Pedro Novaes sobre os pais, Letícia Spiller e Marcello Novaes: 'A verdade é que eles nunca se separaram'
Capa da edição de Marie Claire que chega às bancas em maio ao lado da mãe, Letícia Spiller, o ator Pedro Novaes conta como construiu o próprio caminho. Ele também fala da relação com a irmã, Stella, e do amor entre os pais, que se transformou em uma grande amizade
Pedro Novaes conversou com Marie Claire enquanto esperava o almoço na casa da avó em um raro dia em que não enfrentava uma rotina extenuante nos Estúdios Globo. Aos 29 anos, ele trouxe um frescor ao primeiro time de galãs da televisão. Isso porque não parece interessado em repetir os padrões de masculinidade esperados. Pedro assume ser sensível, atento. Sabe admirar e elogiar. Confessa fragilidades.
Aos 29 anos, chegou ao horário nobre após uma escalada gradual, sem atropelos. O papel em ‘Três Graças’ deu ao ator a chance de se provar. Antes de encarar o público, foi preciso encarar suas próprias inquietudes. “Agora, sinto que tenho o reconhecimento não por ser o filho de alguém, mas pelo trabalho que faço e que está emocionando as pessoas”, diz.
Ao lado da mãe, Letícia Spiller, Pedro Novaes estrela uma das capas do mês de maio de Marie Claire. Nesta entrevista, ele também fala da busca pela autoconfiança, dos exemplos que recebeu em casa e da busca incessante por equilibrar a presença do cotidiano com o ofício que escolheu. “Mesmo moleque, eu já tinha o pé no chão, entendia que eu precisava estudar mais, estar mais confiante”, conta.
O texto completo estará na edição de maio de Marie Claire.
Na sua infância, o que mais te marcou?
Tive uma infância muito legal. Pude curtir muito, brincar, ser criança. Hoje, há uma adultização muito rápida. Tenho muitas lembranças com minha mãe e meu pai no trabalho. Lembro que sempre tive uma coisa com o cheiro dela de Projac, sabe? Cheiro de estúdio. Também tenho a memória de estar sempre em casa esperando ela chegar. Lembro de nós dois juntos, eu vasculhando o closet dela, mexendo nas roupas.
Quando a ficha caiu para você sobre a fama dos seus pais?
Eu nasci dentro disso, então para mim sempre foi muito normal. Eu vim ao mundo depois daquele boom de Quatro por Quatro [novela em que Spiller e Novaes engataram um romance]. Quando nasci, eles já eram muito reconhecidos. O que sempre me impressionou foi a forma como eles lidavam com as pessoas, o cuidado com cada um que chegava para pedir uma foto. Sempre tinham tempo para trocar uma ideia, receber carinho. Ambos são pessoas super respeitosas que entendem que isso faz parte do trabalho que escolheram.
Qual foi a importância dos seus pais manterem uma boa relação mesmo após o fim do casamento?
A real é que meus pais nunca se separaram. É isso. As coisas só se renovaram. Esse amor se transformou em outra coisa, um tipo de admiração, sabe? Eu vejo conversas dos meus pais que são diálogos entre melhores amigos. São confidências. O afeto de família eu não perdi, sempre foi tudo junto. Natal, Ano Novo, aniversário. O tempo inteiro.
É um privilégio?
Eu só fui entender o que minha familia era quando eu tinha uns 14 anos. Foi quando pensei, ‘cara, isso aqui que eu vivo é muito maneiro, o que acontece na minha família é muito raro’. Sou muito agradecido por isso.
Sua mãe disse que sempre te viu como artista, desde criança. Você também?
Eu cresci num universo que respirou muita arte o tempo inteiro. Às vezes estava rolando uma oficina de atuação no quintal de casa, sabe? Desde cedo, eu já estava me alimentando disso. Sempre soube que o fruto da nossa sobrevivência veio através da arte. Quando a gente é criança, a gente acha que o que está em volta é a única coisa que existe. Mas, foi só aos 17, 18, que eu tive o choque de entender que eu realmente nasci para ser artista,que eu queria fazer meu dinheiro e meu sustento através disso.
Sua mãe contou que você recusou papeis, mesmo após ser aprovado em testes. Por que você não se sentia pronto?
Sempre soube da dedicação que é fazer uma novela. Mesmo moleque, eu já tinha o pé no chão, entendia que eu precisava estudar mais, estar mais confiante. Fico feliz de ter o luxo de poder recusar. Isso é importante também. É um privilégio. Foi ótimo para mim.
Por quê?
Porque eu pude amadurecer questões pessoais minhas. Claro que eu sou filho de duas pessoas públicas, mas até a adolescência, tive a oportunidade de viver tranquilamente, ainda sem ser muito reconhecido. Não que eu seja hoje, mas quando você faz novela das 9, as pessoas sabem quem é você na rua [risos].
Mudou muito chegar ao horário nobre?
Não tenho problemas em ser reconhecido pelo trabalho que eu faço. Eu curto, gosto que as pessoas vêm falar comigo. Acho maneiro. Se eu posso retribuir isso de uma maneira boa, positiva, se eu posso trocar com essa pessoa, não vejo problema.
Agora, você sente que chegou lá?
Para mim, internamente, isso já aconteceu quando eu fiz ‘Malhação’ [em 2019]. Eu sou muito crítico comigo. Olho e sempre sei que dá para melhorar. Isso é bom porque me evolui, mas, se eu não dosar direito, caio dentro de um buraco que me atrapalha. Só recentemente eu comecei a me aceitar e a falar que sou um ator, um artista. Com ‘Garota do Momento’ [novela de 2024), as coisas se uniram de uma maneira harmoniosa. Agora, sinto que tenho o reconhecimento das pessoas, não por ser o filho de alguém, mas pelo trabalho que faço e que está emocionando as pessoas. Agora, quero trabalhar com cinema. Pode colocar aí [risos].
Que lições seus pais te ensinaram?
Quando eu comecei, meu pai me disse: ‘decore o texto, não chegue atrasado’, Se você não fizer isso, ninguém vai te chamar mais, entendeu? Eles me ensinaram esse profissionalismo. Chegue na hora, decore o texto, que o resto você vai aprender.
A Stella está com 14 anos, na adolescência, que é um período desafiador. Como é a relação entre vocês?
Meu sonho, que vem se realizando, é que a gente se torne melhores amigos. Apesar de ter uma rotina bizarra, faço questão de ligar pra ela e trocar uma ideia. Passar e pegar ela pra gente comer uma besteira juntos, rir, conversar. Ela é uma menina muito letrada, um organismo vivo em diálogo com a sociedade que ela vive.
Sua mãe disse que ela é uma menina muito inteligente, bem informada…
Ela vem de uma geração com muita informação, é muito letrada. É bonito ver que coisas que a gente demorou para entender, ela já sabe. Penso também que é uma coisa geracional: quem vem depois sempre sabe mais do que a gente. É bonito ver que ela é um ser humano, um organismo vivo dentro da sociedade que ela vive.
Que características você tem dos seus pais?
Da minha mãe, vejo que trago esse lugar da presença. A energia, a essência. Me conecto muito com minha mãe nesse lugar. Ela nunca ligou muito para o que os outros estavam pensando dela, sabe? Ela estava tentando entender o que ela estava afim de fazer. Do meu pai, vem meu lado mais prático, racional. A maturidade, com as relações, no trabalho. Tenho um pouco dos dois.









