Moschino leva luxo 'gritante', turbantes e performance a desfile em Milão, com celebração de 40 anos da marca
Dividido em quatro atos, show mergulhou na ironia e no questionamento aos padrões da moda com o "Loud Luxury" estampado nas camisetas de quem passou pela passarela (dançando, inclusive). Marca levou ousadia a Milão, no ano em que celebra 40 anos
Por Nathália Geraldo, redação Marie Claire — São Paulo
Quatro atos quase contraditórios entre si marcaram o desfile da Moschino nesta quinta-feira (21), durante a Semana de Moda de Milão. A ironia característica da marca e as referências do que ela construiu no imaginário do público até aqui fizeram parte da coleção primavera verão 2024, criada por quatro mulheres amigas da maison: Carlyne Cerf de Dudzeele, Gabriella Karefa-Johnson, Lucia Liu e Katie Grand.
O show foi dedicado ao fundador da grife, Franco Moschino. A pluralidade de mentes criativas, claro, só poderia resultar em diferentes moods na passarela -- do chique e simples, com silhuetas mais tradicionais, à explosão de cores, passando por tons pastéis e babados e peças de beachwear marcadas simplesmente por símbolos, como pontos de interrogação e exclamação. Uma ode ao "luxo gritante" também esteve entre as mensagens da marca. Ufa. Um mix que dividiu a opinião dos espectadores e da crítica e que detalhamos a seguir.
Primeiro ato
Com a trilha sonora comandada pela voz suave de uma mulher, o primeiro ato levou todas as modelos usando turbantes com pedrarias -- que se replicavam nos outros acessórios -- e orbitou entre o branco, o cinza e o preto. Silhuetas básicas, tanto em vestidos quanto em calças e blusas, entregaram escolhas seguras e práticas, para a mulher Moschino que não quer embarcar tanto na linguagem mais despojada da marca.
Segundo ato
Pode-se dizer que o segundo momento foi de mergulho no resort wear. Com modelos deslizando pela passarela como se estivessem chegando em um clube de praia para encontrar as amigas, Moschino apresentou saias com retalhos coloridos, vestidos jeans em camadas e babados -- uma coisa bem verão -- flertando com peças metálicas.
Detalhe para as cores vivas, rosa, laranja e vermelho, para a mistura de estampas e para um emblemático conjunto de blazer, camisa e gravata com desenhos de girassol.
Terceiro ato
A abertura da terceira parte do desfile da Moschino veio com os dizeres em uma camiseta: "Protect me for the fashion system" ("Proteja-me do sistema da moda") e mais do que se espera da marca: os corações, por exemplo, apareceram nas fivelas dos cintos. A Moschino também não se esqueceu de explorar o rosa e os tons pastéis, além de apresentar saias esvoaçantes.
Quarto ato
Fazendo contraposição ao quiet luxury, a grife italiana aproveitou para dar o nome. É "loud luxury" que ela propõe? É "loud luxury" que teremos. Artistas entraram na passarela dançando, com peças que mais pareciam o figurino de uma intervenção: macacões, biquínis e maiôs imitando as curvas dos corpos dividiram a cena com moletons e camisetas em que a expressão estava escrita em letras garrafais. O luxo "gritante" da Moschino.
Foi nesta abertura, aliás, que a moda fez as pazes (ou brigou, a depender do ponto de vista do espectador) com a arte. Em dado momento, os artistas pareciam fazer um flash mob e dançarem em duplas para "gritar" a moda. Recebendo críticas ou não, Moschino mostrou porque sempre é interessante acompanhar como a essência da marca aparece na Semana de Moda.









