Assimetria, transparência e chinelos de dedo: Chanel olha para a efervescência das artes e cria seu verão florido
Coleção da maison francesa com a diretora criativa Virginie Viard à frente foi inspirada em um centro de arte consagrado no século 20 no Sul da França e mesclou elementos (e cores, como pouco se viu na Semana), levando ainda chinelinhos a quase todos os looks da passarela
Por Natacha Cortez e Nathália Geraldo, redação Maria Claire — São Paulo e Paris
Vista seu chinelo de dedo e aguarde o verão com cores e mais democrático chegar. Essa foi a proposta da diretora Virginie Viard para a coleção verão 2024 da Chanel, apresentada nesta terça-feira (3), no último dia da Semana de Moda em Paris, em desfile realizado no Grand Palais Éphémère. Olhando para a efervescência artística francesa em tempos passados, Virginie se inspirou em um centro de artes em Hyères, no sul da França, para levar o frescor à passarela.
Para a coleção, a maison dialogou com as referências da centenária Villa Noailles, um espaço que pertencia aos mecenas Charles e Maria-Laure de Noailles, no século 20, de arquitetura modernista e projetado por Robert Mallet-Stevens. Frequentada por artistas como Dalí, Buñuel e Giacometti, o lugar marcou a história da arte e da sociedade local. Hoje, abriga um centro de arte contemporânea que tem a Chanel como principal patrono.
Por essa razão, Chanel apareceu mais florida e muito menos soturna do que as marcas que desfilaram até aqui. A aposta em chinelos pretos, para dar a impressão de "pés no chão", mesmo com roupas mais sofisticadas, como tailleurs e peças de alfaiataria, funcionou muito bem para mostrar como é possível o casual e o chique estarem a serviço da coleção. Quando não eram eles, entravam em cena a sapatilha inspirada nos modelos de balé e a botinha Chanel numa tonalidade de azul lavanda -- o que deve ser tendência nesta temporada. Marie Claire esteve na apresentação, uma das mais esperadas de Paris, nesta manhã.
A graça do show, que teve Gigi Hadid vestindo um conjunto brilhoso no desfile, esteve no fato de Virginie transitar entre diferentes cores, comprimentos e modelagens, indo além com sobreposições, inclusive nas transparências. Vários tons de rosa, do lavado ao mais aceso, amarelo e bastante brilho, em acessórios e em aplicações nas peças, mostraram que a feminilidade está em alta. O preto e branco, cores chave da Chanel, não foram dispensados por Virginie.
Já o luxo foi aparecendo aos pouquinhos: o desfile começou com o que parece ser um tecido atoalhado mais casual, até que a coleção cresceu, e virou o que se espera da Chanel: com assimetrias, como numa saia lápis, mangas largas perto do pulso que pareciam ser aplicadas e transparências, principalmente em vestidos pretos. Os tweeds e o listrado, claro, também surgiram em várias cores.
Para um verão mais plural, a grife abriu o horizonte sobre os comprimentos das peças, revelando bermudas na altura do joelho, saia midi e coisas bem curtas.
Veja os destaques:









