Plágio ou homenagem: chapéu de Beyoncé em turnê é cópia de estilo de Erykah Badu?
Acessório com aba larga foi usado pela artista na Renaissance tour e, nas redes sociais, Badu disse que “era estilista de todo mundo”, em alusão à ideia de que Beyoncé roubou sua referência de peça icônica. Mas, dá para afirmar que é plágio?
Por Nathália Geraldo, redação Marie Claire — São Paulo
Era só mais uma troca de look de Beyoncé, dentre as tantas que marcam a construção narrativa visual do show da turnê Renaissance. Mas, um chapéu alto, de aba redonda bastante larga e espelhado, usado pela cantora durante apresentação em Nova Jersey, nos EUA, no final de julho, chamou atenção da cantora Erykah Badu para o que ela presumiu ser uma cópia do acessório, uma peça icônica de seu estilo, por Beyoncé.
A artista resolveu publicar no Instagram uma foto de Beyoncé com a legenda: “Acho que sou a estilista de todo mundo”. Nos comentários da publicação, o público se dividiu: enquanto alguns disseram que Badu foi longe demais se referenciando na imagem de Beyoncé, outros consideraram que a cantora deveria se sentir lisonjeada pela homenagem e inspiração – até agora, sem o teor confirmado por Beyoncé ou pelos stylists que trabalham com ela – que, de fato, pode aludir ao chapéu de Badu.
Quando artistas sobem ao palco, o figurino pode se tornar um recurso elementar para se contar uma história. E chapéus são acessórios que funcionam nessas ocasiões, não só como elementos estéticos, por chamarem atenção para a figura central do espetáculo, mas como ingredientes que entregam códigos artísticos e de identidade.
Para a stylist Gabi Rocha, que atende principalmente cantores e cantoras brasileiros negros que usam referências afro diaspóricas, é também um símbolo conceitual. Badu e Beyoncé, analisa, apostam recorrentemente nessa estratégia. “Erykah Badu tem essa estética revolucionária, e que mistura o que vem da diáspora, com o street wear, o rastafari, afrofuturismo e até ufologia. O chapéu dela é uma coisa meio de bruxaria. Beyoncé também aparece em muitos videoclipes, shows e fotos com eles, inclusive nos de Black is King [álbum visual de 2019 inspirado no filme O Rei Leão, que, entre outras narrativas, celebrou a cultura africana]”.
Mesmo o caso envolvendo duas das artistas mais famosas da música negra, com repercussão nas redes sociais entre os fãs das cantoras, Beyoncé e sua equipe ainda não esclareceram se o acessório era, de fato, um plágio ou uma menção implícita a Badu.
Para a stylist Gabi Rocha, no entanto, o caso do chapéu prateado vai além da discussão de “quem influenciou quem” e se houve cópia do estilo. “Pela ordem cronológica, Badu usa o chapéu desde o álbum Baduizm, em 1997. Mas, não dá para cravar que Beyoncé a copiou. Inclusive porque o Renaissance também é contemplado por uma inspiração afrofuturista”.
Caso Prince
Reconhecidamente, Beyoncé é uma artista que reverencia outros artistas. Nas fotos oficiais do álbum, por exemplo, a artista surgiu com um “gun microphone” prateado, no mesmo molde que se tornou marca registrada do cantor Prince.
Já no SuperBowl de 2013, em que dividiu o palco com Bruno Mars, o figurino foi um tributo a Michael Jackson: Beyoncé se apresentou para os milhões de espectadores do evento com uma jaqueta com aplicações em metal que também se assemelhava a uma das peças mais famosas do cantor. “Esses casos são de homenagens, mas que não foram necessariamente explicadas por texto em algum lugar; às vezes, os stylists falam sobre as inspirações nas redes sociais, mas nem sempre”.
Chapéus e a cultura negra
Gabi Rocha explica que, não à toa, as duas artistas apostam nos chapéus como peças de construção imagética dentro do mundo da música. Isso porque os acessórios de cabeça têm mais do que força estética na cultura negra; historicamente, chapéus, turbantes, lenços, quepes, podem ser associados a identidades afro que se reproduzem fora do continente africano e a simbolismos espirituais, tradições e cerimônias.
“Sabemos que há povos africanos em que o acessório de cabeça tem relevância na questão de hierarquia social também; em alguns, só mulheres usam, por exemplo. Então, quando vemos esses itens sendo usados por artistas que levam as referências afro diaspóricas tão a sério, como Beyoncé e Erykah Badu, podemos deduzir que há um conceito construído. Dificilmente é só uma questão estética”.









