me dizem que a ilha é uma bolha distante do mundo. E estão certos. Até o tempo passa diferente.
Essa magia contribui para que St. Barth seja destino adorado e repetido por grandes estrelas. Paul McCartney, Leonardo DiCaprio, Rihanna, Beyoncé, Madonna e o clã Kardashian são apenas alguns nomes que recarregam as energias ali. Agora, os brasileiros querem essa vibe para si e vêm aparecendo mais nos últimos tempos. Seja na mesa ao lado em restaurantes refinados, seja em calçadas da capital, Gustávia, é possível ouvir trechos do bom português brasileiro.
Coincidentemente ou não, o boom veio mais forte desde que estrelas como Ludmilla, Brunna Gonçalves e Marina Ruy Barbosa apareceram posando em St. Barth em seus perfis no Instagram.
Nomeada em homenagem a Bartolomeu Colombo, irmão do navegador Cristóvão, St. Barth foi tomada pela França e vendida à Suécia no século 18. Devido a prejuízos da economia infértil e alta incidência de furacões, foi revendida à França no século 19. De fato, St. Barth estava longe do luxo que exala hoje – para ter ideia, a eletricidade só chegou em 1980.
Isso mudou quando o turismo começou a deslanchar nos anos 1960. O potencial foi visto por ninguém menos que David Rockefeller, que comprou propriedades e passou a convidar amigos da nata da sociedade mundial para lá. Greta Garbo, por exemplo, se hospedava numa suíte do Eden Rock, primeiro resort e um dos postais da ilha, quando “queria ficar sozinha” – hoje, é uma suíte disputadíssima.
St. Barth caiu no boca a boca de personalidades influentes da segunda metade do século 20 até chegar ao status atual. Em 2017 a ilha foi devastada pelo Furacão Irma, o que se tornou uma espécie de trauma coletivo, mas fonte de resiliência e camaradagem que perdura entre os residentes – incluindo os estabelecimentos, que não competem entre si. Com grande mobilização e doações generosas dos fãs estrelados, St. Barth conseguiu se reerguer em um ano.
Devido à temporada de furacões, os hotéis fecham entre o fim de agosto e o fim de outubro. O melhor período para estar em St. Barth é novembro e abril, quando não há chuvas. O Réveillon, aliás, é um dos pontos altos do calendário anual. Cerca de 250 barcos/iates se acomodam em frente à prefeitura para apreciar a queima de fogos.
Do luxo à aventura
São 16 atrações naturais e praias de tirar o fôlego. A praia mais popular é a de Saint-Jean, onde é possível mergulhar admirando as montanhas e observar os aviões que decolam (o aeroporto fica logo ao lado). Também é onde fica o beach club mais conhecido, Nikki Beach, que recebe festas aos fins de semana, tem restaurante com menu Francês ala tropical e dispõe de espreguiçadeiras confortáveis na areia. Destaque ainda para a Plage de Saline, única praia de nudismo; Flamand, a praia de maior extensão; e Colombier, a menina dos olhos da ilha. Privativa e semicercada por árvores e rochas, só é possível chegar de barco ou após uma trilha de 20 minutos. Por mais que algumas orlas sejam preenchidas por hotéis e clubes, todas as praias são públicas.
O coração da ilha é sua capital, Gustávia. É lá onde está o porto de onde saem os barcos que passam as tardes velejando em alto-mar, permitindo o mergulho para observar peixes e corais. É também onde estão o centro de compras e a vida noturna – a área é repleta de bares, restaurantes e boates. Ao caminhar pela deliciosa Rue de la Republique, você encontrará lojas de grifes como Cartier, Balenciaga, Gucci, Givenchy, Hermès e Bulgari, só para citar algumas; além de marcas locais, galerias de arte, gelaterias, cafés e adegas de vinho.
Dona de uma das estradas mais bonitas, a área de Grand Fond abriga o lado B: estão ali as modestas primeiras casas, com terrenos divididos em pequenos muros de pedra, e as cabras tomam conta da paisagem. A praia não é própria para nado, mas é possível fazer trilhas nas montanhas. É ali o ponto de partida rumo às piscinas naturais, que ficam abrigadas e escondidas em meio às formações rochosas. O caminho é penoso, mas recompensador; e, por segurança, só pode ser feito com guia.
