Por que mulheres estão usando ursinhos de pelúcia como acessório pendurado em bolsas?
Há uma razão pela qual pingentes fofinhos e divertidos estão na moda
Por Halie LeSavage, em Marie Claire Estados Unidos, com tradução de Nathália Geraldo, de Marie Claire Brasil
O primeiro acessório que conquistou meu coração como jovem aspirante a editora de moda ia aonde quer que eu fosse. Seu exterior rosa com manchas brancas ditava toda a paleta do meu guarda-roupa; sempre precisávamos combinar. Eu o carregava na curva do braço com a reverência e o cuidado que os vendedores da Hermès dedicam às Birkins recém-saídas da caixa. Eu nunca deixava que tocasse o chão. Quase entrei em pânico no dia em que pensei tê-lo esquecido em um Uber o e perdido para sempre. Ele era uma fonte de conforto e identidade; foi, tecnicamente, o início do meu senso de estilo. Era uma girafa de pelúcia.
Certamente não sou a única criança que manteve um animal de pelúcia como suporte emocional durante boa parte da infância — e o aposentou para um armário quando esses companheiros queridos se tornaram constrangedores demais para serem reconhecidos em público. (Não, você não se levantou depois que todos adormeceram na sua primeira festa do pijama para tirar seu bichinho de pelúcia da mochila.)
Mas, duas décadas depois de soltar o pescoço felpudo da minha girafa, o mundo da moda começou a sugerir que está tudo bem pegar um bichinho desses novamente para um pouco de conforto extra, quando necessário. Ou encontrar uma versão miniaturizada e prendê-la na bolsa de trabalho de adulto.
Por que os pingentes de pelúcia fazem tanto sucesso?
Ultimamente, adultos bem-vestidos têm sido vistos carregando bichos de pelúcia quase tão frequentemente quanto crianças de pré-escola, tanto nas principais capitais da moda quanto na internet. Alguns são coelhos e gatinhos de crochê em proporções diminutas, presos a uma bolsa em meio a outros pingentes. Outros são quase do tamanho real de cachorrinhos, reimaginados com alças de couro e um bolso para iPhone.
Os looks exibidos em Londres, Paris e Milão incluíram desde enfeites de animais de fazenda que custam menos de 50 dólares até ursinhos Prada de mais de 750 dólares. E não há sinais de que essa tendência "Zootopia" desapareça em 2025: a recente reformulação da Vera Bradley incluiu bolsas de ursinhos de couro, enquanto a Coach apresentou uma clutch em formato de urso gigante em seu desfile da primavera de 2025.
No TikTok, pingentes Jellycat são pedidos frequentes para presentes de fim de ano. E, à medida que milhares de mulheres “Jane Birkin-izam” suas bolsas, bichinhos fofos frequentemente fazem parte da equação.
Os acessórios mais comuns são pequenos animais de pelúcia presos às bolsas, acompanhados de outros minipingentes.
Embora pareça haver uma onda de adultos desejando esses enfeites, as "menageries" da moda não são exatamente novidade. Thom Browne introduziu sua bolsa Hector, uma homenagem ao seu querido dachshund, em 2016. A clutch hiper-realista de pombo de J.W. Anderson atraiu um tipo específico de it-girl em 2022. Bolsas em forma de ursos, cachorros e gatinhos apareceram em coleções de novidade por décadas. Ainda assim, a adoção em massa de animais inanimados parece extremamente 2024.
Entre o aumento do custo de vida, a instabilidade geopolítica, os retrocessos nos direitos reprodutivos e tantos outros acontecimentos infelizes, os tempos são, para dizer o mínimo, estressantes. Diante dos desafios do presente, muitas pessoas tendem a olhar para o passado com mais carinho. Muitas vezes, encontram conforto em relembrar a infância, um período em que provavelmente não precisavam lidar com os fardos da vida adulta.
De forma geral, essa tendência de acessórios permite que os adultos ajam um pouco menos, bem, como adultos, e se reconectem com sua criança interior. É uma dose pura de fantasia, carregando um sapo ou um poodle de brinquedo no trajeto matinal. Ao mesmo tempo, é uma maneira rara de parecer altamente individual em uma economia da moda cada vez mais homogênea. (Poucas pessoas carregam exatamente o mesmo bichinho de pelúcia.)
Além disso, animais de suporte emocional vivos não são mais permitidos em tantos lugares quanto antes. Não é possível levar um cachorro de suporte emocional vivo, acima de certo tamanho, em um voo da Delta — e definitivamente não é permitido levar um pavão ou uma tartaruga. Mas um de crochê? Sempre é bem-vindo. Essa tendência ultrapassa fronteiras, tamanhos, idades e até orçamentos, com um pouco de criatividade.









