20 momentos que fizeram de Rita Lee um ícone fashion
Rita Lee, mãe do rock e ícone de estilo, influenciou (e influencia) gerações com sua expressão artística e personalidade genuína
Por Laura Reif, redação Marie Claire — São Paulo
Não há como questionar a presença estética de Rita Lee no imaginário brasileiro. O bloco de Carnaval Ritaleena, que estreou em 2015 "com o objetivo de homenagear a maior artista paulistana, tradução da cidade em forma de mulher", criado pelas amigas Yumi Sakate e Alessa, desfilou pelas ruas do bairro da Saúde no último Carnaval e contou com Ritas de todas as eras em um mar de perucas vermelhas e óculos redondos. Talentosa e absolutamente intensa, a moda criada por Rita se tornou companheira de sua obra contracultural.
Em entrevista ao Estado de S. Paulo no ano 2000, o filho Beto Lee falou sobre a influência do estilo da mãe na hora de subir ao palco. “Ela me ensinou que é um lugar sagrado. Não dá para chegar com a mesma roupa que você usa no dia-a-dia. Ela sabe montar um visual como ninguém.”
Rita Lee morreu na segunda-feira (8), aos 75 anos, em sua casa, cercada pelos familiares. Ela havia sido diagnosticada com câncer de pulmão em 2021.
“Só uma pessoa inteligente sabe caminhar pelo tempo de um jeito tão brilhante como ela. A moda sempre foi algo que Rita usou a seu favor, mas o importante era como ela interpretava aquelas canções com efeito de linguagem para atingir os outros”, analisa a consultora e papisa da moda, Costanza Pascolato.
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A principal homenagem dos foliões em 2023, de longe, foi o visual nude coberto por estrelas psicodélicas usado pela cantora em 1978.
O ingrediente principal nas composições visuais de Rita é a irreverência. “Nos anos 1960, ela estava totalmente inserida no estilo livre da época. A gente estava começando a sair daquela estética completamente careta – mas não era todo mundo, era a juventude. Você via uma senhora casada, toda caretinha, e os jovens iam na contramão disso”, lembra Costanza.
Em 1968, Os Mutantes eram os únicos tropicalistas que concorriam do Festival Internacional da Canção após as desclassificações de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Para a apresentação e, depois na capa do álbum "Os Mutantes" (1969), Rita usou o icônico vestido de noiva.
Com a mudança das décadas e dos ritmos musicais, a nossa ovelha negra incorporou muito do rock estrangeiro ao guarda-roupas, trazendo influências de David Bowie e Mick Jagger.
Do hippie ao glam rock
Sempre expressiva, Rita transitou do hippie ao glam rock dos anos 1980 de forma fácil e divertida. As botas prateadas -- furtadas de uma boutique em Londres -- na era Tutti Frutti, após sua saída dos Mutantes, são exemplo.
Vale destacar que, em meio à ditadura militar no Brasil, ela ocupava um dos espaços mais masculinos do momento ao estar à frente de bandas de rock como Os Mutantes (1966-1972) e chegou a ser detida pelos militares com 28 anos, quando estava grávida do primogênito, Beto, em 1976.
No primeiro show após sair da prisão, no ginásio do Palmeiras, em São Paulo, Rita subiu ao palco vestida de presidiária.
E para quem acha que estilo é só coisa de jovem, a mãe do rock expressava sua personalidade até o fim, deixando sua moda evoluir sem perder a essência que conquistou – e continua a conquistar – todas as ovelhas negras da família que se inspiram nela. “Talvez os mais notáveis foram o corte de cabelo e os óculos”, enumera Costanza.









