Mães e Filhos

Por Juliana Picanço, Redação Marie Claire — São Paulo


Tânia Magali — Foto: Foto: Mariana Marão
Tânia Magali — Foto: Foto: Mariana Marão

Tânia Magali, 44, se casou pela primeira vez quando ainda era adolescente. Com dois filhos, Carol, 26, e Guilherme, 22, frutos dessa união, a professora entendeu a potência do amor de mãe e os seus desafios. Mas foi alguns anos depois que ela pôde viver a experiência da maternidade de outra maneira. Após o fim do primeiro casamento e realizou um grande sonho: adotar uma criança. Gael, que hoje tem 4 anos, tem Síndrome de Down e ressignificou a maternidade de várias maneiras.

“Eu me casei aos 16 anos e tive a minha primeira filha, Carol, aos 18. Tenho experiências muito singulares com a maternidade. A minha filha é loira e só de olhar para mim, indígena — eu fui a babá a vida toda. O meu filho do meio, Guilherme, tem a mesma cor que eu e é um medo constante, sabendo que vivemos em um país onde a cada 29 minutos um menino negro é morto.

Eu terminei o meu primeiro casamento e hoje sou casada com uma mulher há 9 anos. A adoção sempre foi um sonho e essa foi uma das primeiras conversas que eu e a minha esposa tivemos. Ela falou: ‘Se tudo der certo, a gente volta nesse assunto’. E aí, anos depois, a gente retomou esse sonho e hoje ele se chama Gael e tem quatro anos.

Adotar uma criança atípica, com Síndrome de Down, em um mundo que ainda está aprendendo sobre inclusão, é um desafio muito grande, mas ao mesmo tempo é uma escola muito linda, porque eu sou uma pessoa completamente diferente depois dele. O amor maternal é inexplicável. Eu até brinco que, com o meu filho mais novo, pareceu macarrão instantâneo: colocou lá por três minutos e o amor estava pronto. Enquanto que com os meus filhos biológicos eu tive nove meses para construir esse sentimento. Por isso eu acredito que esse amor é sem limite, infinito.

Tânia Magali Santos — Foto: Mariana Marão
Tânia Magali Santos — Foto: Mariana Marão

Quando a gente entrou com o processo de adoção e quando eu soube que meu filho viria do Paraná, eu achei que a gente não ia conseguir adotá-lo. Uma das coisas que mais me preocupava em relação à adoção era realmente a homofobia. Porque, infelizmente, ela é estrutural no nosso país. Apesar de termos leis sobre a adoção de casais homoafetivos, a gente sabe que a gente enfrenta essa estruturação na sociedade com o juiz, assistente social, psicólogo, religião e outras tantas coisas que ainda esbarram nesses direitos, infelizmente. Mas, felizmente, nós conseguimos.

O meu maior medo é o preconceito da sociedade em que vivemos em relação à inclusão da nossa família, que é homoafetiva. Eu tenho medo dos meus filhos sofrerem preconceito. Em casa, nós naturalizamos muito as nossas diferenças, tanto em relação à homoafetividade, quanto em relação à Síndrome de Down do Gael. É tão simples, o mundo é que complica. Ser diferente é normal, todos nós somos.

A pior parte de ser mãe é não poder tirar a dor do filho em relação às questões do mundo, que é muito complicado. Mas isso é impossível. A gente tem medo, mas ao mesmo tempo, temos que prepará-los para isso. Por isso, não tem como não dizer que você não cresce enquanto ser humano depois de se tornar mãe. É uma extensão nossa.

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A maior lição que aprendi com a maternidade é não desistir nunca. Um filho, independente dele vir da sua barriga ou não, é para sempre. Então, quando eu me tornei mãe, passei a não desistir de nada: sonhos, projetos etc. Eu desejo para os meus filhos um mundo melhor, menos preconceituoso, mais inclusivo e humano nas relações.

Mátria Brasil — Foto: Mariana Marão
Mátria Brasil — Foto: Mariana Marão
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