Desfile Misci: a fila A carregada de famosos para ver o Brasil local e global
Realizada no Pavilhão da Bienal de São Paulo e assistida por muitos artistas, como Gkay, Emicida e Maisa, a apresentação da marca do mato-grossense Airon Martin foi um espetáculo de assimetrias, inovações e brasilidade; a cantora Ivete Sangalo fechou o desfile
Role o feed do seu Instagram e, se ele for daqueles cheios de figuras públicas da arte, da TV e da própria rede social, possivelmente alguém que você segue esteve na manhã desta terça-feira (23) no Pavilhão da Bienal de São Paulo, dentro do Parque Ibirapuera, para acompanhar o desfile da Misci, marca do estilista mato-grossense Airon Martin. Aqui, parte da lista da fila A: Glória Kalil, Malu Borges, Rafa Kalimann, Maisa Silva, João Guilherme, Emicida, Sasha Meneghel, Carlinhos Maia. A coleção "Tenda Tripa", que se propôs a levar as "entranhas do Brasil" à moda, ainda fechou com uma presença estrelada: a da cantora Ivete Sangalo sobre a passarela montada dentro do galpão de exposições de arte.
Foi um dia de glória da moda brasileira. Ali, entre as colunas majestosas do modernista Oscar Niemeyer, Martin, que é do interior do Mato Grosso, apresentou uma produção pulsante, provocadora, atual e extremamente conectada com uma vanguarda jovem do país. Foi um encontro bonito de ver entre a brasilidade e a modernidade.
Momentos antes de o funk "tuin" paulista, parte da trilha sonora da apresentação, anunciar o começo do desfile, Martin falou com Marie Claire sobre o trabalho desta temporada. "Quanto mais regional, mais global você é. Esse é o nosso diferencial, nossa propriedade intelectual. A construção de identidade é regional, só que com códigos globais, sendo bem acabado. É isso que faz pessoas como a Oprah [Winfrey, que em visita ao Brasil comprou três bolsas da Misci] sentirem desejo pelos nossos produtos".
O que rolou no desfile da Misci?
Os looks
Marcas como a Misci sustentam não só peças icônicas -- na plateia, havia pessoas com o boné verde e amarelo "Mátria Brasil" e camisa de seda com estampa Pipoca, de coleções passadas -- como produções que não passam despercebidas em nenhum lugar. A começar pelas assimetrias e pelos recortes inusitados, exibindo o corpo de forma moderna.
Nas cores, uma paleta bastante outonal. Por isso, para além do bege, do tom de areia e dos clarinhos, a Misci entregou looks em verde oliva e claro, com muitas tonalidades de marrom (em Marie Claire, a gente segue afirmando que ele é a cor da estação neste ano).
Local e global
As tendências de comportamento, das artes e da moda se conectam globalmente. Por isso, um dos destaques foi ver como as meias-calças brancas, a alfaiataria bem acabada e, mais uma vez, o marrom como protagonista surgiram no desfile da Misci -- coisas que foram registradas nas últimas Semanas de Moda internacionais.
Para essa "fusão" entre o que é local e global, aliás, não faltaram elementos de pluralidade e diversidade: o artista Jaime Lauriano, por exemplo, foi convidado para fazer uma intervenção em parte dos looks com bordados com linhas brancas esfumadas -- uma referência a figuras da umbanda e do candomblé como transcritas por pais e mães de santo em contato com entidades e espíritos.
Nos materiais, escolhas sustentáveis: biocouro, retalhos de jeans da própria etiqueta e o uso artesanal da fibra de buriti provam que a preocupação ambiental também é uma característica proposta pela Misci.
O 'fresh' e o cosmopolita
A Misci ainda apostou no despojamento e em vestidos vaporosos de seda para fechar a coleção. Se Ivete estava de blazer, uma peça super cosmopolita, foi com os cabelos soltos e sob a trilha com música brasileira que cruzou a passarela. Uma mistura que deu gosto de ver.