Hospedagem com personalidade
As hospedagens entregam sofisticação de ponta a ponta, garantindo experiências personalizadas e aproveitando ao máximo o melhor que a ilha pode oferecer. Os hotéis mais buscados são os que ficam integrados às praias e oferecem atividades que vão dos passeios de caiaque e jet skis até a possibilidade de fazer ioga no mar ou mesmo longas caminhadas noturnas na areia. Os spas e atividades de relaxamento também ganham preferência.
As hospedagens também vêm se engajando em programas de preservação ambiental, adotando medidas como desperdício zero na cozinha ou preservação da biodiversidade.
Se quiser afastamento total, dê uma chance às hospedagens na região de Grand Cul-de-Sac, onde está localizado um mar que mais parece piscina natural, graças à calmaria das águas. No Le Barthélemy, fiquei em uma suíte deslumbrante com acesso direto à praia – bastam três degraus de madeira e seus pés estão na areia. Já em seu vizinho, Le Sereno, tive uma experiência deliciosa ao tomar café da manhã no meu quarto, em um deck de onde pude contemplar o lago antes de fazer um mergulho para observar as tartarugas marinhas, habitués por aqueles lados.
Já em Saint-Jean, o hotel butique Le Tropical oferece uma experiência mais reclusa e despojada, tudo com uma atmosfera de tropicalismo parisiense – desde as cores de tom pastel do mural da recepção até a natureza que invade do restaurante aos quartos. Ele fica a uma quadra de distância de Nikki Beach e, mesmo longe da orla, o mar acompanha a estadia a todo momento. St. Barth conta ainda com centenas de villas, que oferecem uma experiência mais exclusiva e personalizada. É o caso da Villa Jade, em Marigot, que pertencia ao cantor e ator francês Johnny Hallyday. Com oito suítes, deck com vista panorâmica da ilha e até esculturas expostas no Louvre, a villa já abrigou DiCaprio, Eva Longoria, Bono Vox e Jean Reno.
Para todos os gostos
St. Barth vem se consolidando também como um interessante polo de turismo gastronômico. O fio condutor é a nuance entre a gastronomia francesa e mediterrânea, aqui incrementadas a referências de outros países – sobretudo caribenhas e asiáticas. Tudo isso com assinatura de chefs renomados.
A pizza trufada é o aperitivo mais pedido da ilha. Você pode experimentá-la no Sand Bar, dentro do resort Eden Rock – onde uma curiosa pizza de abacate e um polvo com legumes cativaram meu paladar –, ou em Nikki Beach – onde se encontra mais sushis e frutos do mar; também não deixe de experimentar a instigante Sexy Salad, que leva carne de caranguejo, manga e abacate. Ainda em Nikki Beach, você tem a chance de experimentar o Domaine Ott, vinho rosé que é assinatura de St. Barth, após um mergulho no mar.
No Beefbar, o foco está na combinação entre crustáceos e suculentos cortes de carne vermelha, de Wagyu Kagoshima a chorizo Angus. O restaurante também é dono de uma das vistas mais belas da ilha, perfeita para um coquetel ao pôr do sol. No La Cabane, a base é a culinária caribenha martinica, enquanto o Rosewood Le Guanahani evoca a sensibilidade da cozinha mediterrânea da Riviera Francesa.
Quer ficar mais próximo dos locais? Em Gustávia, a hamburgueria Le Select tem cenário informal e remonta aos bares com área externa e drinques, como conhecemos no Brasil – há rumores de que nem Madonna conseguiu uma mesa por ali em dias cheios. Em Saint-Jean, busque pelo Le Piment, um bistrô com um menu que varia entre tapas espanholas, pokes e carnes.
Como chegar
Somente aviões de pequeno porte aterrissam em St. Barth. Os voos saem de St. Maarten, da ilha de Anguilla e San Juan, em Porto Rico. Pela Copa Airlines, é possível fazer o trajeto de sete horas até o Panamá e mais três até St. Maarten. De lá, o voo até St. Barth dura cerca de dez minutos. Se optar por sair de San Juan, a duração aumenta para 1h10.
* A jornalista viajou a convite do Turismo de St. Barth.









