Moda

Por Di Maria Martina Ferraro, da Marie Claire Itália, com tradução de Nathália Geraldo, de Marie Claire Brasil — São Paulo (SP)

A Índia será o próximo destino do luxo? Segundo alguns especialistas do setor, sim. De acordo com uma pesquisa publicada pelo banco multinacional britânico Barclays, o país asiático, o mais populoso do mundo segundo dados de 2023, está no caminho certo para se tornar um potencial ponto de referência para moda e luxo global, exatamente como aconteceu anos atrás com a China.

Apesar de ainda ter uma base muito pequena (a Índia representa apenas cerca de 2% das vendas mundiais de bens de luxo), o Barclays estima que o mercado crescerá rapidamente a uma taxa anual de 15-25% nos próximos 7 anos, alcançando um valor entre 23 e 38 bilhões de euros.

Coincidentemente, o evento dos eventos, o casamento do ano, o "royal wedding", ocorreu na Índia nas últimas semanas. Três dias de celebrações precedidas por viagens, shows e festas diversas nos meses anteriores para comemorar a união entre Anant Ambani e Radhika Merchant. Anant Ambani é o filho mais novo de Mukesh Ambani, que com uma fortuna de 119 bilhões de dólares é o homem mais rico da Índia, de toda a Ásia e o décimo primeiro do mundo.

A família Ambani é proprietária da Reliance Industries Limited, uma empresa privada fundada em 1957 pelo avô de Anant. Hoje, o conglomerado com faturamento de 120 bilhões de dólares opera em diversos setores, desde energia até telecomunicações, petroquímicos e venda a varejo. E aqui chegamos ao ponto. A Reliance Retail Ventures Limited, a divisão da empresa especializada em varejo gerida por Isha Ambani, a única filha mulher de Mukesh, é responsável por trazer para a Índia mais de 50 marcas de moda, desde alta gama até faixas mais baixas. No setor de luxo, a Reliance se ocupa da distribuição de grifes como Giorgio Armani, Valentino, Salvatore Ferragamo e até mesmo Tiffany & Co. Em suma, os Ambani podem ser considerados os senhores do luxo na Índia e não há dúvida de que desempenharão um papel fundamental para impulsionar o crescimento do setor de moda no país.

Boom econômico

Voltando à análise do Barclays, o otimismo dos analistas foi alimentado principalmente pelo boom econômico da Índia, mas também por outros três fatores-chave que poderiam ser ventos favoráveis para moda e luxo. Em primeiro lugar, nos próximos 3-5 anos a Índia poderia alcançar um crescimento do PIB de pelo menos 8%. Em segundo lugar, o PIB nominal per capita da Índia deve subir para 4.000-5.000 dólares até 2025-2030, o que poderia ser um catalisador para um aumento dos gastos discricionários per capita.

Por último, mas não menos importante, a demografia deve mudar significativamente, pois a parcela da classe média em ascensão deve passar de 29% da população em 2022 para 44% até 2030. No entanto, há vários desafios que as marcas podem enfrentar, como a disparidade de renda, a limitação dos espaços de venda a varejo e uma propensão relativamente baixa para bens de luxo. Como ilustrado na análise, os consumidores indianos ainda tendem a ter uma visão muito conservadora sobre compras de luxo.

"Consequentemente, os clientes podem ter uma preferência clara por relógios e joias em vez de bens de luxo soft, pois bolsas ainda não são consideradas uma compra de longo prazo", explicaram os especialistas do Barclays.

Dentro da categoria de luxo hard, os relógios continuarão a ter bom desempenho, já que se tornaram um símbolo de status para os magnatas indianos. Segundo dados da Ethos, um importante varejista indiano de relógios, o segmento de relógios premium e de luxo está crescendo a uma taxa anual de 12,5% e deve atingir 1,4 bilhões de euros até 2025. O setor de joias de alta gama, por outro lado, continuará dominado pelos players locais, com mais de 50% do mercado focado em joias tradicionais compradas para ocasiões de casamento. No entanto, o Barclays acredita que as grandes maisons ainda têm boas chances de desenvolvimento.

Marcas no radar

"Acreditamos que produtos com um forte fator de diferenciação e que poderiam ser vistos como um claro indicador de status social, como as joias Love e Just Un Clou da Cartier, a linha Alhambra da Van Cleef Arpels e a coleção B.zero1 da Bulgari, podem ter mais chances de sucesso na Índia", diz a análise.

No que diz respeito a marcas de vestuário e artigos de couro, uma marca muito amada e com um impulso de crescimento significativo será certamente a Gucci. Feedbacks positivos também vêm sobre Saint Laurent e Balenciaga, que, como a Gucci, são de propriedade da Kering. Entre as marcas da LVMH, as favoritas são Louis Vuitton e Christian Dior, enquanto a Chanel também é bastante popular.

No que se refere à beleza, o Barclays prevê que a categoria premium crescerá mais rapidamente do que a de massa, seguindo o aumento do poder de compra da classe média. Em termos de distribuição geográfica, tudo se concentra nas principais cidades indianas. Mumbai, Nova Delhi e Bengaluru abrigam cerca de metade da população rica da Índia e contam com 90% das infraestruturas de varejo de luxo do país. Nova Delhi, a capital da Índia, é a cidade onde reside a velha classe dirigente indiana e onde foi inaugurada a primeira loja da Louis Vuitton no país, em 2003. Em Mumbai se ergue o Jio World Plaza, o maior shopping center de luxo da Índia. O projeto foi idealizado pela Reliance Retail Ventures Limited sob a liderança de Isha Ambani.

O polo tecnológico de Bengaluru, no sul da Índia, está se transformando também em um polo de luxo. Seu projeto de varejo mais importante se chama Mall of Asia, inaugurado em outubro. Entre os próximos passos, os grandes armazéns franceses Galeries Lafayette planejam abrir em Mumbai e Nova Delhi ainda este ano e no próximo ano.

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