Com estreia de Sabato De Sarno, Gucci faz da passarela uma ode à sensualidade discreta e ao minimalismo
Gucci acenou para o minimalismo dos anos 90, apostou em plataformas, vestidos curtinhos em A, vestidos camisola e jaquetas amplas na Semana de Moda de Milão; Marie Claire esteve no desfile e conta quais são os destaques da coleção
Por Maria Rita Alonso e Nathália Geraldo, redação Marie Claire
A diversidade entre as pessoas, a arte pulsante e a moda para "enriquecer a vida ordinária" e não para estar em museus ou locais inatingíveis. Quantas histórias e conceitos cabem em um desfile? Com essas reflexões, a Gucci apresentou a coleção Ancora nesta sexta-feira (22) na Semana de Moda de Milão, sob a estreia festejada e esperada do diretor criativo Sabato De Sarno à frente da maison.
O desfile, em que Marie Claire esteve presente, traduziu muito sobre essa temporada, que anda totalmente concentrada no luxo discreto, descomplicado, sem muito conceito ou invencionice fashion.
A Gucci acenou para o minimalismo dos anos 90, apostou em plataformas, vestidos curtinhos em A, vestidos camisola e jaquetas amplas. A base da coleção veio em tons sóbrios, mas pontuados de vermelho, verde limão e cores terrosas. Os destaques foram os comprimentos curtíssimos de shorts, saias e vestidos, deixando as pernas de fora.
Os brilhos e brocados foram bastante dosados para a coleção, aparecendo nas saias franjadas, que seguem a mesma tendência do que foi apresentado pela Prada, e nas regatas soltinhas (e coloridas). O couro vinílico deu as caras em poucos momentos, nas saias em tons vermelhos e verdes, que também apresentavam fendas sensuais, porém mais retas.
É uma sensualidade "mais calma", que busca se diferenciar dos excessos da moda -- oposição, por exemplo, ao "loud luxury" apresentado pela Moschino nesta temporada. A maison parece também ter se distanciado de uma estética mais rebuscada, assinatura de Alessandro Michele, que deixou a direção criativa da grife no ano passado.
Minimalismo asiático
Além de flertar com o que já vimos em décadas passadas, Sabato parece ter percebido que China, Coreia e Japão são a nova meca do consumo de luxo mundial e ditam caminhos de moda. Por isso, o que se viu no catwalk parece ter sido feito sob medida para os asiáticos, que dominaram as plateias dos desfiles em Milão. Entre os convidados, famosos como Halle Bailey, Kendall Jenner, Julia Roberts e Ryan Gosling, além de o estilista da Valentino Pierpaolo Piccioli (ao lado de seu cachorrinho), de quem Sabato foi assistente.
Contando histórias
De Sarno marcou seu debut com o desafio de retratar não só o que se espera da Gucci como de abarcar as possibilidades de existência humana em roupas. No comunicado que divulgou à imprensa e nas redes sociais, pontuou que o novo momento da grife é para contar "uma história de alegria de vida, de paixão, de humanidade, de pessoas, de vida real, de glamour irreverente, de provocação, de confiança, de simplicidade, de sentimentos e emoções imediatas".
Uma história de riqueza e luxúria/desejo, de vermelho mas também de azul e verde, de flash, de espontaneidade, de luz, de uma festa à primeira luz do dia, é uma história não escondida, que é orgulhosa, é manifesta e não um tabu, embora possa parecer que deveria ser, é totalmente gratuito e cheio de euforia.
Veja o conteúdo produzido por Marie Claire no desfile:
A sensualidade discreta da Gucci









